E cá está mais um bendito regresso. Este é dos grandes...indo direto ao assunto, o canal Panda Kids estás a passar novamente o saudoso desenho animado Oliver e Benji!
Eu gosto de pensar que este programa dispensa apresentações. Por outro lado, sabendo que alguns pensadores/intelectuais dos dias de hoje defendem que a cultura de massas já não existe (ou, pelo menos, já não funciona como funcionava há uns anos), talvez precise de alguma espécie de apresentação. Bem, correndo o risco de simplificar em excesso, é um anime sobre um grupo de jovens futebolistas que jogam competições cheias de futebol, mas também cheias de monólogos interiores! XDDD E, pessoalmente, acho que a história do programa é praticamente isto...acho que é uma história relativamente simples, embora seja muito eficiente dentro da simplicidade que tem. O que torna o programa épico são vários fatores, entre os quais a música, a qualidade da animação - que passa tão bem os sentimentos das personagens que qualquer duelo pela bola se torna uma experiência televisiva para recordar - e, como muitos irão concordar, as memoráveis e muito agradáveis vozes da dobragem portuguesa feita pela Somnorte.
Pois é; se algum dos leitores estava com medo de apanhar uma reposição do Oliver & Benji com coisas como legendas ou até dobragens alternativas, posso tranquilizar esses leitores: nesta reposição do Panda Kids, não há nada disso. Mantiveram a dobragem portuguesa...e muito bem, na minha opinião. Em tom de brincadeira (será?...), eu creio que nem é legal ouvir a saudosa personagem do Oliver Tsubasa sem que esta tenha a voz da atriz Paula Seabra. Felizmente, não vou ter de sujeitar-me a isso. Para mim, o Oliver é a Sra. Seabra e fim da história! ;)
Portanto, se estiverem impacientes para ver ou rever este programa, vão ao Panda Kids e apreciem esta delícia. Aliás, se forem rápidos, ainda vão poder ver o clássico primeiro(?) episódio em que o Nuipi joga contra o São Francis não num contexto de campeonato, mas no contexto de defender o seu direito de jogar naquele campo (esse passou no dia 19). Divirtam-se!
Informação: Espero que não me odeiem por falar aqui de um
desenho animado que, comparado com os restantes do blog, está pouquíssimo
esquecido. Mas também tenho a impressão que esta série original foi um pouco
ofuscada pela sua série-sequela, que contou com uma equipa de dobragem
diferente. E essa equipa de dobragem diferente era mais facilmente reconhecida
pelo português comum, pois contava com artistas como Ana Vieira (também
conhecida por cantar) e Quimbé (também conhecido pelo seu papel no Inspetor
Max); já a equipa que dobrou esta série original que eu ouvi contava com
artistas que o espetador comum não conheceria tão bem, como João Pinto e Paulo
Martinez.
Ora, o anime em si lembrava um pouco o
Pokémon, embora eu ache que também tinha a sua própria identidade. As
semelhanças eram várias: um mundo semelhante ao nosso em que os humanos
aprenderam a conviver com seres antropomórficos (neste caso, eram robôs) e
tratam-nos um pouco como animais de estimação, só que também travam batalhas
entre os robôs que estes parecem apreciar travar…e pelo meio acaba por haver um
torneio internacional dessas batalhas e um protagonista que fica com o robô
renegado que mais ninguém usou. Já são algumas semelhanças, não? Mas adiante, o
protagonista dos Medabots era o jovem Ikki,ex-aequo com o seu medabot chamado Metabee. Ah, outra semelhança com os
Pokémon: os nomes dos medabots eram geralmente uma mistura de 2 palavras
inglesas. Voltando, o Ikki comprava o Metabee ao comerciante Henry numa altura
em que o Ikki era dos poucos que não tinha um medabot. No início não conseguia
comunicar com o Metabee mesmo usando o medarelógio, que era um dispositivo que
se usava no pulso e servia para o medalutador falar com o seu medabot. Mas após
alguma insistência (durante a qual o Ikki até lhe chamou ferro-velho!), o
Metabee lá dava sinal de si e começava a mexer-se. Só que depois de lutar
chateou-se com o Ikki por causa do insulto, hehe…
Ao longo do anime, havia várias
personagens recorrentes. A Erika, amiga do Ikki, que gosta de tirar fotos. O
Phantom Renegade, um ladrão mascarado que é um pouco tolo. O Space Medafighter
X, um medalutador que se fartava de ganhar batalhas e que era claramente a
mesma pessoa que o Phantom Renegade, algo que era óbvio para quem reparasse no
design e na voz de ambos. O Koji, principal rival do Ikki mas também seu amigo.
O Referee, que era uma personagem hilariante por parecer só existir para
arbitrar batalhas robóticas, a ponto de aparecer vindo do nada sempre que
alguém falava em batalhar…e de chorar como um bebé quando alguém lhe dizia que
não, que afinal não iam batalhar. XD Como veem, este programa não era propriamente
preguiçoso e concedia uma boa dose de interesse e personalidade às suas
personagens. Mas, podem crer, a minha personagem favorita e uma das mais
fascinantes era, sem dúvida, o Rokusho!
O Rokusho era um medabot branco e roxo que
tinha um pouco de tudo. Tinha um bom design. Tinha um ar sério. Dizia uma
gracinha de vez em quando. Era parcialmente misterioso. Sabia ser amigo. Era
bom nas batalhas robóticas. Preocupava-se com o bem comum. E era tão especial
que conseguia usar a medaforça, que era uma técnica usada em batalhas robóticas
muito poderosa a que só poucos medabots tinham acesso. Na altura eu não
percebia bem porque é que eu gostava tanto do Rokusho, mas em retrospetiva acho
que é mais fácil perceber: o Rokusho era interessante um pouco como o Wolverine
dos X-Men era! Neste sentido: era um batalhador forte (com um braço que incluía
uma lâmina afiada, também!) que lutava pela justiça mas também era meio
solitário e costumava preferir agir sozinho. Esta aura de “velho solitário”
tornava o Rokusho muito mais interessante, sobretudo quando conhecíamos o
trauma que tornara o Rokusho um amargurado. Mas sobre isso falaremos mais em
baixo.
Os medabots lutavam entre si com o que
tinham. Muitos medabots davam tiros, embora estes não devessem ser compostos
por balas mas sim por impulsos elétricos (quem sabe?). Havia medabots que
tinham canhões no corpo. Outros tinham espadas. Alguns tinham garras, lasers,
escudos, tentáculos…até havia um que tinha apenas(?) punhos muito fortes; chamava-se
Belzelga. Também havia um grupo de criminosos que queriam roubar as medalhas (as
medalhas eram basicamente o cérebro dos medabots) a meio mundo e que usavam
todos um uniforme preto, de nome Robber Robot Gang. Havia um grupo de 3 pessoas
que se intitulava Screws Gang (a Samantha, o Spike e um moço de boné). E havia
aquela que era de longe a minha parte favorita do anime: o torneio
internacional de batalhas robóticas. Essa parte do anime dava-nos a ver
batalhas em que o fator espetáculo não faltava. Nesse torneio, havia
medalutadores representantes de muitos países; lembro-me pelo menos de ver
representadas no torneio o Egito, a França, a Jamaica, o Quénia, o México, a
Suécia e um país da Oceânia (infelizmente não me lembro de qual). Ah, e o
Japão, claro; essa era a equipa do Ikki, do Koji e do Space Medafighter X.
Alguns episódios
- Num certo episódio, espalhava-se um
rumor que dizia que existia um medalutador misterioso que tinha conseguido o
feito de nunca perder uma batalha robótica. O Ikki e a Erika ficaram muito
interessados nessa história e foram investigar. O Ikki ficou particularmente
contente porque a investigação acabou por os levar a uma espécie de faculdade
privada para ricaços onde tinha aulas uma menina bonita com quem o Ikki tinha
simpatizado muito. Essa menina chamava-se Karen e, descobríamos mais tarde, era
nada menos que a sobrinha do Dr. Aki, que era um cientista amigo do Ikki que
sabia tudo sobre medabots. Depois de uma meia dúzia de confusões na tal
faculdade, houve assim um confronto no final em que várias pessoas desataram a
lutar com os seus medabots. A Karen não gostou de ver aquela violência toda,
por isso usou o seu medabot Neutranurse, que tinha o poder de curar algumas
feridas e/ou de fazer o pessoal acalmar. A Neutranurse conseguiu acabar com o
conflito e a Erika teve uma epifania. Perguntou então à Karen se afinal era ela
o tal medalutador que nunca perdeu uma batalha. A Karen respondeu
tranquilamente que, pois, realmente nunca tinha perdido…pela simples razão que
nunca tinha combatido! Uá-uá-uá-uááááááááááááá!
- Num episódio mais tenso que divertido (sim, os Medabots tinham desses), o
Rokusho revia o seu velho amigo Baton, um papagaio-robô que tinha passado pelo
mesmo trauma que o pobre Rokusho. Esse trauma tinha sido a trágica morte do
Professor Hushi, que se bem me lembro os tinha criado. O professor, o Baton e o
Rokusho viviam felizes na mesma casa/laboratório…até ao dia em que um horrível
incêndio lavrava a casa e a vida do Professor Hushi. Em vários momentos, o
Rokusho era atormentado pela memória recorrente de correr pelo laboratório,
procurando desesperadamente o professor, lutando contra o fumo que o cegava e os
destroços que o atrapalhavam enquanto ele gritava coisas como: “Professor! Onde é que está? Consegue ouvir-me? Professor!”. É, era uma cena de grande intensidade
dramática. Mas adiante: nesse episódio, o Baton era vítima de uma falsa memória
que lhe tinham implantado no cérebro e “revelava” que o Dr. Aki tinha causado
deliberadamente o incêndio que matou o professor. A Karen ficou horrorizada e
não acreditou que o seu tio tivesse feito isso. Infelizmente, nessa altura o
Rokusho já era só raiva e não dava ouvidos a ninguém. O Dr. Aki, que quando
falava trocava o R pelo L, assegurou o Rokusho que “não tenho nada a vel com a
molte do Plofessol Hushi!”, mas não serviu de nada. Numa sequência final épica,
o Rokusho tentava vingar-se do Dr. Aki (acho que queria mesmo matá-lo…) e todos
os intervenientes acabavam no telhado, com outro incêndio a deflagrar enquanto
o maior fogo ardia nos olhos do Rokusho. O Metabee era amigo dele, mas estava
determinado a defender o Dr. Aki. Só que, para surpresa de todos, o Rokusho
revelou que podia usar a medaforça e usou-a para derrotar o Metabee com um só
golpe. Para bem de todos, antes de a coisa ficar ainda mais feia, o Baton caiu
em si e explicou ao Rokusho que a memória que tinha do Dr. Aki incendiário era
falsa; os verdadeiros incendiários tinham sido os membros do Robber Robot Gang.
- Como já escrevi, o torneio internacional de batalhas robóticas era a minha
parte favorita deste anime. Quão intensa era…e o vilão Victor, da equipa do Quénia,
era um vilão memorável e intimidante. Não precisava de falar muito para
intimidar e, efetivamente, falava pouco. E tinha constantemente uma cara séria
até dizer chega que transmitia facilmente a mensagem de que o Victor sabia
sempre como esmagar o adversário. Víamo-lo tantas vezes com essa cara que,
quando muitos episódios depois, ele fazia outra cara, aquilo tinha um impacto
enorme. E eu diria que a interpretação que João Pinto fazia da
personagem funcionava bem. Que boas lembranças…mas enfim, o Japão enfrentava o Quénia naquilo que
eu presumo que fosse o primeiro duelo da fase de grupos (como no futebol) e
começava confiante mas acabava por levar uma tareia. Isso ajudou o Ikki, o Koji
e o não-Space Medafighter X (esse quase nunca aparecia no torneio; desta vez
era a Karen mascarada) a meter os pés mais na terra e a enfrentar as batalhas
seguintes com mais seriedade. Assim, nas eliminatórias seguintes, as coisas corriam muito melhor.
Só não puderam lutar contra os franceses,
porque os argumentistas inventavam um desfecho diferente para essa
eliminatória. O desfecho baseava-se nisto: a estratégia dos concorrentes da
França – que eram os irmãos Berret, 3 irmãos com nomes parecidos (um deles era
o Jean-Guy Berret, os outros eram algo como Jean-Yves Berret ou Jean-Pierre Berret)
– era roubar à socapa as medalhas dos seus adversários e depois vencer por
falta de comparência. Os batoteiros! Para sorte dos protagonistas, eles
descobriram este esquema a tempo e, com a inesperada ajuda do Phantom Renegade,
conseguiam que o Jean-Guy Berret denunciasse os roubos aos responsáveis pelo
torneio. O Referee, que tanto costumava ser um alívio cómico, não esteve com
paninhos quentes; “Será que ouvi a palavra roubar?”, perguntou. E depois fez
uma cara de revolta que nunca o tínhamos visto a fazer! Depois disso, foi uma
questão de minutos até os responsáveis decidirem que a equipa francesa ia ser
banida do torneio. Decisão que o Referee anunciou.
- Finalmente, a final do torneio. Foi tão
épica que durou uns 2, 3 ou 4 episódios. Nessa altura, o Ikki e o Koji tiveram
o privilégio de contar com a ajuda de uma cientista que usava óculos como o
terceiro membro da sua equipa. Ela veio mascarada de Space Medafighter X
(porque o verdadeiro, mais uma vez, faltou…ele só esteve verdadeiramente a
representar a equipa japonesa na meia-final, quando eles enfrentaram a Jamaica)
e usou o medabot Belzelga, que tinha a fama de ter punhos tão fortes que
bastava um soco para inutilizar a medapeça do medabot que levasse o soco. Foi
uma batalha dramática, com voltas e reviravoltas. Ora o Japão estava por cima,
ora estava o Quénia.
A dada altura, o Sumilidon usava a
medaforça e disparava-a em direção ao Warbandit, o medabot do tal Victor, que
era claramente o melhor dos medalutadores quenianos. Mas o Warbandit, que não
planeava perder, teve a ideia de usar o seu companheiro de equipa Rhinorush
como escudo. O Rhinorush ficou um trapo, mas o Warbandit safou-se, claro. Pouco
tempo depois, o Warbandit já tinha posto o Sumilidon KO e dado pancada de criar
bicho ao Metabee. O Metabee, prostrado no chão, estava mais morto do que vivo e
o Victor chegou ao ponto de sentir dó do Metabee. Então, o Victor deu a
entender ao Ikki que não valia a pena, que a batalha estava acabada e, sempre
sério como tudo, virou as costas e preparou-se para ir embora.
De lá do fundo, um estropiado Metabee
chamou: “Iuhu! Onde é que pensas que vais?!”. Pois é; o nosso medabot
protagonista fez um esforço hercúleo para se levantar e, ainda a tremer, pôs-se
em posição de continuar a lutar. O Ikki apoiou esta decisão do Metabee e o
medabot, independentemente do seu cansaço, preparou uma medaforça para derrotar
o Warbandit de vez. Neste momento, uma grande parte da audiência pensava que
seria este o momento triunfante em que o Japão venceria o Quénia na final. Só
que, afinal, não parecia assim tão fácil, porque o Victor estava…a rir-se! Não
parecia promissor, pois não? É que ainda por cima, o que o Victor disse depois
de se rir deu a entender que o riso dele queria dizer “És tão patético por
querer continuar a levar…não sabes mesmo desistir em vez de te envergonhares
mais!”. Nestes poucos segundos, o Victor continuava de costas e ainda deu mais
uma risada que, agora, já parecia uma gargalhada diabólica. Foi então que o
Victor se virou e…milagre! Pela primeira vez vimo-lo sem uma cara séria!
Mas digo-vos: até certo ponto era preferível a seriedade! É que, em poucos segundos, a cara que o
Victor mostrava era a típica feição de psicopata de desenho animado!
Quero dizer…com um sorriso maléfico e os olhos esbugalhados! Céus, como aquele
Victor metia medo! E, mais uma vez, sublinho: nós nunca tínhamos visto o Victor
com uma cara que não fosse séria.
Tem calma, mãe, este programa não tem nada de assustad- HOLY SH*T!!!
Vê-lo de repente a mostrar aquela emoção toda
foi de estremecer, ainda para mais sabendo que a tal emoção era qualquer coisa
parecida com sede de sangue! Brrrrr, que arrepios! Mas adiante…assim que o
Victor mostrou aquela cara, bramou para o medarelógio uma ordem para o
Warbandit desfazer o Metabee em pedacinhos! (não foram exatamente essas as suas
palavras, mas estava subentendido) E o Warbandit pareceu perceber logo e – mais
uma surpresa! – preparou uma medaforça para transformar o Metabee em puré! Oh,
sim; o público todo ficou estupefacto ao ver que o Warbandit não só podia usar
a medaforça, mas também que nunca a tinha usado até uma fase tão tardia da
batalha! E…podem pensar que o Ikki e o Metabee guincharam de medo. Mas não;
mantiveram a sua pose e coragem e o Metabee lá disparou a sua medaforça contra
a do Warbandit. As duas medaforças colidiram…e houve uma daquelas explosões
arrasadoras à anime! Uma explosão que libertou pazadas de energia e, se bem me lembro, pó.
Eu sei que é mesmo difícil transmitir a
intensidade dos momentos pela comunicação escrita. Mas espero que entendam o
quanto aquele momento prendeu a minha atenção e me deu pele de galinha. Ah, e
não perguntem quem ganhou; já nem me lembro do que aconteceu a seguir! XDDD
Uma(s) voz(es): Ana Martinez; João Pinto; José Pedro Carvalho;
Melanie Baptista; Mónica Chaby; Paulo Martinez; Vasco Luz
Informação: Há tanto que se pode escrever sobre este desenho animado que nem sei o que esperam que eu escreva primeiro...bom, a primeira coisa que me ocorreu foi quando ia escrever o título dele: é um daqueles títulos que gostou tanto do acordo ortográfico como gostaria de que um tubarão lhe comesse o peixinho de estimação. Como se escreverá agora, "Superporca"? "Super-Porca"? Talvez "Super Porca"...odeio-me um bocado por não saber. Mesmo assim, escolhi o título que está ali em cima para dar destaque ao tipo de super-herói que protagoniza este anime. Porque, realmente, o super-herói é...uma porca. Pois. Uma porca que voa, tem superforça (ai, o acordo outra vez!) e ajudantes para lutar pela paz e harmonia na sua zona. Vê-se à distância que isto é material de paródia, não? E, com efeito, consta nalgumas fontes que este anime foi criado com a ideia de parodiar outras séries de super-heróis. Como As Navegantes da Lua, suponho eu...até porque aqui também era uma adolescente que ia à escola e tudo mas que tinha como part-time ser super-herói. Pergunto-me se passava recibos verdes...X) (nota: não levem à letra esta última linha; era uma piada, ela não tinha literalmente um part-time como super-heroína. É difícil transmitir a ironia através da comunicação escrita, sabem...) Como já dei a entender, a Super Porca não era sempre uma porca. Era mais uma humana chamada Kassie que, certo dia, começou a poder transformar-se numa porca com poderes especiais. Tudo isso começava num dia em que, de forma um pouco inesperada, ela recebia a visita de Iggy, uma espécie de porco amarelo flutuante, que lhe incutia o dever de ser a Super Porca. Eu nunca percebi as motivações do Iggy, mas suponho que isso até era normal, porque não falavam assim muito delas. Seja como for, a ideia era que a Kassie aceitava o dever de proteger a zona de problemas com os seus poderes e, como uma espécie de recompensa, recebia umas pérolas rosa que saíam de uma espécie de concha de búzio que, vá-se lá saber como, gerava ou transportava pérolas. Estas pérolas, aparentemente, não serviam para vender nem para enfeitar; serviam mais para a Kassie guardar e, ao chegar a um certo número de pérolas, teria uma espécie de recompensa derradeira: davam-lhe a possibilidade de se tornar uma super-heroína humana. O que era, no fundo, o sonho dela. E assim se explica a razão pela qual a Kassie aceitou alguma vez ordens de um suíno voador.
Alguns episódios
- Já escrevi um pouco sobre o primeiro episódio, mas enfim...antes de fazer o "negócio" com a Kassie, o Iggy pediu-lhe para ela se ver ao espelho. A Kassie viu-se ao espelho e reclamou logo: "Isto não é a minha cara! Tem um nariz de porco!". E tinha razão; nesse momento ela já tinha um nariz falso preso à cara. E foi a partir dessa pista pouco subtil que o Iggy começou a explicar-lhe o que ia ser a sua vida a partir daí. - Num episódio cheio de espirros, havia uma epidemia qualquer na zona da Kassie. Não me lembro se era constipação ou se era uma espécie de febre dos fenos, mas inclino-me para a segunda opção. A Kassie foi uma das mais afetadas, pois não se sentia bem e espirrava bastante. O problema é que os problemas da cidade não metem baixa, por isso a Super Porca, mesmo adoentada, teve de ir salvar um camião que quase saía da estrada e caía por um abismo. A questão é que a Super Porca não conseguia empurrar o camião de volta à estrada, só conseguia segurá-lo, impedindo-o de cair. A Super Porca percebeu que ia precisar de uma força extra e, ainda que contrariada, fez o possível para provocar um espirro bem forte. Espirrou...e o impulso conseguiu levar o camião de volta à segurança! - Num episódio um pouco confuso, acontecia muita coisa...a Super Porca fazia uma coisa mal, ficava do tamanho de um hamster e acabava numa espécie de julgamento cósmico em que discutiam se lhe devolviam o seu tamanho original ou não. O juiz dessa situação era uma espécie de boca gigante que parecia ser um superior do Iggy. Tanto que este lhe pediu clemência em nome da Kassie. No fim do julgamento, a tal boca gigante decidia que ia devolver o tamanho original à Super Porca, mas o preço era ela perder todas as pérolas que tinha acumulado até aí. Parecia um final um pouco triste apesar de punir a Super Porca pela sua asneira. Mas, numa reviravolta, a boca acabava por devolver as pérolas porque sabia que ela não tinha feito o que fez por mal. E as crianças a ver ficaram contentes!
Aqui estamos para mais um apêndice a um post anterior. Desta feita, o post sobre o famoso gato sem orelhas. Vamos visitar o genérico final (espero que "genérico final" não seja uma redundância, porque as redundâncias são como os mosquitos: às vezes só dás por eles quando eles já te tramaram!) do Doremon, no tempo em que a dobragem portuguesa do nosso gato favorito ainda não tinha a voz de Raquel Ferreira. É isso mesmo: preparem-se para ouvir uma versão bem diferente da cantada por Bárbara Lourenço e ainda mais diferente de "Los Niños de la Tierra"! Genérico: Olha que lindo dia Que belas as flores estão O sol sorri para ti com alegria Junta-te a nós e canta
Bem alto esta canção:
Lá lá lá lá
Lá lá lá lá lá
LÁ LÁ LÁ!*
Como amigos, como irmãos
Com um sorriso vamos dar as mãos
Ouve o teu coração, escuta o que ele diz
Vamos fazer à nossa volta um mundo mais feliz
Vivemos todos no planeta Terra
Tanta beleza o universo encerra...
Por isso olha com atenção em teu redor
Juntos teremos na nossa mão um mundo melhor
Interpretado por: Sissa Afonso
* - sim, era a voz do Gigante que trauteava, num tom nada harmonioso, esta parte! Tal como nas outras versões do genérico. Não havia isso do "Lalaiaiô!" - que, por sinal, foi mantido pela versão mais moderna deste genérico. Não sei porquê, talvez não tivessem o Quimbé no estúdio no dia em que gravaram o genérico...seja como for, esta versão que lembrei é, até à data, a única que fez uma versão portuguesa do "Lalaiaiô!". E, naturalmente, prefiro o "LÁ LÁ LÁ!" do meu tempo. Soava mesmo como o Gigante a armar-se em cantor lírico e a soar mal à brava!
Informações: O nível de "esquecimento" deste desenho animado é bastante relativo, mais ainda do que todos os outros mostrados neste blog. Quer dizer, é certamente um dos que passou na televisão há menos tempo. É difícil dizer quando, mas creio que terá sido por volta de 2004 ou 2005. Portanto, até certo ponto, não pode estar assim muito esquecido. Mas a verdade é que, embora apresentasse uma protagonista "fofinha" que fazia magia de vez em quando, não teve a popularidade de animes semelhantes como As Navegantes da Lua, Doremi ou, quem sabe, Sakura. Ou seja: comparado com estes outros, está bastante esquecido. E, até certo ponto, não admira; o seu final era um pouco mind-blowing, triste e talvez um pouco chocante para os pobres infantes que acompanhavam este anime no Canal Panda.
Adiante! O ponto de partida deste anime era a de que Miho, a típica moça japonesa que anda na escola, de repente, recebe a visita de dois seres mágicos e passa a viver com eles e rodeada de magia. Os dois seres mágicos desta vez são Pigu e Mogu, dois seres bonitos mas muito estranhos que conseguem levitar. Uma é fêmea, o outro é macho, o que se nota pelas suas cores (branco com rosa e branco com azul, respetivamente). Pigu e Mogu não se parecem quase nada com nenhum animal que alguma vez tenhamos visto. Quando muito, parecem uma mistura muito alterada de coelho com olm. Talvez tenham também um bocadinho de dragão. Seja como for, eles trazem à Miho uma mochila especial com uma espécie de caneta mágica que faz magia quando ela junta a tampa ao resto da caneta. Ou lá o que era; este desenho animado era esquisito. Enfim, com a tal caneta, a Miho podia transformar-se numa adulta com cabelo azul. Sim, como o Tom Hanks no filme Big, mas sem a máquina Zoltar. Ora, entre as dezenas de coisas que pode fazer com isto, o que é que a Miho decide fazer? Tornar-se uma cantora pop que só trabalha ao fim de semana! Pois...porque não? É o tipo de coisa que nós, crianças, engolíamos à primeira. Agora que alguns de nós são adultos, a história é outra e começamos a questionar as coisas. Exemplo: porque queria ela ser cantora ao fim de semana? Porque pela fama, adoração e isso tudo não era, porque durante a semana ela não podia disfrutar de nada disso. Mas enfim; perguntas que mais tarde nos aparecem na cabeça.
Como eu disse, este desenho animado era esquisito. Nem tanto pela caneta mágica, mas mais pelo tom de alguns episódios. É que não só vários episódios se levavam demasiado a sério, com imagens e música meio "góticas", mas também alguns episódios pareciam algo que tinha sido escrito enquanto os argumentistas se enfrascavam com absinto. Isto porque, apesar de este anime ser para um público infanto-juvenil, havia episódios que deixavam os espetadores perdidos, sem perceber nada do que se estava a passar. E isso, na nossa verde idade, era um pouco assustador. É que não perceber porque é que uma coisa má está a acontecer é ainda mais assustador quando somos menores. E depois havia o Sr. Misterioso. Utilizador compulsivo de um chapéu, esta personagem (que era estranhamente idêntica ao pai da Miho, a ponto de muitos pensarem que ERA o pai da Miho) fazia jus ao seu nome, porque aparecia de repente no episódio e dizia coisas genéricas que não serviam de muito. Mas, não se sabe bem como, acabava por ajudar ou causar uma mudança na situação, apesar de a sua mensagem ser muito difícil de decifrar. Nisso, lembrava um pouco aqueles velhos sabichões da cultura pop, como o miúdo guru do programa Recreio ou o mestre Yoda.
Alguns episódios
- Num dos primeiros episódios, depois de conhecer Pigu e Mogu, a Miho foi experimentar fazer uma espécie de audição para ver se conseguia que uma produtora musical apostasse nela como cantora. Transformada na tal Lala, a adulta de cabelo azul, a Miho sacou dos seus dotes canoros e, acompanhada por um pianista, cantou uma melodia muito bonita com mestria. Tanto que a assistente da produtora a aplaudiu de pé a sorrir enquanto a produtora, mais sóbria, pensava "Esta rapariga tem talento.". Sim, isto muito antes daquele tempo em que os Morangos com Açúcar tornaram a palavra "talento" uma palavra de uso comum.
- Num dos tais episódios que deixavam os petizes perdidos sem perceber nada, a Miho estava na sua vida comum quando, de repente, começaram a acontecer coisas estranhas. Não sei se ela foi parar a um universo paralelo onde havia um clone dela, mas a questão é que ela estava a fazer o seu dia e etc...quando de repente encontra três dos seus amigos a conversar numa esplanada. Ela decide cumprimentá-los com uma brincadeira, olhando para eles entre os arbustos que delimitam a esplanada. Qual não é a surpresa da Miho - e a das crianças - quando os amigos olham para ela como se não a conhecessem! E é que não conhecem mesmo; olham para a Miho, não dizem nada, ficam ali um bocadinho a pensar "O que é que esta nos quer?!" e depois voltam à sua conversa! E antes que pensem que isto foi só um episódio na senda daquele enredo muito usado na BD (o da personagem que viaja no tempo sem saber e depois ninguém a conhece), vejam só o que acontece mais tarde: a Miho, transformada em Lala, anda num edifício abandonado em busca de uma resposta. Eis que, do nada, aparece à sua frente...a Miho! Sim, a Miho está basicamente a olhar para si própria. Este clone da Miho cumprimenta a Miho/Lala, sorrindo.
Isto está a ficar arrepiante, não é? Mais ainda se considerarmos que esta cena se passa num edifício abandonado e no meio de um silêncio ensurdecedor. Sim, não há música nenhuma nesta sequência; só um silêncio desconfortável que nos fez temer que, de repente, o clone da Miho saltasse para cima da Miho e a esmagasse como uma batata frita!
E como acabou esta situação toda? Bem, o clone da Miho disse umas coisas esquisitas, em vez de ter o juízo de explicar quem era e porque estava a fazer aquilo, e depois disse que já chegava...e foi-se embora! Assim, sem tugir nem mugir! Eu desconfio que este episódio fez com que muitas pessoas com menos de 18 anos tivessem um AVC de tanto nós no cérebro que o episódio lhes deu. Pudera...
- O penúltimo e o último episódio desta série merecem ser analisados juntos. Até porque fazem parte dos episódios mind-blowing deste anime. Ok, vamos lá ver...o que acontece é que a Miho está descansadinha no seu quotidiano quando percebe que perdeu a mochila com os acessórios mágicos. Naturalmente, fica aflita, assim como Pigu e Mogu. Sendo assim, os três partem numa jornada para descobrir a mochila. Procuram-na em todos os possíveis sítios onde estiveram no dia em que a mochila se foi. O que não é fácil, porque são muitos sítos. Mas enfim; não descobrem rigorosamente nada. Nessa noite, estão no quarto a descansar e a pensar. Mas...ah! A Miho lembra-se que Pigu e Mogu podem fazer magia para fazer aparecer a mochila! Tal como fizeram no dia em que ela os conheceu. Pigu e Mogu hesitam, mas decidem tentar. Fazem então a dança voadora que os permite fazer magia. Um círculo azul aparece e...e...e...
...e nada. Literalmente nada, porque Pigu e Mogu desapareceram! Sem deixar rasto! Simplesmente desapareceram no círculo azul e este também se foi! E tudo o que sobra é...silêncio. Novamente um silêncio ensurdecedor! A Miho, chocada, olha para o espaço onde, há segundos, Pigu e Mogu voavam. Agora está vazio. E a Miho está sozinha. Inexplicavelmente, inesperadamente sozinha. Os seus olhos tremem. Vai chorar dentro de segundos. E o episódio acaba.
Sim, o penúltimo episódio acaba assim, desta forma insana! Porque, quer dizer...será que os argumentistas não sabem que as crianças a assistir se vão sentir chocadas? Que vão querer saber o que raio aconteceu ali? E, mais ainda, que vão chorar?! Porque, convenhamos, os desenhos animados podem envolver muito. E como vão algumas crianças reagir ao ver os seus "amigos" Pigu e Mogu desaparecer assim, sem motivo aparente? E ao perceber que a Miho está sozinha?!
Mas calma, ainda falta outro episódio, o último! Naturalmente, os argumentistas vão usar parte do episódio para explicar um pouco do que aconteceu, não é?
NÃO!
Surpresa, o último episódio não explica nada! O último episódio não é mais do que um epílogo que mostra o que aconteceu depois de a pobre Miho ter perdido os seus amigos e os seus poderes mágicos! E as consequências do desaparecimento súbito da famosa cantora Fancy Lala! É um episódio de tom pesadíssimo e triste. E as crianças ficam assim, sem explicação! Ninguém sabe o que aconteceu a Pigu e Mogu nem se alguma vez Miho os voltará a ver! Ah, mas calma, caaaaaaalma! É que as bizarrices não ficam por aqui! Sabem o que mais acontece? Eu digo-vos: ao tentar voltar à sua vida normal e sem magia, a Miho vai fazer uma viagem de comboio. Os pais dela acompanham-na à estação e a Miho espera, em pulgas, pelo comboio. Enquanto espera ao pé da linha, o seu pai, sentado num banco, põe um chapéu e diz: "Já não és uma menina pequena...não é verdade, Miho?". E diz esta segunda parte com a voz do...Senhor Misterioso! Pam-pam-paaaaam! E quando todos estão convencidos que o anime vai aproveitar para revelar que, afinal, o Senhor Misterioso era o pai da Miho com um chapéu e uma voz diferente, eis que a mãe da Miho se ri da figura do pai e pergunta "Ó filha, quem é que te faz lembrar?" e a Miho, enigmaticamente, responde: "Não sei. Mas devolve-mo.". E sabem que mais? O pai da Miho não agiu nada como Senhor Misterioso e simplesmente mostrou o seu embaraço, dizendo: "Ah, mas eu pensava que mo tinhas dado! Pensava que me ficava muito bem!". E mais nada! Nada mais é revelado sobre o Senhor Misterioso! Nem sobre a forma como ele aparecia em todo o lado como se fosse um fantasma!
Esperem, esperem, não saiam ainda! Ainda há mais bizarrice!
Vejam só o que acontece também: a Miho está sozinha no quarto, à noite. Está descansadinha a viver a sua tristeza. De súbito...ouve uma voz familiar que chama "Miho!". A Miho volta-se logo...mas não está lá ninguém! Mas é a voz da Mogu! E aquela a do Pigu; são as vozes deles, claramente! Onde estão eles? Não estão no quarto da Miho...mas ela consegue ouvi-los! A Miho emociona-se e ouve os dois drago-coelhos voadores a dizer-lhe olá e a dizer que têm saudades dela! A Miho não aguenta e fica de cócoras a chorar enquanto balbucia que gostava muito de voltar a vê-los e suplica que voltem para ela! E vejam bem...Pigu e Mogu não respondem! Vocês estão a ver o nível de what-in-the-bloody-world?! desta cena? Pigu e Mogu têm uma oportunidade de trocar umas palavras com a pobre Miho e depois de a cumprimentarem e dizer que têm saudades, calam-se que nem ratos...voadores! Não lhe explicam o que diabo aconteceu, não lhe dizem se estão bem e de saúde, não lhe dizem se podem algum dia voltar a vê-la...como diria a lógica! E não é que depois a Miho tem de continuar a sua vida como se nada se tivesse passado? Enquanto os amigos da Fancy Lala choram o desaparecimento misterioso dela, a pensar que lhe aconteceu alguma coisa grave?! VALHA-ME. A. SANTA!!!
E o episódio ainda não acabou. Alguns dias depois, algures na rua, a Miho dá de caras com Komi, o homem que preparava o seu cabelo quando ela era a cantora Fancy Lala. O Komi sempre foi um cromo, diga-se de passagem. Mas o Komi fez o favor de apanhar o chapéu que a Miho tinha deixado fugir com o vento. A Miho agradece-lhe e, num impulso, chama-lhe Komi, como se o conhecesse. Ele acha que não a conhece, mas mesmo assim decide oferecer àquela estranha um novo penteado. Então, pede à Miho que se sente ali e trata de lhe mexer no cabelo. Deixem-me recapitular, para ver se se percebe como isto é perturbador: um homem adulto conhece uma criança bonita no meio da rua e pede-lhe para se ir ali sentar com ele enquanto ele lhe mexe no cabelo!!! Este episódio é demais, não é? Mas pronto, o Komi sempre foi bom tipo e nós, espetadores, sabíamos que ele não ia fazer mal à Miho. O que acaba por acontecer é que ele lhe faz um penteado novo. A Miho vê-se ao espelho...e o Komi trata-a por "Lala"! A Miho, naturalmente, assusta-se! Mas ele explica calmamente que ele conhece o cabelo da Lala melhor do que ninguém e ficou a saber quem ela era. Enquanto a Miho digere a surpresa, o Komi sugere-lhe que sorria e pense que dentro de uns anos poderá ser a verdadeira Fancy Lala. E...fim!
E é isto! O episódio acaba, enquanto muitas crianças caem do sofá e/ou esbracejam enquanto têm uma convulsão de tanto absurdo que viram! Não há explicação para o desaparecimento de Pigu e Mogu! Nunca mais ninguém ouve nada da mochila! E nenhuma conclusão se tira acerca do Senhor Misterioso! E a pobre Miho fica quase sozinha, sem os seus amigos voadores! E com a missão de, daqui a uns anos, "substituir" a Fancy Lala! Ou seja: substituir uma cantora adorada por todos que desapareceu inexplicavelmente e deixou milhares de fãs e amigos a chorar! A Miho vai substituí-la! Como se isso fosse possível! E como se isso apagasse todo o sofrimento que um desaparecimento tão horrível causou! O desaparecimento mais bizarro e inexplicável desde Louis Le Prince!
!
Pois.
Não haja dúvida que, mesmo contendo uma maioria de episódios "normais", fofos e sem absinto, este anime é uma das coisas mais chocantes e bizarras que a televisão portuguesa já transmitiu. E, também por isso, nunca mais o esqueci. E, por isso, digo com gosto: Fancy Lala é um dos desenhos animados esquecidos que mais merece ser lembrado. É uma loucura completamente emocionante.
Uma(s) voz(es): Ana Luís Martins; Bárbara Lourenço; Carla Garcia; José Martins; Mário Bomba; Vítor Emanuel
Informação: Um anime meloso e simples que fez parte da infância de muitos. Até porque de tempos a tempos era reposto. E, curiosamente, o que mais mudava não era a equipa de dobragem (aqui feita gentilmente pela mesma equipa que dobrou Digimon); era o genérico! Quando este programa começou a ser transmitido, o genérico era cantado em japonês. Mais tarde, tiraram a cantoria e ficou só o instrumental. Finalmente, fizeram uma adaptação do genérico para português! "Fico feliz, fico feliz, quando estás perto de mim(...)"
À parte disso, este desenho animado era sobre um jovem estudante chamada Azuki que tinha uma paixão platónica pelo seu colega Mike. O Mike era um bom rapaz e a sua beleza e forma física atraía muita gente. Resultado: a Lisa, uma espécie de arqui-inimiga da Azuki, andava sempre atrás dele. Só que ela era muito mais "peixeira" ao mostrar a sua queda pelo Mike e quase não olhava a meios para atingir os seus fins. Felizmente, a Azuki tinha o apoio das suas amigas como a Beth, a Cathy e uma menina de óculos muito ajuizada. Também tinha amigos, mas eles eram um pouco pestinhas: o Ken e o Joey. Os dois eram amigos, mas o Ken era o mais espevitado e brincalhão. Aliás, o Ken gozava muitas vezes com a Azuki. Embora, secretamente, ele nutrisse uma paixão por ela. Mal ele sabia que a pobre Beth gostava dele...ai, tantos triângulos amorosos! Agora ficou a parecer uma novela mexicana...
Alguns episódios
- A Cathy andava a comportar-se de maneira estranha, pedindo a algumas pessoas comidas estranhas como couves não vendidas e massas instantâneas. Quando lhe perguntavam o que se passava, ela justificava-se com a família: "A minha avó gosta muito de massas instantâneas!". No fim de contas, aquilo era tudo mentira e o que se passava era que a Cathy tinha "adoptado" um coelho e estava a dar-lhe de comer. E escondeu isso porque não queria que a avó dela soubesse. É que a avó dela era bera. Nas palavras da Azuki, a avó da Cathy era tão teimosa como a neta.
- Durante parte dos episódios, uma personagem teve uma pequena cadela chamada Lucy. Quando o Mike foi para fora, pediu à Azuki para tomar conta da Lucy. Ela fez isso o melhor que pôde e depois o Mike voltou para vir buscá-la. A Lucy ficou toda contente e deu umas lambidelas na cara do Mike, como alguns cães fazem. O Mike ria-se e a Azuki murmurava: "Tenho inveja da Lucy. Se eu pudesse mostrar os meus sentimentos ao Mike como a Lucy faz...". Só que o Ken ouviu o que ela murmurou (ou talvez não tenha ouvido; a cena era um pouco ambígua em relação a isso), fez uma cara toda gozona e, rindo-se, disse: "Azuki, porque é que não te atiras ao Mike, como a Lucy faz?!". Pois é...o rapaz era um gozão, mas às vezes tinha sentido de humor.
- Ainda hoje me lembro de um dos episódios finais, em que a Lisa estava a gritar com o Mike e ele defendia-se...nesse dia, o Mike assumiu claramente à Lisa: "Eu amo a Azuki!". Suponho que tanto a Lisa como eu trememos ao ouvir essa frase; no fundo, foi um choque. Quer dizer...quantas vezes nos desenhos animados da manhã é que se ouve a palavra com "A"? ;)
Uma(s) vozes: Bárbara Lourenço; Graça Ferreira; Mónica Garcez; Nara Madeira; Paulo Coelho; Pedro Borges Uma(s) personagem(ns): Azuki; Beth; Cathy; Joey; Ken; Lisa; Lucy; Menina Michelle; Mike Genérico: em japonês
Informação: Ponto prévio: a principal razão deste post é a minha recente ida a Espanha, que me encantou. Agora, também em homenagem à boa gente com quem lá estive, vamos excepcionalmente conhecer a versão espanhola de um desenho animado que passou no Canal Panda há uns bons anos. Atenção! Eu chamei-lhe "espanhola", mas refiro-me sobretudo à linguagem falada no programa. Eu não tenho a certeza, mas é bem provável que a dobragem deste programa a que me refiro (o tal que passou no Canal Panda há uns anos) seja a dobragem mexicana, e não espanhola. Contudo, uma vez que eu adoro dialectos latinos, a homenagem centra-se no espanhol e na sua sonoridade, não necessariamente no país de origem desta versão. Fica o aviso. Em frente!
Fãs de Oliver Tsubasa, preparem-se para um choque! Estão preparados? Bem, aqui vai: anos antes de a televisão portuguesa nos mostrar a versão portuguesa das aventuras deste grande futebolista japonês, passou na televisão uma versão espanhola (ok, talvez mexicana...) do nosso Oliver! É verdade; como já disse, passou no Canal Panda, naquele tempo em que a TV Cabo ainda tinha o seu quê de novidade e só os mais modernos e/ou abastados tinham TV Cabo e podiam ver o Canal Panda. Podem ver mais evidências do que estou a dizer nos comentários daqui. Adiante...note-se que os animes deste futebolista foram tantos que é difícil especificar qual deles foi. Mas enfim...o que posso dizer desta versão espanhola é que, além de passar com o áudio espanhol com legendas em português (sim, tal como o Doraemon fez durante muitos anos!), estas aventuras eram muito semelhantes às que passaram na televisão portuguesa. Ou seja: como de costume, era a equipa do Oliver contra as restantes equipas, nomeadamente a do Mark Landers. Mas, nestes desenhos, o Oliver e os seus amigos Jamie, Bruce, Paul e afins pareciam homens feitos. Nada das crianças que apareciam nas versões portuguesas. Estes eram altos, espadaúdos e tinham vozes adultas! Pois é: a dobragem espanhola dava às nossas personagens vozes graves e determinadas que os faziam soar como adultos. E provavelmente era essa mesma a ideia...seja como for, a diferença em relação à dobragem portuguesa é muito grande. E, claro, quem vir esta dobragem agora vai sentir falta da arrasadora voz de Paula Seabra, mais conhecida como "Oliver Tsubasa".
Eu sei, Carter Taki...é surpreendente, não é?
As diferenças não ficavam por aqui. Algumas até são bastante curiosas. Exemplo: nesta versão, não há exactamente um Tobey Misaki (lembram-se dele?). Há, sim, um tal "Tom". Não me lembro com certeza se o último nome deste Tom era Misaki, mas é notório que este é uma versão alternativa do Tobey. Porquê? Bem, primeiro pela semelhança do nome (Tom-Tobey). Depois, por o Tom ser o melhor amigo do Oliver. Depois, por o Tom, assim como o Tobey, ser o melhor jogador da equipa a seguir ao Oliver. Finalmente, por alguns traços faciais, como o cabelo castanho em formato semelhante ao de uma tigela - que era um visual que o nosso Tobey por vezes tinha, embora nem sempre; lembram-se de quando ele tinha cabelo comprido e negro? - e o brilho nos olhos dele quando jogava ou via jogar. É, este Tom é claramente o Tobey. Outra diferença é o surgimento de uma personagem chamada Terry, que se bem me lembro não existe na versão portuguesa. O Terry é um rapaz que vem sabe-se lá de onde para jogar na equipa do Oliver. Ele pensa que estão todos à espera dele, mas quando chega lá...ninguém sabe quem ele é! À parte disso, o Terry é um grande jogador e tem uma finta tramada que se chama a "finta de 90 graus". Ele chega mesmo a ser chamado à selecção japonesa. Portanto, já se vê que não é só mais um jogador; é dos bons! E...e...finalmente, o genérico era diferente. Nada de Benji-Oliver nem de vitória nesta história; o genérico que passava no Canal Panda era cantado em japonês, com um gentil "Super Campeones!" dito por uma voz de homem. A versão que aqui vos mostro não é exactamente a que passava, mas foi o mais próximo que encontrei...
Pois é; anos antes de jovens futebolistas como Oliver Tsubasa, Ed Warner, Suichi Hiroshi, Julian Ross e muitos mais nos deliciarem com o seu futebol sub-17 (ou lá o que era), já alguns de nós conheciam estas personagens e conheciam-nas como adultos machões que estavam constantemente a usar a expressão "disparar" (em português é rematar). E com um genérico diferente, mas marcante. É uma memória deveras curiosa, na minha opinião...e viva Espanha! ;) Alguns episódios - Vários episódios destes eram semelhantes aos da versão portuguesa. Mas vejamos...bem, houve um em que havia uma confusão de lesões na equipa do Oliver. Uma delas era a do Benji, que ao defender uma bola deu uma cambalhota, o seu pé foi projectado para cima e bateu contra um poste. E como ele gritou de dor...parecia um dos gritos do Dragon Ball! - No tal episódio em que o Terry chega e ninguém sabe quem ele é, o treinador não hesita; põe o Terry a jogar. É um jogo importante, mas ele é lançado às feras. E o Oliver, com a sua fé nos outros, percebe que o Terry está isolado e arrisca passar-lhe a bola para ele rematar. Ele, surpreendido, experimenta um pontapé de bicicleta...e marca! E acaba a chorar. Os outros perguntam-lhe o que é que ele tem e ele explica que são lágrimas de alegria por o Oliver ter confiado nele sem nunca o ter visto jogar! - Num dos clássicos jogos Oliver vs. Mark, o grande Ed Warner (pode não ser exactamente este o nome...) decide sair da baliza, correr até à outra área e rematar. Na sua cabeça, ouve-se "Benji, como sou guarda-redes, conheço a fraqueza dos guarda-redes!". E o episódio acaba. Claro que, no episódio seguinte, o Benji percebe o que ele vai fazer. Porque é guarda-redes, pois então!
Uma(s) voz(es): ? Uma(s) personagem(ns): Benji; Oliver; Terry; Tom Genérico: em japonês
Informação:
Muita gente conhece pelo menos parte da história do Robin dos Bosques, não é?
Bem, este desenho animado explorava um pouco essa história. Aqui, não há Robin
Hood nem Little John; há o Robin dos Bosques e o João Pequeno! É uma das características
da versão portuguesa deste programa: é tudo em português. Robin e João Pequeno
começam por ser rivais, mas com o passar do tempo vão-se dando melhor, embora o
João Pequeno se ache muito bom e muito corajoso. A verdade é que, na versão
portuguesa, ele tem uma voz ainda mais grave que a de Robin…voz essa que, salvo
erro, nunca mais ouvi numa dobragem. Nem a de Robin, creio...de qualquer
maneira, o grande herói aqui é Robin. Apesar de ter fair-play, ele encara os
desafios com uma cara muito séria e nunca menospreza o seu adversário. Este
Robin dos Bosques deve ter sido um dos poucos animes japoneses dobrado em
português que não ficou muito na memória das crianças; geralmente, os animes
que passam em canais abertos e têm direito a dobragem são recebidos um pouco
melhor.
Alguns episódios
- Tive a sorte de ver o episódio em que Robin conhece o João Pequeno. Os dois trocaram uma luta de olhares, por assim dizer, e Robin quis saber o nome de João. Ele respondeu, claro, que se chamava João. Porém, ao ver João todo carinhoso para com um cãozinho, Robin basicamente muda-lhe o nome para "João Pequeno"! E a alcunha, como sabemos, fica!
- Dois tipos estão a lutar com espadas lá pela floresta. A certa altura, um é borrifado com água. Sem perder a calma, ele diz algo como: "Ei...oh...água não vale!". O frade, que acabou de lhe atirar água, responde ironicamente: "Pode ser que água te sirva para refrescar as ideias!". Quando o tipo que levou com água se zanga a sério, o Frade é salvo por Robin!
- O João Pequeno está à procura de um tesouro numa espécie de castelo, juntamente com alguns da sua trupe. A certa altura, eles vêem algumas cordas a pedirem para ser puxadas (não literalmente...). Sem medo das possíveis armadilhas, João Pequeno mete calmamente a sua espada debaixo dos pés e puxa uma corda. As pedras debaixo dos pés dele abrem-se...mas ele não cai! A espada mantém-no bem apoiado entre as pedras que sobraram. O João Pequeno ri-se da armadilha e vangloria-se por não ter caído. Depois, diz "Vamos experimentar esta agora!" enquanto puxa outra corda. E encontram o tesouro! Se bem me lembro, aquilo depois azedou...
Uma(s) voz(es): Adriano Luz
Uma(s) personagem(ns): um
frade; João Pequeno; Robin dos Bosques
Genérico: Vivem escondidos Ele e os seus amigos Fortes, destemidos Nas florestas e nos bosques O seu dirigente Hábil e valente Que vai sempre à frente Chama-se Robin dos Bosques É o Robin, Nós chamamos-lhe assim Quando vai à liça Praticando o bem e a justiça É o Robin Numa luta sem fim De santa vontade Não lhe escapa nada Sempre que um povoado Seja maltratado Por qualquer malvado Além, o Robin dos Bosques Quando o inimigo Faz mal a um amigo Ele não foge ao perigo Valente Robin dos Bosques!