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terça-feira, 7 de julho de 2026

Bendito regresso - As Powerpuff Girls

Pois é, caros leitores aqui do blog: aparentemente, há cerca de uma semana - ou, se foi antes, eu não reparei - o canal Cartoon Network teve a bondade(?) de repôr o desenho animado As Powerpuff Girls. E, se os olhos e os ouvidos não me enganam, não é um um reboot qualquer; é mesmo o original dos anos 90, criado por Craig McCracken e Genndy Tartakovsky. Podem não conhecer este nomes, mas com base no pouco que eu sei do assunto, são 2 artistas muito importantes para a arte dos desenhos animados...especialmente o segundo.


Aqui neste blog, não me considero propriamente um vendedor, pelo que não tenho de vos convencer a ver este programa; estou apenas a tentar divulgar a reposição. Porém, como gostei de crescer com o programa, vou partilhar aquilo que creio serem algumas das qualidades de As Powerpuff Girls. Antes de mais nada, acho giro um programa em que super-heróis lutam contra monstros. Ok, as Powerpuff Girls nem sempre faziam isso...por vezes o "monstro da semana" que elas combatiam não era bem um monstro, era um animal falante ou até um palhaço. Mas quando lutavam com algo mesmo monstruoso, eu divertia-me bem. :)


Depois, gosto dos desenhos...pessoalmente, sempre apreciei os bonecos de desenho animado que são desenhados com um traço exterior negro muito carregado, uma linha muito grossa. Não sei porquê, mas gosto disso; gostava do traço exterior do Timmy Turner, Cosmo e Vanda e também gosto do deste programa. Depois, acho que a música é boa; este programa era jeitoso a criar um ambientezinho dramático e/ou tenso com música porreira. O próprio genérico é bem animado...adoro aquele tambor! Depois, embora não fosse um programa particularmente cómico, sacava umas piadas de vez em quando. Algumas das quais subvertiam imenso aquilo que se esperaria.

Finalmente, ligando este programa ao tempo em que nos encontramos (Julho de 2026), As Powerpuff Girls podem ajudar a, vá, equilibrar a média daquilo que as crianças de hoje em dia vêem. Afinal, como alguns aqui já devem ter ouvido, uma crítica relativamente comum à TV de hoje para os petizes é que não deixam os infantes ter tempo para digerir o que viram...tempo para «respirar mentalmente», se quiserem. Bem, As Powerpuff Girls são impecáveis nisso: quando uma personagem está à espera, podemos sentir que ela está realmente a esperar. E, quando uma personagem está a contemplar, dá para nós - público - contemplarmos também. E há uma boa quantidade de momentos de silêncio. Fantástico, não acham?! :D


Portanto, sim, recomendo que vejam, revejam ou então mostrem a filhos que possam ter. Ou sobrinhos. Ou afilhados, sei lá...vejam, mostrem e divulguem, pode ser?

Ah, um pormenor importante! É o seguinte: pelo menos nos serviços de TV NOS e MEO, podem ver o desenho animado com a dobragem que fizemos...ou, se preferirem, podem revê-lo em inglês! Ou seja: se assim desejarem, podem vê-lo como eu o via durante anos no Cartoon Network: sem perceber patavina dos diálogos, mas curtindo a alegria e as batalhas! XDD

(Por acaso aprendi um pouco de inglês só de ver. Foi fixe.)

domingo, 10 de novembro de 2024

Bendito regresso - Phineas e Ferb (o "original", atenção!)

Uma reposição da obra-prima Phineas e Ferb no Disney Channel não é necessariamente algo inédito; tanto quanto sei, o canal já fez isso algumas vezes. Porém, tendo em conta a qualidade imensurável que o Phineas e Ferb tem - na minha opinião, claro... - acho que vale a pena avisar aqui no blog que, durante um certo tempo, quem tiver o Disney Channel vai poder ver pelo menos 18 episódios deste icónico programa. Aliás, creio que até ao dia 11 de Novembro deste ano vai ser possível começar a ver pelo seu 1º episódio. Bem...quer dizer...pelo menos quem tiver a possibilidade de "voltar atrás no tempo" 7 dias na sua TV.


Por agora, a situação é mais ou menos esta: quer uma pessoa tenha gravações automáticas na TV ou não, durante umas semanas essa pessoa deverá poder ver uns belos episódios do programa com o nosso cientista malvado favorito - uma fonte inesgotável de risotas! Portanto, sugiro que aproveitem; mesmo que não tenham muito tempo livre, os episódios não são muito compridos e a diversão é quase garantida. Vamos a isso? :) O último a chegar é -Ei...onde está o Perry?

sábado, 24 de agosto de 2024

Bendito regresso - Oliver & Benji

E cá está mais um bendito regresso. Este é dos grandes...indo direto ao assunto, o canal Panda Kids estás a passar novamente o saudoso desenho animado Oliver e Benji!


Eu gosto de pensar que este programa dispensa apresentações. Por outro lado, sabendo que alguns pensadores/intelectuais dos dias de hoje defendem que a cultura de massas já não existe (ou, pelo menos, já não funciona como funcionava há uns anos), talvez precise de alguma espécie de apresentação. Bem, correndo o risco de simplificar em excesso, é um anime sobre um grupo de jovens futebolistas que jogam competições cheias de futebol, mas também cheias de monólogos interiores! XDDD E, pessoalmente, acho que a história do programa é praticamente isto...acho que é uma história relativamente simples, embora seja muito eficiente dentro da simplicidade que tem. O que torna o programa épico são vários fatores, entre os quais a música, a qualidade da animação - que passa tão bem os sentimentos das personagens que qualquer duelo pela bola se torna uma experiência televisiva para recordar - e, como muitos irão concordar, as memoráveis e muito agradáveis vozes da dobragem portuguesa feita pela Somnorte.


Pois é; se algum dos leitores estava com medo de apanhar uma reposição do Oliver & Benji com coisas como legendas ou até dobragens alternativas, posso tranquilizar esses leitores: nesta reposição do Panda Kids, não há nada disso. Mantiveram a dobragem portuguesa...e muito bem, na minha opinião. Em tom de brincadeira (será?...), eu creio que nem é legal ouvir a saudosa personagem do Oliver Tsubasa sem que esta tenha a voz da atriz Paula Seabra. Felizmente, não vou ter de sujeitar-me a isso. Para mim, o Oliver é a Sra. Seabra e fim da história! ;)


Portanto, se estiverem impacientes para ver ou rever este programa, vão ao Panda Kids e apreciem esta delícia. Aliás, se forem rápidos, ainda vão poder ver o clássico primeiro(?) episódio em que o Nuipi joga contra o São Francis não num contexto de campeonato, mas no contexto de defender o seu direito de jogar naquele campo (esse passou no dia 19). Divirtam-se!

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Nome Desconhecido (Toni, a Formiga?)

Imagens/vídeos: 



Informação: Em retrospetiva, é curioso e talvez até bizarro que tantos desenhos animados que passavam no Batatoon estejam tão esquecidos. Quer dizer, tanto quanto sei, o Batatoon é um programa lembrado por muitos...por vezes até por quem não acompanhou o programa. Enfim; se é verdade que o Batatoon foi um grande êxito no seu tempo, também o é que muita gente só se lembra de uns poucos desenhos animados que passavam no programa do palhaço Batatinha (os melhores, quiçá...) e esquece os restantes. Este das formigas é mais um dos esquecidos que passou no Batatoon, porque ou muito me engano ou passou no ecrã desse programa após o Batatinha ter o comando na mão e carregar no botão...

O nome original deste programa parece ser "Anthony Ant", embora eu não me lembre minimamente do título lusitano. De qualquer forma, o protagonista não se chamava Anthony cá em Portugal; chamava-se Toni e todos os seus amigos pronunciavam "Tóní" e não "Tóni". O Toni vivia várias aventuras animadas com o seu grupo de amigos e, se bem me lembro, todos eles gostavam de andar de skate. Ainda assim, cada um deles tinha um interesse que apreciava mais do que o skate. O Kevin, por exemplo, gostava de fazer malabarismos com bolas ou com quaisquer objetos que fossem fáceis de atirar ao ar. Outra das formigas gostava muito de comer. E depois havia outras personagens secundárias que apareciam de vez em quando, como o avô do Toni e uma formiga com um daqueles chapéus de explorador (como o que o Tintim usou no álbum Tintim no Congo). Ah, e já que falei em chapéus: todas as formigas deste programa usavam qualquer coisa na cabeça. O Toni usava um boné vermelho, qual TJ do programa Recreio. Os amigos dele usavam bonés de outras cores ou coisas como gorros ou fitas. Não sei porque é que puseram tantas personagens a usar algo na cabeça...se tivesse de dar um palpite, diria que era para o público se identificar mais facilmente com as personagens. Afinal, ao usar chapéus, elas lembravam mais facilmente os humanos do que lembrariam se "só" tivessem antenas no cocuruto. 

Curiosamente, até os vilões usavam algo na cabeça...no caso dos 2 ajudantes tolos, eram capacetes. A meu ver, os vilões eram um dos destaques deste desenho animado. O principal vilão era um tal Conde Mosquito, que tinha a voz de Jorge Paupério. O Conde usava uma espécie de capa ou manto e dava muitas missões maléficas aos tais 2 ajudantes tolos. Estes eram o Nate e o Buzz e, como é costume neste tipo de personagens, estes 2 eram facilmente enganados pelos heróis e faziam muitas tolices. Por vezes os vilões tinham o dia quase ganho e, à última da hora, o Nate e o Buzz deitavam tudo a perder por se distraírem com facilidade ou por serem uns grandes trouxas. Outro dado interessante deste desenho animado é que os insetos, dia sim dia não, tinham de interagir com uns seres gigantescos com sapatos muito perigosos! Esses seres gigantes, como devem calcular, eram os seres humanos. Estes humanos nunca eram vistos a falar e nem sequer se via a cara completa de nenhum deles. Isto fazia com que os humanos, a quem as nossas formigas chamavam Pé Grande, parecessem mais assustadores e completamente insensíveis aos sentimentos alheios. E os tais pés grandes punham muitas vezes as formigas e os seus amigos em perigo, quer com os pés pisadores de criaturas minúsculas, quer por não as verem e lhes acertarem com alguma coisa. Felizmente, por vezes, as formigas até beneficiavam da interação com o Pé Grande. Às vezes até ganhavam alimento para um ano quando o tal Pé Grande deixava cair comida ao chão!

Alguns episódios
- As nossas amigas formigas falam e concluem que se esqueceram do aniversário do Billy, o seu compincha mais novo. Enquanto elas pensam em como resolver isto, um "Pé Grande" passa e deixa cair umas gomas coloridas. As formigas não sabem bem o que fazer com aquilo, mas de repente o Billy aparece e o Kevin tem a ideia de fingir que as gomas eram o presente que eles compraram para o aniversário do Billy! A ideia até funciona bem, pois o Billy gosta das gomas porque diz que cheiram bem, sabem bem e que dão para trepar porque são pegajosas. O problema é que depois o tal pé grande vem recolher as gomas e o Billy é levado na voragem. Ups! (alerta de spoilers: no fim do episódio, eles trazem o Billy de volta)

- Num episódio cheio de frio, as formigas daquela área enfrentavam uma espécie de frente fria causada por...não sei bem o quê. ¯\_(ツ)_/¯ O certo é que a situação não era só desconfortável; estava mesmo a dificultar o quotidiano às formigas. Elas tentavam organizar-se e reunir-se para lidar com a situação, mas não conseguiam muito. Mas o Conde Mosquito não parecia interessar-se muito pelo assunto. Mais tarde, as formigas descobriram porquê: ele tinha uma espécie de túnel privado onde circulava muito calor e o vilão passava um bom tempo lá. Inclusive, quando as formigas o descobriram, o Conde Mosquito estava confortável a tomar um banho quente, ignorando as formigas com frio lá fora. Quando o descobriram, o Conde nem teve remorsos e limitou-se a protestar: "Como é que vocês se atrevem? Eu estou a tomar banho!". O avô do Toni respondeu logo algo como "Como é que você se atreve a manter segredo desta câmara quente enquanto todos congelam lá fora?!". E assim foi...pouco depois, as formigas tinham arranjado uma forma de canalizar o calor do tal túnel/câmara para a superfície, ajudando a aquecer as coisas. E o Conde foi, digamos, "voluntário à força" para fazer um trabalho manual que essa canalização exigiu.

- Este episódio parecia um tipo de paródia à clássica história da Bela Adormecida...nele, o avô do Toni ficava doente e o seu filho rapidamente identificou a doença como sendo uma tal "febre do borbulho". Os sintomas da doença andavam entre o expectável e o surreal; se por um lado o avô tinha delírios, como os que as febres podem causar, a doença também o fazia ficar com manchas de todas as cores e depois com riscas coloridas que lhe cobriam o corpo todo, como se fosse um arco-íris ambulante! Enfim...as formigas não sabiam como o tratar, por isso imploraram à feiticeira má lá do local que salvasse o avô. Essa feiticeira, apesar de costumar ser contra as formigas, lá concordou em ajudar. E aqui veio a parte da paródia à Aurora: a cura mágica que a feiticeira conseguiu amanhar foi um beijo mágico. Isso mesmo; depois de aplicar um batom mágico (acho...), ela beijou o avô e ele melhorou num instante. Quando voltou a si, começou logo a protestar por a vilã estar em casa dele, mas eles lá lhe explicaram que ela lhe tinha salvado a vida. O avô, embora relutante, fez questão de agradecer à feiticeira.

Uma(s) voz(es): Clara Nogueira; Edgard Fernandes; Jorge Paupério; Paula Seabra; Sissa Afonso

Uma(s) personagem(ns): Arnold; Billy; Buzz; Conde Mosquito; Kevin; Nate; Pé Grande; Toni

Genérico: Instrumental

sábado, 18 de junho de 2022

Medabots (1ª versão portuguesa)

Imagens/vídeos: 











Informação: Espero que não me odeiem por falar aqui de um desenho animado que, comparado com os restantes do blog, está pouquíssimo esquecido. Mas também tenho a impressão que esta série original foi um pouco ofuscada pela sua série-sequela, que contou com uma equipa de dobragem diferente. E essa equipa de dobragem diferente era mais facilmente reconhecida pelo português comum, pois contava com artistas como Ana Vieira (também conhecida por cantar) e Quimbé (também conhecido pelo seu papel no Inspetor Max); já a equipa que dobrou esta série original que eu ouvi contava com artistas que o espetador comum não conheceria tão bem, como João Pinto e Paulo Martinez.


Ora, o anime em si lembrava um pouco o Pokémon, embora eu ache que também tinha a sua própria identidade. As semelhanças eram várias: um mundo semelhante ao nosso em que os humanos aprenderam a conviver com seres antropomórficos (neste caso, eram robôs) e tratam-nos um pouco como animais de estimação, só que também travam batalhas entre os robôs que estes parecem apreciar travar…e pelo meio acaba por haver um torneio internacional dessas batalhas e um protagonista que fica com o robô renegado que mais ninguém usou. Já são algumas semelhanças, não? Mas adiante, o protagonista dos Medabots era o jovem Ikki, ex-aequo com o seu medabot chamado Metabee. Ah, outra semelhança com os Pokémon: os nomes dos medabots eram geralmente uma mistura de 2 palavras inglesas. Voltando, o Ikki comprava o Metabee ao comerciante Henry numa altura em que o Ikki era dos poucos que não tinha um medabot. No início não conseguia comunicar com o Metabee mesmo usando o medarelógio, que era um dispositivo que se usava no pulso e servia para o medalutador falar com o seu medabot. Mas após alguma insistência (durante a qual o Ikki até lhe chamou ferro-velho!), o Metabee lá dava sinal de si e começava a mexer-se. Só que depois de lutar chateou-se com o Ikki por causa do insulto, hehe…


Ao longo do anime, havia várias personagens recorrentes. A Erika, amiga do Ikki, que gosta de tirar fotos. O Phantom Renegade, um ladrão mascarado que é um pouco tolo. O Space Medafighter X, um medalutador que se fartava de ganhar batalhas e que era claramente a mesma pessoa que o Phantom Renegade, algo que era óbvio para quem reparasse no design e na voz de ambos. O Koji, principal rival do Ikki mas também seu amigo. O Referee, que era uma personagem hilariante por parecer só existir para arbitrar batalhas robóticas, a ponto de aparecer vindo do nada sempre que alguém falava em batalhar…e de chorar como um bebé quando alguém lhe dizia que não, que afinal não iam batalhar. XD Como veem, este programa não era propriamente preguiçoso e concedia uma boa dose de interesse e personalidade às suas personagens. Mas, podem crer, a minha personagem favorita e uma das mais fascinantes era, sem dúvida, o Rokusho!


O Rokusho era um medabot branco e roxo que tinha um pouco de tudo. Tinha um bom design. Tinha um ar sério. Dizia uma gracinha de vez em quando. Era parcialmente misterioso. Sabia ser amigo. Era bom nas batalhas robóticas. Preocupava-se com o bem comum. E era tão especial que conseguia usar a medaforça, que era uma técnica usada em batalhas robóticas muito poderosa a que só poucos medabots tinham acesso. Na altura eu não percebia bem porque é que eu gostava tanto do Rokusho, mas em retrospetiva acho que é mais fácil perceber: o Rokusho era interessante um pouco como o Wolverine dos X-Men era! Neste sentido: era um batalhador forte (com um braço que incluía uma lâmina afiada, também!) que lutava pela justiça mas também era meio solitário e costumava preferir agir sozinho. Esta aura de “velho solitário” tornava o Rokusho muito mais interessante, sobretudo quando conhecíamos o trauma que tornara o Rokusho um amargurado. Mas sobre isso falaremos mais em baixo.


Os medabots lutavam entre si com o que tinham. Muitos medabots davam tiros, embora estes não devessem ser compostos por balas mas sim por impulsos elétricos (quem sabe?). Havia medabots que tinham canhões no corpo. Outros tinham espadas. Alguns tinham garras, lasers, escudos, tentáculos…até havia um que tinha apenas(?) punhos muito fortes; chamava-se Belzelga. Também havia um grupo de criminosos que queriam roubar as medalhas (as medalhas eram basicamente o cérebro dos medabots) a meio mundo e que usavam todos um uniforme preto, de nome Robber Robot Gang. Havia um grupo de 3 pessoas que se intitulava Screws Gang (a Samantha, o Spike e um moço de boné). E havia aquela que era de longe a minha parte favorita do anime: o torneio internacional de batalhas robóticas. Essa parte do anime dava-nos a ver batalhas em que o fator espetáculo não faltava. Nesse torneio, havia medalutadores representantes de muitos países; lembro-me pelo menos de ver representadas no torneio o Egito, a França, a Jamaica, o Quénia, o México, a Suécia e um país da Oceânia (infelizmente não me lembro de qual). Ah, e o Japão, claro; essa era a equipa do Ikki, do Koji e do Space Medafighter X.


 

Alguns episódios

- Num certo episódio, espalhava-se um rumor que dizia que existia um medalutador misterioso que tinha conseguido o feito de nunca perder uma batalha robótica. O Ikki e a Erika ficaram muito interessados nessa história e foram investigar. O Ikki ficou particularmente contente porque a investigação acabou por os levar a uma espécie de faculdade privada para ricaços onde tinha aulas uma menina bonita com quem o Ikki tinha simpatizado muito. Essa menina chamava-se Karen e, descobríamos mais tarde, era nada menos que a sobrinha do Dr. Aki, que era um cientista amigo do Ikki que sabia tudo sobre medabots. Depois de uma meia dúzia de confusões na tal faculdade, houve assim um confronto no final em que várias pessoas desataram a lutar com os seus medabots. A Karen não gostou de ver aquela violência toda, por isso usou o seu medabot Neutranurse, que tinha o poder de curar algumas feridas e/ou de fazer o pessoal acalmar. A Neutranurse conseguiu acabar com o conflito e a Erika teve uma epifania. Perguntou então à Karen se afinal era ela o tal medalutador que nunca perdeu uma batalha. A Karen respondeu tranquilamente que, pois, realmente nunca tinha perdido…pela simples razão que nunca tinha combatido! Uá-uá-uá-uááááááááááááá!


- Num episódio mais tenso que divertido (sim, os Medabots tinham desses), o Rokusho revia o seu velho amigo Baton, um papagaio-robô que tinha passado pelo mesmo trauma que o pobre Rokusho. Esse trauma tinha sido a trágica morte do Professor Hushi, que se bem me lembro os tinha criado. O professor, o Baton e o Rokusho viviam felizes na mesma casa/laboratório…até ao dia em que um horrível incêndio lavrava a casa e a vida do Professor Hushi. Em vários momentos, o Rokusho era atormentado pela memória recorrente de correr pelo laboratório, procurando desesperadamente o professor, lutando contra o fumo que o cegava e os destroços que o atrapalhavam enquanto ele gritava coisas como: “Professor! Onde é que está? Consegue ouvir-me? Professor!”. É, era uma cena de grande intensidade dramática. Mas adiante: nesse episódio, o Baton era vítima de uma falsa memória que lhe tinham implantado no cérebro e “revelava” que o Dr. Aki tinha causado deliberadamente o incêndio que matou o professor. A Karen ficou horrorizada e não acreditou que o seu tio tivesse feito isso. Infelizmente, nessa altura o Rokusho já era só raiva e não dava ouvidos a ninguém. O Dr. Aki, que quando falava trocava o R pelo L, assegurou o Rokusho que “não tenho nada a vel com a molte do Plofessol Hushi!”, mas não serviu de nada. Numa sequência final épica, o Rokusho tentava vingar-se do Dr. Aki (acho que queria mesmo matá-lo…) e todos os intervenientes acabavam no telhado, com outro incêndio a deflagrar enquanto o maior fogo ardia nos olhos do Rokusho. O Metabee era amigo dele, mas estava determinado a defender o Dr. Aki. Só que, para surpresa de todos, o Rokusho revelou que podia usar a medaforça e usou-a para derrotar o Metabee com um só golpe. Para bem de todos, antes de a coisa ficar ainda mais feia, o Baton caiu em si e explicou ao Rokusho que a memória que tinha do Dr. Aki incendiário era falsa; os verdadeiros incendiários tinham sido os membros do Robber Robot Gang.



- Como já escrevi, o torneio internacional de batalhas robóticas era a minha parte favorita deste anime. Quão intensa era…e o vilão Victor, da equipa do Quénia, era um vilão memorável e intimidante. Não precisava de falar muito para intimidar e, efetivamente, falava pouco. E tinha constantemente uma cara séria até dizer chega que transmitia facilmente a mensagem de que o Victor sabia sempre como esmagar o adversário. Víamo-lo tantas vezes com essa cara que, quando muitos episódios depois, ele fazia outra cara, aquilo tinha um impacto enorme. eu diria que a interpretação que João Pinto fazia da personagem funcionava bem. Que boas lembranças…mas enfim, o Japão enfrentava o Quénia naquilo que eu presumo que fosse o primeiro duelo da fase de grupos (como no futebol) e começava confiante mas acabava por levar uma tareia. Isso ajudou o Ikki, o Koji e o não-Space Medafighter X (esse quase nunca aparecia no torneio; desta vez era a Karen mascarada) a meter os pés mais na terra e a enfrentar as batalhas seguintes com mais seriedade. Assim, nas eliminatórias seguintes, as coisas corriam muito melhor.

Só não puderam lutar contra os franceses, porque os argumentistas inventavam um desfecho diferente para essa eliminatória. O desfecho baseava-se nisto: a estratégia dos concorrentes da França – que eram os irmãos Berret, 3 irmãos com nomes parecidos (um deles era o Jean-Guy Berret, os outros eram algo como Jean-Yves Berret ou Jean-Pierre Berret) – era roubar à socapa as medalhas dos seus adversários e depois vencer por falta de comparência. Os batoteiros! Para sorte dos protagonistas, eles descobriram este esquema a tempo e, com a inesperada ajuda do Phantom Renegade, conseguiam que o Jean-Guy Berret denunciasse os roubos aos responsáveis pelo torneio. O Referee, que tanto costumava ser um alívio cómico, não esteve com paninhos quentes; “Será que ouvi a palavra roubar?”, perguntou. E depois fez uma cara de revolta que nunca o tínhamos visto a fazer! Depois disso, foi uma questão de minutos até os responsáveis decidirem que a equipa francesa ia ser banida do torneio. Decisão que o Referee anunciou.


- Finalmente, a final do torneio. Foi tão épica que durou uns 2, 3 ou 4 episódios. Nessa altura, o Ikki e o Koji tiveram o privilégio de contar com a ajuda de uma cientista que usava óculos como o terceiro membro da sua equipa. Ela veio mascarada de Space Medafighter X (porque o verdadeiro, mais uma vez, faltou…ele só esteve verdadeiramente a representar a equipa japonesa na meia-final, quando eles enfrentaram a Jamaica) e usou o medabot Belzelga, que tinha a fama de ter punhos tão fortes que bastava um soco para inutilizar a medapeça do medabot que levasse o soco. Foi uma batalha dramática, com voltas e reviravoltas. Ora o Japão estava por cima, ora estava o Quénia.

A dada altura, o Sumilidon usava a medaforça e disparava-a em direção ao Warbandit, o medabot do tal Victor, que era claramente o melhor dos medalutadores quenianos. Mas o Warbandit, que não planeava perder, teve a ideia de usar o seu companheiro de equipa Rhinorush como escudo. O Rhinorush ficou um trapo, mas o Warbandit safou-se, claro. Pouco tempo depois, o Warbandit já tinha posto o Sumilidon KO e dado pancada de criar bicho ao Metabee. O Metabee, prostrado no chão, estava mais morto do que vivo e o Victor chegou ao ponto de sentir dó do Metabee. Então, o Victor deu a entender ao Ikki que não valia a pena, que a batalha estava acabada e, sempre sério como tudo, virou as costas e preparou-se para ir embora.

De lá do fundo, um estropiado Metabee chamou: “Iuhu! Onde é que pensas que vais?!”. Pois é; o nosso medabot protagonista fez um esforço hercúleo para se levantar e, ainda a tremer, pôs-se em posição de continuar a lutar. O Ikki apoiou esta decisão do Metabee e o medabot, independentemente do seu cansaço, preparou uma medaforça para derrotar o Warbandit de vez. Neste momento, uma grande parte da audiência pensava que seria este o momento triunfante em que o Japão venceria o Quénia na final. Só que, afinal, não parecia assim tão fácil, porque o Victor estava…a rir-se! Não parecia promissor, pois não? É que ainda por cima, o que o Victor disse depois de se rir deu a entender que o riso dele queria dizer “És tão patético por querer continuar a levar…não sabes mesmo desistir em vez de te envergonhares mais!”. Nestes poucos segundos, o Victor continuava de costas e ainda deu mais uma risada que, agora, já parecia uma gargalhada diabólica. Foi então que o Victor se virou e…milagre! Pela primeira vez vimo-lo sem uma cara séria! Mas digo-vos: até certo ponto era preferível a seriedade! É que, em poucos segundos, a cara que o Victor mostrava era a típica feição de psicopata de desenho animado! Quero dizer…com um sorriso maléfico e os olhos esbugalhados! Céus, como aquele Victor metia medo! E, mais uma vez, sublinho: nós nunca tínhamos visto o Victor com uma cara que não fosse séria. 

Tem calma, mãe, este programa não tem nada de assustad- HOLY SH*T!!!

Vê-lo de repente a mostrar aquela emoção toda foi de estremecer, ainda para mais sabendo que a tal emoção era qualquer coisa parecida com sede de sangue! Brrrrr, que arrepios! Mas adiante…assim que o Victor mostrou aquela cara, bramou para o medarelógio uma ordem para o Warbandit desfazer o Metabee em pedacinhos! (não foram exatamente essas as suas palavras, mas estava subentendido) E o Warbandit pareceu perceber logo e – mais uma surpresa! – preparou uma medaforça para transformar o Metabee em puré! Oh, sim; o público todo ficou estupefacto ao ver que o Warbandit não só podia usar a medaforça, mas também que nunca a tinha usado até uma fase tão tardia da batalha! E…podem pensar que o Ikki e o Metabee guincharam de medo. Mas não; mantiveram a sua pose e coragem e o Metabee lá disparou a sua medaforça contra a do Warbandit. As duas medaforças colidiram…e houve uma daquelas explosões arrasadoras à anime! Uma explosão que libertou pazadas de energia e, se bem me lembro, pó.


Eu sei que é mesmo difícil transmitir a intensidade dos momentos pela comunicação escrita. Mas espero que entendam o quanto aquele momento prendeu a minha atenção e me deu pele de galinha. Ah, e não perguntem quem ganhou; já nem me lembro do que aconteceu a seguir! XDDD


Uma(s) voz(es): Ana Martinez; João Pinto; José Pedro Carvalho; Melanie Baptista; Mónica Chaby; Paulo Martinez; Vasco Luz


Uma(s) personagem(ns): Arcbeetle; Baton; Belzelga; Brass; Cleobattler; Dr. Aki; Erika; Gokudo; Gobanko; Henry; Ikki; irmãos Berret; Kantaroh; Karen; Krosserdog; Koji Karakuchi; Metabee; Oceana; Orcamar; Phantom Renegade; Professor Hushi; Referee; Rhinorush; Rokusho; Samantha; Samurai; Seagaru; Space Medafighter X; Spike; Sumilidon; Victor; Warbandit


Genérico:

Está na hora!

Batalha Robótica

Até ao fim

- Medabots*

 

Não percam o controlo

Vamos triunfar

Eu vou funcionar

Mais potência*

 

Medaforça*

Medapeça*

Medaplano* (Medabots!)

Medafita* (do século 27!)

 

Está na ho...

Está na hor...

Está na hora!

Batalha robótica

Medabots!

 

* - estas partes eram mais faladas do que cantadas (por José Pedro Carvalho a interpretar o Metabee)

 

Interpretado por: José Pedro Carvalho



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Especial: Genéricos em várias línguas

Ora viva.

Bem sei que não tenho postado muito por aqui...que se há de fazer, já não tenho o mesmo tempo que tinha noutros tempos. Imaginem então se tivesse agora uma criança...ou até gémeos, hehe! Mas pronto, aconteceu que tive agora uma "lufada" de tempo livre que me caiu no colo. E pensei em passar aqui pelo blog só para publicar algo rápido. E aqui está.

Como o título dá a entender, quis partilhar vídeos que dão a ouvir (bons) genéricos de programas em várias línguas. E, como é costume, dei primazia aos programas mais esquecidos. Por isso, força: aproveitem os vídeos, pois nunca se sabe se um dia deixam de estar disponíveis!




Bom ano a todos!

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Nome Desconhecido (Os Contos Mais Célebres?)

Imagens/vídeos:


Informação: Não sei se este desenho animado chegou a passar na TV, pois só o vi em VHS quando era bem pequeno e, desde então, nunca mais o consegui encontrar. À parte disso, como o eventual título original indica, era um programa que contava a sua versão de vários contos célebres da História: Os Três Porquinhos, O Gato das Botas, Ali Bábá, etc. Uma vez que quem conta um conto acrescenta um ponto, o programa lá arranjava os seus diálogos para apresentar a narrativa de cada um dos contos. Tudo isto pode não parecer muito marcante...mas até era. Sobretudo porque o programa, embora investisse bem na "fofura" das suas personagens mais cândidas, também investia na fealdade dos seus vilões ou em situações assustadoras. Quer isto dizer que às vezes as crianças que viam isto acabavam a ver no ecrã monstros bem assustadores. Isso dava um gostinho a terror a um desenho animado que até nem tentava assustar assim tanto...pelo menos não parecia. O auge destes visuais assustadores ocorria no episódio dos músicos de Bremen. Alguns episódios - até podiam ser todos, não ao certo - contavam também com uma narração que podia ser com a voz de Luísa Salgueiro.


Alguns episódios
- Os Quatro Músicos de Bremen: na célebre parte da história em que os 4 animais tentavam criar uma sombra assustadora para afugentar o bando de ladrões da casa onde eles estavam, este programa não se fazia rogado a mostrar uma sombra mesmo feia; aparentava mesmo ter olhos zangados e dentes afiados! Não admira que os ladrões tivessem pensado que era um monstro. E ainda ficava mais interessante, porque como quem conhece a história clássica deve saber, um dos ladrões voltava à casa mais tarde para verificar. E, sim, assustava-se quando os 4 animais o atacavam no meio da escuridão. Quando o ladrão voltava ao seu bando para dizer que não deviam mesmo voltar nunca àquela casa, ele descrevia os terrores pelos quais passou lá na casa. E, novamente, o programa não poupava no visual: o espetador via no ecrã a horrível bruxa pela qual o ladrão pensava ter sido arranhado (que na verdade era o gato), a criatura mefistofélica com uma arma branca (que na verdade era o cão), o gigante armado com um bastão (o burro) e a arrepiante ave soturna de olhos vermelhos (o galo).

- Os 7 Cabritinhos: não conheço bem a história original, portanto vou só contar o que vi no ecrã. Então, nesta história havia os 7 cabritinhos que viviam com a sua mãe. A mãe volta e meia tinha de sair de casa e como era mãe solteira tinha de fechar a porta e dizer aos cabritos para não abrirem a porta a ninguém. Eles tentavam, mas o lobo mau meteu na cabeça que havia de fazer os cabritos abrir a porta para os comer. Da primeira vez, o lobo tentou fazer uma voz fininha a dizer que era a mãe dos cabritos. Eles não acreditaram porque a voz não era convincente que chegue, portanto não abriram a porta. Aí, o lobo roubou mel, consumiu imenso mel para adoçar a voz e tentou novamente fingir que era a mãe. Os cabritos quase acreditavam, mas uma cabritinha desconfiava e dizia à "mãe" que só podia entrar depois de mostrar as mãos pela portinhola, argumentando que a mãe sempre lhes disseram para não entrar em casa de mãos sujas. O lobo não desconfiou de nada e mostrou a mão...que, claro parecia uma mão de lobo! A cabritinha não se quis ficar, pegou no rolo da massa e deu com toda a força na mão do lobo. O lobo ficou furioso, mas depois foi roubar farinha para esbranquiçar a mão, de forma a parecer a mãe dos cabritinhos. À terceira foi de vez: eles acreditaram, abriram a porta e o lobo preparou-se para os comer. Os cabritinhos escondiam-se, mas o lobo encontrava-os a todos...menos a um! O cabrito que se vestia de vermelho conseguiu esquivar-se do lobo escondendo-se dentro do relógio, mesmo ao pé do pêndulo. E, mais tarde, alguém ajudava esse cabrito a ir abrir a barriga do lobo, para tirar de lá os seus irmãos. Felizmente esta parte da história não era muito gráfica.

- O Gato das Botas: no conto de Charles Perrault, o famoso gato das botas (que não falava espanhol, como um certo gato que muitos conhecem do cinema...) fingia que o seu senhor se estava a afogar para o apresentar à realeza. Nesta versão, não; em vez disso, o gato escondia as roupas do seu senhor e corria ao rei a dizer que uns ladrões tinham roubado as roupas dele enquanto ele estava na água. E o gato dava alguns pormenores, pois já dizia a velha frase que a chave de uma boa mentira está nos detalhes. Por isso, lá dramatizava o gato, fingindo que os "ladrões" se esconderam atrás de um arbusto e que ainda tentou impedi-los, mas já foi tarde demais. Mais tarde, também como no conto de Perrault, o gato ia enfrentar o gigante ogre que se podia transformar em qualquer animal. Como este programa não poupava muito os infantes, o ogre transformava-se em pelo menos 3 animais grandes: um leão, um elefante e um dragão. E depois, já se sabe; o gato pediu que ele se transformasse num rato, o ogre assim o fez e acabou no bucho do gato!


Uma(s) voz(es): Isabel Ribas; Paulo B.

Uma(s) personagem(ns): Burro; Cão; Galo; Gato; Gato das Botas; Lobo Mau

Genérico: Desconhecido

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Bendito Regresso - Tin Tin e o Templo do Sol

Bons olhos vos vejam.

Estou aqui um pouco com pressa para avisar os interessados que, nos próximos 3 ou 4 dias, vão ter a oportunidade única de ver na televisão um filme que quase nunca lá passa: Tin Tin e o Templo do Sol (1969). Só que não, porque só vai poder vê-lo quem tiver essas "modernices" de poder voltar 7 dias atrás no tempo na sua televisão!

Ou seja...reparei que a RTP2 passou no dia 17 esse filme. Isto significa que quem puder - como dizia o anúncio - voltar atrás no tempo até chegar a esse domingo vai poder ver a raridade que é esse filme a ser transmitido por um canal aberto! Portanto, se puderem e quiserem, aproveitem; têm até ao próximo domingo para verem esta adaptação de um dos álbuns mais queridos do Tintim, com performances de artistas como Ana Vieira, Mário Bomba e Rui Quintas.

E já agora, não estranhem o título do post, porque o IMDB - o site que me deu a conhecer o poster - diz que o título em Portugal se escreve mesmo assim. Vendo bem, o Tintim já teve vários nomes em Portugal... (no tempo do álbum Mosquito, chamava-se "Tim-Tim").

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Super Porca

Imagens/vídeos: 





Informação: Há tanto que se pode escrever sobre este desenho animado que nem sei o que esperam que eu escreva primeiro...bom, a primeira coisa que me ocorreu foi quando ia escrever o título dele: é um daqueles títulos que gostou tanto do acordo ortográfico como gostaria de que um tubarão lhe comesse o peixinho de estimação. Como se escreverá agora, "Superporca"? "Super-Porca"? Talvez "Super Porca"...odeio-me um bocado por não saber. Mesmo assim, escolhi o título que está ali em cima para dar destaque ao tipo de super-herói que protagoniza este anime. Porque, realmente, o super-herói é...uma porca. Pois. Uma porca que voa, tem superforça (ai, o acordo outra vez!) e ajudantes para lutar pela paz e harmonia na sua zona. Vê-se à distância que isto é material de paródia, não? E, com efeito, consta nalgumas fontes que este anime foi criado com a ideia de parodiar outras séries de super-heróis. Como As Navegantes da Lua, suponho eu...até porque aqui também era uma adolescente que ia à escola e tudo mas que tinha como part-time ser super-herói. Pergunto-me se passava recibos verdes...X) (nota: não levem à letra esta última linha; era uma piada, ela não tinha literalmente um part-time como super-heroína. É difícil transmitir a ironia através da comunicação escrita, sabem...)

Como já dei a entender, a Super Porca não era sempre uma porca. Era mais uma humana chamada Kassie que, certo dia, começou a poder transformar-se numa porca com poderes especiais. Tudo isso começava num dia em que, de forma um pouco inesperada, ela recebia a visita de Iggy, uma espécie de porco amarelo flutuante, que lhe incutia o dever de ser a Super Porca. Eu nunca percebi as motivações do Iggy, mas suponho que isso até era normal, porque não falavam assim muito delas. Seja como for, a ideia era que a Kassie aceitava o dever de proteger a zona de problemas com os seus poderes e, como uma espécie de recompensa, recebia umas pérolas rosa que saíam de uma espécie de concha de búzio que, vá-se lá saber como, gerava ou transportava pérolas. Estas pérolas, aparentemente, não serviam para vender nem para enfeitar; serviam mais para a Kassie guardar e, ao chegar a um certo número de pérolas, teria uma espécie de recompensa derradeira: davam-lhe a possibilidade de se tornar uma super-heroína humana. O que era, no fundo, o sonho dela. E assim se explica a razão pela qual a Kassie aceitou alguma vez ordens de um suíno voador.

Alguns episódios
- Já escrevi um pouco sobre o primeiro episódio, mas enfim...antes de fazer o "negócio" com a Kassie, o Iggy pediu-lhe para ela se ver ao espelho. A Kassie viu-se ao espelho e reclamou logo: "Isto não é a minha cara! Tem um nariz de porco!". E tinha razão; nesse momento ela já tinha um nariz falso preso à cara. E foi a partir dessa pista pouco subtil que o Iggy começou a explicar-lhe o que ia ser a sua vida a partir daí.

- Num episódio cheio de espirros, havia uma epidemia qualquer na zona da Kassie. Não me lembro se era constipação ou se era uma espécie de febre dos fenos, mas inclino-me para a segunda opção. A Kassie foi uma das mais afetadas, pois não se sentia bem e espirrava bastante. O problema é que os problemas da cidade não metem baixa, por isso a Super Porca, mesmo adoentada, teve de ir salvar um camião que quase saía da estrada e caía por um abismo. A questão é que a Super Porca não conseguia empurrar o camião de volta à estrada, só conseguia segurá-lo, impedindo-o de cair. A Super Porca percebeu que ia precisar de uma força extra e, ainda que contrariada, fez o possível para provocar um espirro bem forte. Espirrou...e o impulso conseguiu levar o camião de volta à segurança!

- Num episódio um pouco confuso, acontecia muita coisa...a Super Porca fazia uma coisa mal, ficava do tamanho de um hamster e acabava numa espécie de julgamento cósmico em que discutiam se lhe devolviam o seu tamanho original ou não. O juiz dessa situação era uma espécie de boca gigante que parecia ser um superior do Iggy. Tanto que este lhe pediu clemência em nome da Kassie. No fim do julgamento, a tal boca gigante decidia que ia devolver o tamanho original à Super Porca, mas o preço era ela perder todas as pérolas que tinha acumulado até aí. Parecia um final um pouco triste apesar de punir a Super Porca pela sua asneira. Mas, numa reviravolta, a boca acabava por devolver as pérolas porque sabia que ela não tinha feito o que fez por mal. E as crianças a ver ficaram contentes!

Uma(s) voz(es): ?

Uma(s) personagem(ns): Iggy; Kassie

Genérico: Desconhecido

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Doremon (1ª versão portuguesa) - apêndice

Aqui estamos para mais um apêndice a um post anterior. Desta feita, o post sobre o famoso gato sem orelhas. Vamos visitar o genérico final (espero que "genérico final" não seja uma redundância, porque as redundâncias são como os mosquitos: às vezes só dás por eles quando eles já te tramaram!) do Doremon, no tempo em que a dobragem portuguesa do nosso gato favorito ainda não tinha a voz de Raquel Ferreira. É isso mesmo: preparem-se para ouvir uma versão bem diferente da cantada por Bárbara Lourenço e ainda mais diferente de "Los Niños de la Tierra"!

Genérico:
Olha que lindo dia
Que belas as flores estão
O sol sorri para ti com alegria

Junta-te a nós e canta
Bem alto esta canção:
Lá lá lá lá
Lá lá lá lá lá
LÁ LÁ LÁ!*

Como amigos, como irmãos
Com um sorriso vamos dar as mãos
Ouve o teu coração, escuta o que ele diz
Vamos fazer à nossa volta um mundo mais feliz

Vivemos todos no planeta Terra
Tanta beleza o universo encerra...
Por isso olha com atenção em teu redor
Juntos teremos na nossa mão um mundo melhor


Interpretado por: Sissa Afonso

* - sim, era a voz do Gigante que trauteava, num tom nada harmonioso, esta parte! Tal como nas outras versões do genérico. Não havia isso do "Lalaiaiô!" - que, por sinal, foi mantido pela versão mais moderna deste genérico. Não sei porquê, talvez não tivessem o Quimbé no estúdio no dia em que gravaram o genérico...seja como for, esta versão que lembrei é, até à data, a única que fez uma versão portuguesa do "Lalaiaiô!". E, naturalmente, prefiro o "LÁ LÁ LÁ!" do meu tempo. Soava mesmo como o Gigante a armar-se em cantor lírico e a soar mal à brava!

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Fancy Lala

Imagens/vídeos:





Informações: O nível de "esquecimento" deste desenho animado é bastante relativo, mais ainda do que todos os outros mostrados neste blog. Quer dizer, é certamente um dos que passou na televisão há menos tempo. É difícil dizer quando, mas creio que terá sido por volta de 2004 ou 2005. Portanto, até certo ponto, não pode estar assim muito esquecido. Mas a verdade é que, embora apresentasse uma protagonista "fofinha" que fazia magia de vez em quando, não teve a popularidade de animes semelhantes como As Navegantes da Lua, Doremi ou, quem sabe, Sakura. Ou seja: comparado com estes outros, está bastante esquecido. E, até certo ponto, não admira; o seu final era um pouco mind-blowing, triste e talvez um pouco chocante para os pobres infantes que acompanhavam este anime no Canal Panda.

Adiante! O ponto de partida deste anime era a de que Miho, a típica moça japonesa que anda na escola, de repente, recebe a visita de dois seres mágicos e passa a viver com eles e rodeada de magia. Os dois seres mágicos desta vez são Pigu e Mogu, dois seres bonitos mas muito estranhos que conseguem levitar. Uma é fêmea, o outro é macho, o que se nota pelas suas cores (branco com rosa e branco com azul, respetivamente). Pigu e Mogu não se parecem quase nada com nenhum animal que alguma vez tenhamos visto. Quando muito, parecem uma mistura muito alterada de coelho com olm. Talvez tenham também um bocadinho de dragão. Seja como for, eles trazem à Miho uma mochila especial com uma espécie de caneta mágica que faz magia quando ela junta a tampa ao resto da caneta. Ou lá o que era; este desenho animado era esquisito. Enfim, com a tal caneta, a Miho podia transformar-se numa adulta com cabelo azul. Sim, como o Tom Hanks no filme Big, mas sem a máquina Zoltar. Ora, entre as dezenas de coisas que pode fazer com isto, o que é que a Miho decide fazer? Tornar-se uma cantora pop que só trabalha ao fim de semana! Pois...porque não? É o tipo de coisa que nós, crianças, engolíamos à primeira. Agora que alguns de nós são adultos, a história é outra e começamos a questionar as coisas. Exemplo: porque queria ela ser cantora ao fim de semana? Porque pela fama, adoração e isso tudo não era, porque durante a semana ela não podia disfrutar de nada disso. Mas enfim; perguntas que mais tarde nos aparecem na cabeça.

Como eu disse, este desenho animado era esquisito. Nem tanto pela caneta mágica, mas mais pelo tom de alguns episódios. É que não só vários episódios se levavam demasiado a sério, com imagens e música meio "góticas", mas também alguns episódios pareciam algo que tinha sido escrito enquanto os argumentistas se enfrascavam com absinto. Isto porque, apesar de este anime ser para um público infanto-juvenil, havia episódios que deixavam os espetadores perdidos, sem perceber nada do que se estava a passar. E isso, na nossa verde idade, era um pouco assustador. É que não perceber porque é que uma coisa má está a acontecer é ainda mais assustador quando somos menores. E depois havia o Sr. Misterioso. Utilizador compulsivo de um chapéu, esta personagem (que era estranhamente idêntica ao pai da Miho, a ponto de muitos pensarem que ERA o pai da Miho) fazia jus ao seu nome, porque aparecia de repente no episódio e dizia coisas genéricas que não serviam de muito. Mas, não se sabe bem como, acabava por ajudar ou causar uma mudança na situação, apesar de a sua mensagem ser muito difícil de decifrar. Nisso, lembrava um pouco aqueles velhos sabichões da cultura pop, como o miúdo guru do programa Recreio ou o mestre Yoda.

Alguns episódios
- Num dos primeiros episódios, depois de conhecer Pigu e Mogu, a Miho foi experimentar fazer uma espécie de audição para ver se conseguia que uma produtora musical apostasse nela como cantora. Transformada na tal Lala, a adulta de cabelo azul, a Miho sacou dos seus dotes canoros e, acompanhada por um pianista, cantou uma melodia muito bonita com mestria. Tanto que a assistente da produtora a aplaudiu de pé a sorrir enquanto a produtora, mais sóbria, pensava "Esta rapariga tem talento.". Sim, isto muito antes daquele tempo em que os Morangos com Açúcar tornaram a palavra "talento" uma palavra de uso comum.

- Num dos tais episódios que deixavam os petizes perdidos sem perceber nada, a Miho estava na sua vida comum quando, de repente, começaram a acontecer coisas estranhas. Não sei se ela foi parar a um universo paralelo onde havia um clone dela, mas a questão é que ela estava a fazer o seu dia e etc...quando de repente encontra três dos seus amigos a conversar numa esplanada. Ela decide cumprimentá-los com uma brincadeira, olhando para eles entre os arbustos que delimitam a esplanada. Qual não é a surpresa da Miho - e a das crianças - quando os amigos olham para ela como se não a conhecessem! E é que não conhecem mesmo; olham para a Miho, não dizem nada, ficam ali um bocadinho a pensar "O que é que esta nos quer?!" e depois voltam à sua conversa! E antes que pensem que isto foi só um episódio na senda daquele enredo muito usado na BD (o da personagem que viaja no tempo sem saber e depois ninguém a conhece), vejam só o que acontece mais tarde: a Miho, transformada em Lala, anda num edifício abandonado em busca de uma resposta. Eis que, do nada, aparece à sua frente...a Miho! Sim, a Miho está basicamente a olhar para si própria. Este clone da Miho cumprimenta a Miho/Lala, sorrindo.
Isto está a ficar arrepiante, não é? Mais ainda se considerarmos que esta cena se passa num edifício abandonado e no meio de um silêncio ensurdecedor. Sim, não há música nenhuma nesta sequência; só um silêncio desconfortável que nos fez temer que, de repente, o clone da Miho saltasse para cima da Miho e a esmagasse como uma batata frita!
E como acabou esta situação toda? Bem, o clone da Miho disse umas coisas esquisitas, em vez de ter o juízo de explicar quem era e porque estava a fazer aquilo, e depois disse que já chegava...e foi-se embora! Assim, sem tugir nem mugir! Eu desconfio que este episódio fez com que muitas pessoas com menos de 18 anos tivessem um AVC de tanto nós no cérebro que o episódio lhes deu. Pudera...


- O penúltimo e o último episódio desta série merecem ser analisados juntos. Até porque fazem parte dos episódios mind-blowing deste anime. Ok, vamos lá ver...o que acontece é que a Miho está descansadinha no seu quotidiano quando percebe que perdeu a mochila com os acessórios mágicos. Naturalmente, fica aflita, assim como Pigu e Mogu. Sendo assim, os três partem numa jornada para descobrir a mochila. Procuram-na em todos os possíveis sítios onde estiveram no dia em que a mochila se foi. O que não é fácil, porque são muitos sítos. Mas enfim; não descobrem rigorosamente nada. Nessa noite, estão no quarto a descansar e a pensar. Mas...ah! A Miho lembra-se que Pigu e Mogu podem fazer magia para fazer aparecer a mochila! Tal como fizeram no dia em que ela os conheceu. Pigu e Mogu hesitam, mas decidem tentar. Fazem então a dança voadora que os permite fazer magia. Um círculo azul aparece e...e...e...

...e nada. Literalmente nada, porque Pigu e Mogu desapareceram! Sem deixar rasto! Simplesmente desapareceram no círculo azul e este também se foi! E tudo o que sobra é...silêncio. Novamente um silêncio ensurdecedor! A Miho, chocada, olha para o espaço onde, há segundos, Pigu e Mogu voavam. Agora está vazio. E a Miho está sozinha. Inexplicavelmente, inesperadamente sozinha. Os seus olhos tremem. Vai chorar dentro de segundos. E o episódio acaba.

Sim, o penúltimo episódio acaba assim, desta forma insana! Porque, quer dizer...será que os argumentistas não sabem que as crianças a assistir se vão sentir chocadas? Que vão querer saber o que raio aconteceu ali? E, mais ainda, que vão chorar?! Porque, convenhamos, os desenhos animados podem envolver muito. E como vão algumas crianças reagir ao ver os seus "amigos" Pigu e Mogu desaparecer assim, sem motivo aparente? E ao perceber que a Miho está sozinha?!

Mas calma, ainda falta outro episódio, o último! Naturalmente, os argumentistas vão usar parte do episódio para explicar um pouco do que aconteceu, não é?
NÃO!
Surpresa, o último episódio não explica nada! O último episódio não é mais do que um epílogo que mostra o que aconteceu depois de a pobre Miho ter perdido os seus amigos e os seus poderes mágicos! E as consequências do desaparecimento súbito da famosa cantora Fancy Lala! É um episódio de tom pesadíssimo e triste. E as crianças ficam assim, sem explicação! Ninguém sabe o que aconteceu a Pigu e Mogu nem se alguma vez Miho os voltará a ver! Ah, mas calma, caaaaaaalma! É que as bizarrices não ficam por aqui! Sabem o que mais acontece? Eu digo-vos: ao tentar voltar à sua vida normal e sem magia, a Miho vai fazer uma viagem de comboio. Os pais dela acompanham-na à estação e a Miho espera, em pulgas, pelo comboio. Enquanto espera ao pé da linha, o seu pai, sentado num banco, põe um chapéu e diz: "Já não és uma menina pequena...não é verdade, Miho?". E diz esta segunda parte com a voz do...Senhor Misterioso! Pam-pam-paaaaam! E quando todos estão convencidos que o anime vai aproveitar para revelar que, afinal, o Senhor Misterioso era o pai da Miho com um chapéu e uma voz diferente, eis que a mãe da Miho se ri da figura do pai e pergunta "Ó filha, quem é que te faz lembrar?" e a Miho, enigmaticamente, responde: "Não sei. Mas devolve-mo.". E sabem que mais? O pai da Miho não agiu nada como Senhor Misterioso e simplesmente mostrou o seu embaraço, dizendo: "Ah, mas eu pensava que mo tinhas dado! Pensava que me ficava muito bem!". E mais nada! Nada mais é revelado sobre o Senhor Misterioso! Nem sobre a forma como ele aparecia em todo o lado como se fosse um fantasma!

Esperem, esperem, não saiam ainda! Ainda há mais bizarrice!




Vejam só o que acontece também: a Miho está sozinha no quarto, à noite. Está descansadinha a viver a sua tristeza. De súbito...ouve uma voz familiar que chama "Miho!". A Miho volta-se logo...mas não está lá ninguém! Mas é a voz da Mogu! E aquela a do Pigu; são as vozes deles, claramente! Onde estão eles? Não estão no quarto da Miho...mas ela consegue ouvi-los! A Miho emociona-se e ouve os dois drago-coelhos voadores a dizer-lhe olá e a dizer que têm saudades dela! A Miho não aguenta e fica de cócoras a chorar enquanto balbucia que gostava muito de voltar a vê-los e suplica que voltem para ela! E vejam bem...Pigu e Mogu não respondem! Vocês estão a ver o nível de what-in-the-bloody-world?! desta cena? Pigu e Mogu têm uma oportunidade de trocar umas palavras com a pobre Miho e depois de a cumprimentarem e dizer que têm saudades, calam-se que nem ratos...voadores! Não lhe explicam o que diabo aconteceu, não lhe dizem se estão bem e de saúde, não lhe dizem se podem algum dia voltar a vê-la...como diria a lógica! E não é que depois a Miho tem de continuar a sua vida como se nada se tivesse passado? Enquanto os amigos da Fancy Lala choram o desaparecimento misterioso dela, a pensar que lhe aconteceu alguma coisa grave?! VALHA-ME. A. SANTA!!!

E o episódio ainda não acabou. Alguns dias depois, algures na rua, a Miho dá de caras com Komi, o homem que preparava o seu cabelo quando ela era a cantora Fancy Lala. O Komi sempre foi um cromo, diga-se de passagem. Mas o Komi fez o favor de apanhar o chapéu que a Miho tinha deixado fugir com o vento. A Miho agradece-lhe e, num impulso, chama-lhe Komi, como se o conhecesse. Ele acha que não a conhece, mas mesmo assim decide oferecer àquela estranha um novo penteado. Então, pede à Miho que se sente ali e trata de lhe mexer no cabelo. Deixem-me recapitular, para ver se se percebe como isto é perturbador: um homem adulto conhece uma criança bonita no meio da rua e pede-lhe para se ir ali sentar com ele enquanto ele lhe mexe no cabelo!!! Este episódio é demais, não é? Mas pronto, o Komi sempre foi bom tipo e nós, espetadores, sabíamos que ele não ia fazer mal à Miho. O que acaba por acontecer é que ele lhe faz um penteado novo. A Miho vê-se ao espelho...e o Komi trata-a por "Lala"! A Miho, naturalmente, assusta-se! Mas ele explica calmamente que ele conhece o cabelo da Lala melhor do que ninguém e ficou a saber quem ela era. Enquanto a Miho digere a surpresa, o Komi sugere-lhe que sorria e pense que dentro de uns anos poderá ser a verdadeira Fancy Lala. E...fim!




E é isto! O episódio acaba, enquanto muitas crianças caem do sofá e/ou esbracejam enquanto têm uma convulsão de tanto absurdo que viram! Não há explicação para o desaparecimento de Pigu e Mogu! Nunca mais ninguém ouve nada da mochila! E nenhuma conclusão se tira acerca do Senhor Misterioso! E a pobre Miho fica quase sozinha, sem os seus amigos voadores! E com a missão de, daqui a uns anos, "substituir" a Fancy Lala! Ou seja: substituir uma cantora adorada por todos que desapareceu inexplicavelmente e deixou milhares de fãs e amigos a chorar! A Miho vai substituí-la! Como se isso fosse possível! E como se isso apagasse todo o sofrimento que um desaparecimento tão horrível causou! O desaparecimento mais bizarro e inexplicável desde Louis Le Prince!

!

Pois.

Não haja dúvida que, mesmo contendo uma maioria de episódios "normais", fofos e sem absinto, este anime é uma das coisas mais chocantes e bizarras que a televisão portuguesa já transmitiu. E, também por isso, nunca mais o esqueci. E, por isso, digo com gosto: Fancy Lala é um dos desenhos animados esquecidos que mais merece ser lembrado. É uma loucura completamente emocionante.


Uma(s) voz(es): Ana Luís Martins; Bárbara Lourenço; Carla Garcia; José Martins; Mário Bomba; Vítor Emanuel

Uma(s) personagem(ns): Haneishi; Hiroya Aikawa; Kanno; Komi; Lala; Miho; Mogu; Pigu; Senhor Misterioso; Taro Yoshida; Yoshio

Genérico: em japonês