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sábado, 24 de agosto de 2024

Bendito regresso - Oliver & Benji

E cá está mais um bendito regresso. Este é dos grandes...indo direto ao assunto, o canal Panda Kids estás a passar novamente o saudoso desenho animado Oliver e Benji!


Eu gosto de pensar que este programa dispensa apresentações. Por outro lado, sabendo que alguns pensadores/intelectuais dos dias de hoje defendem que a cultura de massas já não existe (ou, pelo menos, já não funciona como funcionava há uns anos), talvez precise de alguma espécie de apresentação. Bem, correndo o risco de simplificar em excesso, é um anime sobre um grupo de jovens futebolistas que jogam competições cheias de futebol, mas também cheias de monólogos interiores! XDDD E, pessoalmente, acho que a história do programa é praticamente isto...acho que é uma história relativamente simples, embora seja muito eficiente dentro da simplicidade que tem. O que torna o programa épico são vários fatores, entre os quais a música, a qualidade da animação - que passa tão bem os sentimentos das personagens que qualquer duelo pela bola se torna uma experiência televisiva para recordar - e, como muitos irão concordar, as memoráveis e muito agradáveis vozes da dobragem portuguesa feita pela Somnorte.


Pois é; se algum dos leitores estava com medo de apanhar uma reposição do Oliver & Benji com coisas como legendas ou até dobragens alternativas, posso tranquilizar esses leitores: nesta reposição do Panda Kids, não há nada disso. Mantiveram a dobragem portuguesa...e muito bem, na minha opinião. Em tom de brincadeira (será?...), eu creio que nem é legal ouvir a saudosa personagem do Oliver Tsubasa sem que esta tenha a voz da atriz Paula Seabra. Felizmente, não vou ter de sujeitar-me a isso. Para mim, o Oliver é a Sra. Seabra e fim da história! ;)


Portanto, se estiverem impacientes para ver ou rever este programa, vão ao Panda Kids e apreciem esta delícia. Aliás, se forem rápidos, ainda vão poder ver o clássico primeiro(?) episódio em que o Nuipi joga contra o São Francis não num contexto de campeonato, mas no contexto de defender o seu direito de jogar naquele campo (esse passou no dia 19). Divirtam-se!

sábado, 18 de junho de 2022

Medabots (1ª versão portuguesa)

Imagens/vídeos: 











Informação: Espero que não me odeiem por falar aqui de um desenho animado que, comparado com os restantes do blog, está pouquíssimo esquecido. Mas também tenho a impressão que esta série original foi um pouco ofuscada pela sua série-sequela, que contou com uma equipa de dobragem diferente. E essa equipa de dobragem diferente era mais facilmente reconhecida pelo português comum, pois contava com artistas como Ana Vieira (também conhecida por cantar) e Quimbé (também conhecido pelo seu papel no Inspetor Max); já a equipa que dobrou esta série original que eu ouvi contava com artistas que o espetador comum não conheceria tão bem, como João Pinto e Paulo Martinez.


Ora, o anime em si lembrava um pouco o Pokémon, embora eu ache que também tinha a sua própria identidade. As semelhanças eram várias: um mundo semelhante ao nosso em que os humanos aprenderam a conviver com seres antropomórficos (neste caso, eram robôs) e tratam-nos um pouco como animais de estimação, só que também travam batalhas entre os robôs que estes parecem apreciar travar…e pelo meio acaba por haver um torneio internacional dessas batalhas e um protagonista que fica com o robô renegado que mais ninguém usou. Já são algumas semelhanças, não? Mas adiante, o protagonista dos Medabots era o jovem Ikki, ex-aequo com o seu medabot chamado Metabee. Ah, outra semelhança com os Pokémon: os nomes dos medabots eram geralmente uma mistura de 2 palavras inglesas. Voltando, o Ikki comprava o Metabee ao comerciante Henry numa altura em que o Ikki era dos poucos que não tinha um medabot. No início não conseguia comunicar com o Metabee mesmo usando o medarelógio, que era um dispositivo que se usava no pulso e servia para o medalutador falar com o seu medabot. Mas após alguma insistência (durante a qual o Ikki até lhe chamou ferro-velho!), o Metabee lá dava sinal de si e começava a mexer-se. Só que depois de lutar chateou-se com o Ikki por causa do insulto, hehe…


Ao longo do anime, havia várias personagens recorrentes. A Erika, amiga do Ikki, que gosta de tirar fotos. O Phantom Renegade, um ladrão mascarado que é um pouco tolo. O Space Medafighter X, um medalutador que se fartava de ganhar batalhas e que era claramente a mesma pessoa que o Phantom Renegade, algo que era óbvio para quem reparasse no design e na voz de ambos. O Koji, principal rival do Ikki mas também seu amigo. O Referee, que era uma personagem hilariante por parecer só existir para arbitrar batalhas robóticas, a ponto de aparecer vindo do nada sempre que alguém falava em batalhar…e de chorar como um bebé quando alguém lhe dizia que não, que afinal não iam batalhar. XD Como veem, este programa não era propriamente preguiçoso e concedia uma boa dose de interesse e personalidade às suas personagens. Mas, podem crer, a minha personagem favorita e uma das mais fascinantes era, sem dúvida, o Rokusho!


O Rokusho era um medabot branco e roxo que tinha um pouco de tudo. Tinha um bom design. Tinha um ar sério. Dizia uma gracinha de vez em quando. Era parcialmente misterioso. Sabia ser amigo. Era bom nas batalhas robóticas. Preocupava-se com o bem comum. E era tão especial que conseguia usar a medaforça, que era uma técnica usada em batalhas robóticas muito poderosa a que só poucos medabots tinham acesso. Na altura eu não percebia bem porque é que eu gostava tanto do Rokusho, mas em retrospetiva acho que é mais fácil perceber: o Rokusho era interessante um pouco como o Wolverine dos X-Men era! Neste sentido: era um batalhador forte (com um braço que incluía uma lâmina afiada, também!) que lutava pela justiça mas também era meio solitário e costumava preferir agir sozinho. Esta aura de “velho solitário” tornava o Rokusho muito mais interessante, sobretudo quando conhecíamos o trauma que tornara o Rokusho um amargurado. Mas sobre isso falaremos mais em baixo.


Os medabots lutavam entre si com o que tinham. Muitos medabots davam tiros, embora estes não devessem ser compostos por balas mas sim por impulsos elétricos (quem sabe?). Havia medabots que tinham canhões no corpo. Outros tinham espadas. Alguns tinham garras, lasers, escudos, tentáculos…até havia um que tinha apenas(?) punhos muito fortes; chamava-se Belzelga. Também havia um grupo de criminosos que queriam roubar as medalhas (as medalhas eram basicamente o cérebro dos medabots) a meio mundo e que usavam todos um uniforme preto, de nome Robber Robot Gang. Havia um grupo de 3 pessoas que se intitulava Screws Gang (a Samantha, o Spike e um moço de boné). E havia aquela que era de longe a minha parte favorita do anime: o torneio internacional de batalhas robóticas. Essa parte do anime dava-nos a ver batalhas em que o fator espetáculo não faltava. Nesse torneio, havia medalutadores representantes de muitos países; lembro-me pelo menos de ver representadas no torneio o Egito, a França, a Jamaica, o Quénia, o México, a Suécia e um país da Oceânia (infelizmente não me lembro de qual). Ah, e o Japão, claro; essa era a equipa do Ikki, do Koji e do Space Medafighter X.


 

Alguns episódios

- Num certo episódio, espalhava-se um rumor que dizia que existia um medalutador misterioso que tinha conseguido o feito de nunca perder uma batalha robótica. O Ikki e a Erika ficaram muito interessados nessa história e foram investigar. O Ikki ficou particularmente contente porque a investigação acabou por os levar a uma espécie de faculdade privada para ricaços onde tinha aulas uma menina bonita com quem o Ikki tinha simpatizado muito. Essa menina chamava-se Karen e, descobríamos mais tarde, era nada menos que a sobrinha do Dr. Aki, que era um cientista amigo do Ikki que sabia tudo sobre medabots. Depois de uma meia dúzia de confusões na tal faculdade, houve assim um confronto no final em que várias pessoas desataram a lutar com os seus medabots. A Karen não gostou de ver aquela violência toda, por isso usou o seu medabot Neutranurse, que tinha o poder de curar algumas feridas e/ou de fazer o pessoal acalmar. A Neutranurse conseguiu acabar com o conflito e a Erika teve uma epifania. Perguntou então à Karen se afinal era ela o tal medalutador que nunca perdeu uma batalha. A Karen respondeu tranquilamente que, pois, realmente nunca tinha perdido…pela simples razão que nunca tinha combatido! Uá-uá-uá-uááááááááááááá!


- Num episódio mais tenso que divertido (sim, os Medabots tinham desses), o Rokusho revia o seu velho amigo Baton, um papagaio-robô que tinha passado pelo mesmo trauma que o pobre Rokusho. Esse trauma tinha sido a trágica morte do Professor Hushi, que se bem me lembro os tinha criado. O professor, o Baton e o Rokusho viviam felizes na mesma casa/laboratório…até ao dia em que um horrível incêndio lavrava a casa e a vida do Professor Hushi. Em vários momentos, o Rokusho era atormentado pela memória recorrente de correr pelo laboratório, procurando desesperadamente o professor, lutando contra o fumo que o cegava e os destroços que o atrapalhavam enquanto ele gritava coisas como: “Professor! Onde é que está? Consegue ouvir-me? Professor!”. É, era uma cena de grande intensidade dramática. Mas adiante: nesse episódio, o Baton era vítima de uma falsa memória que lhe tinham implantado no cérebro e “revelava” que o Dr. Aki tinha causado deliberadamente o incêndio que matou o professor. A Karen ficou horrorizada e não acreditou que o seu tio tivesse feito isso. Infelizmente, nessa altura o Rokusho já era só raiva e não dava ouvidos a ninguém. O Dr. Aki, que quando falava trocava o R pelo L, assegurou o Rokusho que “não tenho nada a vel com a molte do Plofessol Hushi!”, mas não serviu de nada. Numa sequência final épica, o Rokusho tentava vingar-se do Dr. Aki (acho que queria mesmo matá-lo…) e todos os intervenientes acabavam no telhado, com outro incêndio a deflagrar enquanto o maior fogo ardia nos olhos do Rokusho. O Metabee era amigo dele, mas estava determinado a defender o Dr. Aki. Só que, para surpresa de todos, o Rokusho revelou que podia usar a medaforça e usou-a para derrotar o Metabee com um só golpe. Para bem de todos, antes de a coisa ficar ainda mais feia, o Baton caiu em si e explicou ao Rokusho que a memória que tinha do Dr. Aki incendiário era falsa; os verdadeiros incendiários tinham sido os membros do Robber Robot Gang.



- Como já escrevi, o torneio internacional de batalhas robóticas era a minha parte favorita deste anime. Quão intensa era…e o vilão Victor, da equipa do Quénia, era um vilão memorável e intimidante. Não precisava de falar muito para intimidar e, efetivamente, falava pouco. E tinha constantemente uma cara séria até dizer chega que transmitia facilmente a mensagem de que o Victor sabia sempre como esmagar o adversário. Víamo-lo tantas vezes com essa cara que, quando muitos episódios depois, ele fazia outra cara, aquilo tinha um impacto enorme. eu diria que a interpretação que João Pinto fazia da personagem funcionava bem. Que boas lembranças…mas enfim, o Japão enfrentava o Quénia naquilo que eu presumo que fosse o primeiro duelo da fase de grupos (como no futebol) e começava confiante mas acabava por levar uma tareia. Isso ajudou o Ikki, o Koji e o não-Space Medafighter X (esse quase nunca aparecia no torneio; desta vez era a Karen mascarada) a meter os pés mais na terra e a enfrentar as batalhas seguintes com mais seriedade. Assim, nas eliminatórias seguintes, as coisas corriam muito melhor.

Só não puderam lutar contra os franceses, porque os argumentistas inventavam um desfecho diferente para essa eliminatória. O desfecho baseava-se nisto: a estratégia dos concorrentes da França – que eram os irmãos Berret, 3 irmãos com nomes parecidos (um deles era o Jean-Guy Berret, os outros eram algo como Jean-Yves Berret ou Jean-Pierre Berret) – era roubar à socapa as medalhas dos seus adversários e depois vencer por falta de comparência. Os batoteiros! Para sorte dos protagonistas, eles descobriram este esquema a tempo e, com a inesperada ajuda do Phantom Renegade, conseguiam que o Jean-Guy Berret denunciasse os roubos aos responsáveis pelo torneio. O Referee, que tanto costumava ser um alívio cómico, não esteve com paninhos quentes; “Será que ouvi a palavra roubar?”, perguntou. E depois fez uma cara de revolta que nunca o tínhamos visto a fazer! Depois disso, foi uma questão de minutos até os responsáveis decidirem que a equipa francesa ia ser banida do torneio. Decisão que o Referee anunciou.


- Finalmente, a final do torneio. Foi tão épica que durou uns 2, 3 ou 4 episódios. Nessa altura, o Ikki e o Koji tiveram o privilégio de contar com a ajuda de uma cientista que usava óculos como o terceiro membro da sua equipa. Ela veio mascarada de Space Medafighter X (porque o verdadeiro, mais uma vez, faltou…ele só esteve verdadeiramente a representar a equipa japonesa na meia-final, quando eles enfrentaram a Jamaica) e usou o medabot Belzelga, que tinha a fama de ter punhos tão fortes que bastava um soco para inutilizar a medapeça do medabot que levasse o soco. Foi uma batalha dramática, com voltas e reviravoltas. Ora o Japão estava por cima, ora estava o Quénia.

A dada altura, o Sumilidon usava a medaforça e disparava-a em direção ao Warbandit, o medabot do tal Victor, que era claramente o melhor dos medalutadores quenianos. Mas o Warbandit, que não planeava perder, teve a ideia de usar o seu companheiro de equipa Rhinorush como escudo. O Rhinorush ficou um trapo, mas o Warbandit safou-se, claro. Pouco tempo depois, o Warbandit já tinha posto o Sumilidon KO e dado pancada de criar bicho ao Metabee. O Metabee, prostrado no chão, estava mais morto do que vivo e o Victor chegou ao ponto de sentir dó do Metabee. Então, o Victor deu a entender ao Ikki que não valia a pena, que a batalha estava acabada e, sempre sério como tudo, virou as costas e preparou-se para ir embora.

De lá do fundo, um estropiado Metabee chamou: “Iuhu! Onde é que pensas que vais?!”. Pois é; o nosso medabot protagonista fez um esforço hercúleo para se levantar e, ainda a tremer, pôs-se em posição de continuar a lutar. O Ikki apoiou esta decisão do Metabee e o medabot, independentemente do seu cansaço, preparou uma medaforça para derrotar o Warbandit de vez. Neste momento, uma grande parte da audiência pensava que seria este o momento triunfante em que o Japão venceria o Quénia na final. Só que, afinal, não parecia assim tão fácil, porque o Victor estava…a rir-se! Não parecia promissor, pois não? É que ainda por cima, o que o Victor disse depois de se rir deu a entender que o riso dele queria dizer “És tão patético por querer continuar a levar…não sabes mesmo desistir em vez de te envergonhares mais!”. Nestes poucos segundos, o Victor continuava de costas e ainda deu mais uma risada que, agora, já parecia uma gargalhada diabólica. Foi então que o Victor se virou e…milagre! Pela primeira vez vimo-lo sem uma cara séria! Mas digo-vos: até certo ponto era preferível a seriedade! É que, em poucos segundos, a cara que o Victor mostrava era a típica feição de psicopata de desenho animado! Quero dizer…com um sorriso maléfico e os olhos esbugalhados! Céus, como aquele Victor metia medo! E, mais uma vez, sublinho: nós nunca tínhamos visto o Victor com uma cara que não fosse séria. 

Tem calma, mãe, este programa não tem nada de assustad- HOLY SH*T!!!

Vê-lo de repente a mostrar aquela emoção toda foi de estremecer, ainda para mais sabendo que a tal emoção era qualquer coisa parecida com sede de sangue! Brrrrr, que arrepios! Mas adiante…assim que o Victor mostrou aquela cara, bramou para o medarelógio uma ordem para o Warbandit desfazer o Metabee em pedacinhos! (não foram exatamente essas as suas palavras, mas estava subentendido) E o Warbandit pareceu perceber logo e – mais uma surpresa! – preparou uma medaforça para transformar o Metabee em puré! Oh, sim; o público todo ficou estupefacto ao ver que o Warbandit não só podia usar a medaforça, mas também que nunca a tinha usado até uma fase tão tardia da batalha! E…podem pensar que o Ikki e o Metabee guincharam de medo. Mas não; mantiveram a sua pose e coragem e o Metabee lá disparou a sua medaforça contra a do Warbandit. As duas medaforças colidiram…e houve uma daquelas explosões arrasadoras à anime! Uma explosão que libertou pazadas de energia e, se bem me lembro, pó.


Eu sei que é mesmo difícil transmitir a intensidade dos momentos pela comunicação escrita. Mas espero que entendam o quanto aquele momento prendeu a minha atenção e me deu pele de galinha. Ah, e não perguntem quem ganhou; já nem me lembro do que aconteceu a seguir! XDDD


Uma(s) voz(es): Ana Martinez; João Pinto; José Pedro Carvalho; Melanie Baptista; Mónica Chaby; Paulo Martinez; Vasco Luz


Uma(s) personagem(ns): Arcbeetle; Baton; Belzelga; Brass; Cleobattler; Dr. Aki; Erika; Gokudo; Gobanko; Henry; Ikki; irmãos Berret; Kantaroh; Karen; Krosserdog; Koji Karakuchi; Metabee; Oceana; Orcamar; Phantom Renegade; Professor Hushi; Referee; Rhinorush; Rokusho; Samantha; Samurai; Seagaru; Space Medafighter X; Spike; Sumilidon; Victor; Warbandit


Genérico:

Está na hora!

Batalha Robótica

Até ao fim

- Medabots*

 

Não percam o controlo

Vamos triunfar

Eu vou funcionar

Mais potência*

 

Medaforça*

Medapeça*

Medaplano* (Medabots!)

Medafita* (do século 27!)

 

Está na ho...

Está na hor...

Está na hora!

Batalha robótica

Medabots!

 

* - estas partes eram mais faladas do que cantadas (por José Pedro Carvalho a interpretar o Metabee)

 

Interpretado por: José Pedro Carvalho



segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Super Porca

Imagens/vídeos: 





Informação: Há tanto que se pode escrever sobre este desenho animado que nem sei o que esperam que eu escreva primeiro...bom, a primeira coisa que me ocorreu foi quando ia escrever o título dele: é um daqueles títulos que gostou tanto do acordo ortográfico como gostaria de que um tubarão lhe comesse o peixinho de estimação. Como se escreverá agora, "Superporca"? "Super-Porca"? Talvez "Super Porca"...odeio-me um bocado por não saber. Mesmo assim, escolhi o título que está ali em cima para dar destaque ao tipo de super-herói que protagoniza este anime. Porque, realmente, o super-herói é...uma porca. Pois. Uma porca que voa, tem superforça (ai, o acordo outra vez!) e ajudantes para lutar pela paz e harmonia na sua zona. Vê-se à distância que isto é material de paródia, não? E, com efeito, consta nalgumas fontes que este anime foi criado com a ideia de parodiar outras séries de super-heróis. Como As Navegantes da Lua, suponho eu...até porque aqui também era uma adolescente que ia à escola e tudo mas que tinha como part-time ser super-herói. Pergunto-me se passava recibos verdes...X) (nota: não levem à letra esta última linha; era uma piada, ela não tinha literalmente um part-time como super-heroína. É difícil transmitir a ironia através da comunicação escrita, sabem...)

Como já dei a entender, a Super Porca não era sempre uma porca. Era mais uma humana chamada Kassie que, certo dia, começou a poder transformar-se numa porca com poderes especiais. Tudo isso começava num dia em que, de forma um pouco inesperada, ela recebia a visita de Iggy, uma espécie de porco amarelo flutuante, que lhe incutia o dever de ser a Super Porca. Eu nunca percebi as motivações do Iggy, mas suponho que isso até era normal, porque não falavam assim muito delas. Seja como for, a ideia era que a Kassie aceitava o dever de proteger a zona de problemas com os seus poderes e, como uma espécie de recompensa, recebia umas pérolas rosa que saíam de uma espécie de concha de búzio que, vá-se lá saber como, gerava ou transportava pérolas. Estas pérolas, aparentemente, não serviam para vender nem para enfeitar; serviam mais para a Kassie guardar e, ao chegar a um certo número de pérolas, teria uma espécie de recompensa derradeira: davam-lhe a possibilidade de se tornar uma super-heroína humana. O que era, no fundo, o sonho dela. E assim se explica a razão pela qual a Kassie aceitou alguma vez ordens de um suíno voador.

Alguns episódios
- Já escrevi um pouco sobre o primeiro episódio, mas enfim...antes de fazer o "negócio" com a Kassie, o Iggy pediu-lhe para ela se ver ao espelho. A Kassie viu-se ao espelho e reclamou logo: "Isto não é a minha cara! Tem um nariz de porco!". E tinha razão; nesse momento ela já tinha um nariz falso preso à cara. E foi a partir dessa pista pouco subtil que o Iggy começou a explicar-lhe o que ia ser a sua vida a partir daí.

- Num episódio cheio de espirros, havia uma epidemia qualquer na zona da Kassie. Não me lembro se era constipação ou se era uma espécie de febre dos fenos, mas inclino-me para a segunda opção. A Kassie foi uma das mais afetadas, pois não se sentia bem e espirrava bastante. O problema é que os problemas da cidade não metem baixa, por isso a Super Porca, mesmo adoentada, teve de ir salvar um camião que quase saía da estrada e caía por um abismo. A questão é que a Super Porca não conseguia empurrar o camião de volta à estrada, só conseguia segurá-lo, impedindo-o de cair. A Super Porca percebeu que ia precisar de uma força extra e, ainda que contrariada, fez o possível para provocar um espirro bem forte. Espirrou...e o impulso conseguiu levar o camião de volta à segurança!

- Num episódio um pouco confuso, acontecia muita coisa...a Super Porca fazia uma coisa mal, ficava do tamanho de um hamster e acabava numa espécie de julgamento cósmico em que discutiam se lhe devolviam o seu tamanho original ou não. O juiz dessa situação era uma espécie de boca gigante que parecia ser um superior do Iggy. Tanto que este lhe pediu clemência em nome da Kassie. No fim do julgamento, a tal boca gigante decidia que ia devolver o tamanho original à Super Porca, mas o preço era ela perder todas as pérolas que tinha acumulado até aí. Parecia um final um pouco triste apesar de punir a Super Porca pela sua asneira. Mas, numa reviravolta, a boca acabava por devolver as pérolas porque sabia que ela não tinha feito o que fez por mal. E as crianças a ver ficaram contentes!

Uma(s) voz(es): ?

Uma(s) personagem(ns): Iggy; Kassie

Genérico: Desconhecido

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Doremon (1ª versão portuguesa) - apêndice

Aqui estamos para mais um apêndice a um post anterior. Desta feita, o post sobre o famoso gato sem orelhas. Vamos visitar o genérico final (espero que "genérico final" não seja uma redundância, porque as redundâncias são como os mosquitos: às vezes só dás por eles quando eles já te tramaram!) do Doremon, no tempo em que a dobragem portuguesa do nosso gato favorito ainda não tinha a voz de Raquel Ferreira. É isso mesmo: preparem-se para ouvir uma versão bem diferente da cantada por Bárbara Lourenço e ainda mais diferente de "Los Niños de la Tierra"!

Genérico:
Olha que lindo dia
Que belas as flores estão
O sol sorri para ti com alegria

Junta-te a nós e canta
Bem alto esta canção:
Lá lá lá lá
Lá lá lá lá lá
LÁ LÁ LÁ!*

Como amigos, como irmãos
Com um sorriso vamos dar as mãos
Ouve o teu coração, escuta o que ele diz
Vamos fazer à nossa volta um mundo mais feliz

Vivemos todos no planeta Terra
Tanta beleza o universo encerra...
Por isso olha com atenção em teu redor
Juntos teremos na nossa mão um mundo melhor


Interpretado por: Sissa Afonso

* - sim, era a voz do Gigante que trauteava, num tom nada harmonioso, esta parte! Tal como nas outras versões do genérico. Não havia isso do "Lalaiaiô!" - que, por sinal, foi mantido pela versão mais moderna deste genérico. Não sei porquê, talvez não tivessem o Quimbé no estúdio no dia em que gravaram o genérico...seja como for, esta versão que lembrei é, até à data, a única que fez uma versão portuguesa do "Lalaiaiô!". E, naturalmente, prefiro o "LÁ LÁ LÁ!" do meu tempo. Soava mesmo como o Gigante a armar-se em cantor lírico e a soar mal à brava!

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Fancy Lala

Imagens/vídeos:





Informações: O nível de "esquecimento" deste desenho animado é bastante relativo, mais ainda do que todos os outros mostrados neste blog. Quer dizer, é certamente um dos que passou na televisão há menos tempo. É difícil dizer quando, mas creio que terá sido por volta de 2004 ou 2005. Portanto, até certo ponto, não pode estar assim muito esquecido. Mas a verdade é que, embora apresentasse uma protagonista "fofinha" que fazia magia de vez em quando, não teve a popularidade de animes semelhantes como As Navegantes da Lua, Doremi ou, quem sabe, Sakura. Ou seja: comparado com estes outros, está bastante esquecido. E, até certo ponto, não admira; o seu final era um pouco mind-blowing, triste e talvez um pouco chocante para os pobres infantes que acompanhavam este anime no Canal Panda.

Adiante! O ponto de partida deste anime era a de que Miho, a típica moça japonesa que anda na escola, de repente, recebe a visita de dois seres mágicos e passa a viver com eles e rodeada de magia. Os dois seres mágicos desta vez são Pigu e Mogu, dois seres bonitos mas muito estranhos que conseguem levitar. Uma é fêmea, o outro é macho, o que se nota pelas suas cores (branco com rosa e branco com azul, respetivamente). Pigu e Mogu não se parecem quase nada com nenhum animal que alguma vez tenhamos visto. Quando muito, parecem uma mistura muito alterada de coelho com olm. Talvez tenham também um bocadinho de dragão. Seja como for, eles trazem à Miho uma mochila especial com uma espécie de caneta mágica que faz magia quando ela junta a tampa ao resto da caneta. Ou lá o que era; este desenho animado era esquisito. Enfim, com a tal caneta, a Miho podia transformar-se numa adulta com cabelo azul. Sim, como o Tom Hanks no filme Big, mas sem a máquina Zoltar. Ora, entre as dezenas de coisas que pode fazer com isto, o que é que a Miho decide fazer? Tornar-se uma cantora pop que só trabalha ao fim de semana! Pois...porque não? É o tipo de coisa que nós, crianças, engolíamos à primeira. Agora que alguns de nós são adultos, a história é outra e começamos a questionar as coisas. Exemplo: porque queria ela ser cantora ao fim de semana? Porque pela fama, adoração e isso tudo não era, porque durante a semana ela não podia disfrutar de nada disso. Mas enfim; perguntas que mais tarde nos aparecem na cabeça.

Como eu disse, este desenho animado era esquisito. Nem tanto pela caneta mágica, mas mais pelo tom de alguns episódios. É que não só vários episódios se levavam demasiado a sério, com imagens e música meio "góticas", mas também alguns episódios pareciam algo que tinha sido escrito enquanto os argumentistas se enfrascavam com absinto. Isto porque, apesar de este anime ser para um público infanto-juvenil, havia episódios que deixavam os espetadores perdidos, sem perceber nada do que se estava a passar. E isso, na nossa verde idade, era um pouco assustador. É que não perceber porque é que uma coisa má está a acontecer é ainda mais assustador quando somos menores. E depois havia o Sr. Misterioso. Utilizador compulsivo de um chapéu, esta personagem (que era estranhamente idêntica ao pai da Miho, a ponto de muitos pensarem que ERA o pai da Miho) fazia jus ao seu nome, porque aparecia de repente no episódio e dizia coisas genéricas que não serviam de muito. Mas, não se sabe bem como, acabava por ajudar ou causar uma mudança na situação, apesar de a sua mensagem ser muito difícil de decifrar. Nisso, lembrava um pouco aqueles velhos sabichões da cultura pop, como o miúdo guru do programa Recreio ou o mestre Yoda.

Alguns episódios
- Num dos primeiros episódios, depois de conhecer Pigu e Mogu, a Miho foi experimentar fazer uma espécie de audição para ver se conseguia que uma produtora musical apostasse nela como cantora. Transformada na tal Lala, a adulta de cabelo azul, a Miho sacou dos seus dotes canoros e, acompanhada por um pianista, cantou uma melodia muito bonita com mestria. Tanto que a assistente da produtora a aplaudiu de pé a sorrir enquanto a produtora, mais sóbria, pensava "Esta rapariga tem talento.". Sim, isto muito antes daquele tempo em que os Morangos com Açúcar tornaram a palavra "talento" uma palavra de uso comum.

- Num dos tais episódios que deixavam os petizes perdidos sem perceber nada, a Miho estava na sua vida comum quando, de repente, começaram a acontecer coisas estranhas. Não sei se ela foi parar a um universo paralelo onde havia um clone dela, mas a questão é que ela estava a fazer o seu dia e etc...quando de repente encontra três dos seus amigos a conversar numa esplanada. Ela decide cumprimentá-los com uma brincadeira, olhando para eles entre os arbustos que delimitam a esplanada. Qual não é a surpresa da Miho - e a das crianças - quando os amigos olham para ela como se não a conhecessem! E é que não conhecem mesmo; olham para a Miho, não dizem nada, ficam ali um bocadinho a pensar "O que é que esta nos quer?!" e depois voltam à sua conversa! E antes que pensem que isto foi só um episódio na senda daquele enredo muito usado na BD (o da personagem que viaja no tempo sem saber e depois ninguém a conhece), vejam só o que acontece mais tarde: a Miho, transformada em Lala, anda num edifício abandonado em busca de uma resposta. Eis que, do nada, aparece à sua frente...a Miho! Sim, a Miho está basicamente a olhar para si própria. Este clone da Miho cumprimenta a Miho/Lala, sorrindo.
Isto está a ficar arrepiante, não é? Mais ainda se considerarmos que esta cena se passa num edifício abandonado e no meio de um silêncio ensurdecedor. Sim, não há música nenhuma nesta sequência; só um silêncio desconfortável que nos fez temer que, de repente, o clone da Miho saltasse para cima da Miho e a esmagasse como uma batata frita!
E como acabou esta situação toda? Bem, o clone da Miho disse umas coisas esquisitas, em vez de ter o juízo de explicar quem era e porque estava a fazer aquilo, e depois disse que já chegava...e foi-se embora! Assim, sem tugir nem mugir! Eu desconfio que este episódio fez com que muitas pessoas com menos de 18 anos tivessem um AVC de tanto nós no cérebro que o episódio lhes deu. Pudera...


- O penúltimo e o último episódio desta série merecem ser analisados juntos. Até porque fazem parte dos episódios mind-blowing deste anime. Ok, vamos lá ver...o que acontece é que a Miho está descansadinha no seu quotidiano quando percebe que perdeu a mochila com os acessórios mágicos. Naturalmente, fica aflita, assim como Pigu e Mogu. Sendo assim, os três partem numa jornada para descobrir a mochila. Procuram-na em todos os possíveis sítios onde estiveram no dia em que a mochila se foi. O que não é fácil, porque são muitos sítos. Mas enfim; não descobrem rigorosamente nada. Nessa noite, estão no quarto a descansar e a pensar. Mas...ah! A Miho lembra-se que Pigu e Mogu podem fazer magia para fazer aparecer a mochila! Tal como fizeram no dia em que ela os conheceu. Pigu e Mogu hesitam, mas decidem tentar. Fazem então a dança voadora que os permite fazer magia. Um círculo azul aparece e...e...e...

...e nada. Literalmente nada, porque Pigu e Mogu desapareceram! Sem deixar rasto! Simplesmente desapareceram no círculo azul e este também se foi! E tudo o que sobra é...silêncio. Novamente um silêncio ensurdecedor! A Miho, chocada, olha para o espaço onde, há segundos, Pigu e Mogu voavam. Agora está vazio. E a Miho está sozinha. Inexplicavelmente, inesperadamente sozinha. Os seus olhos tremem. Vai chorar dentro de segundos. E o episódio acaba.

Sim, o penúltimo episódio acaba assim, desta forma insana! Porque, quer dizer...será que os argumentistas não sabem que as crianças a assistir se vão sentir chocadas? Que vão querer saber o que raio aconteceu ali? E, mais ainda, que vão chorar?! Porque, convenhamos, os desenhos animados podem envolver muito. E como vão algumas crianças reagir ao ver os seus "amigos" Pigu e Mogu desaparecer assim, sem motivo aparente? E ao perceber que a Miho está sozinha?!

Mas calma, ainda falta outro episódio, o último! Naturalmente, os argumentistas vão usar parte do episódio para explicar um pouco do que aconteceu, não é?
NÃO!
Surpresa, o último episódio não explica nada! O último episódio não é mais do que um epílogo que mostra o que aconteceu depois de a pobre Miho ter perdido os seus amigos e os seus poderes mágicos! E as consequências do desaparecimento súbito da famosa cantora Fancy Lala! É um episódio de tom pesadíssimo e triste. E as crianças ficam assim, sem explicação! Ninguém sabe o que aconteceu a Pigu e Mogu nem se alguma vez Miho os voltará a ver! Ah, mas calma, caaaaaaalma! É que as bizarrices não ficam por aqui! Sabem o que mais acontece? Eu digo-vos: ao tentar voltar à sua vida normal e sem magia, a Miho vai fazer uma viagem de comboio. Os pais dela acompanham-na à estação e a Miho espera, em pulgas, pelo comboio. Enquanto espera ao pé da linha, o seu pai, sentado num banco, põe um chapéu e diz: "Já não és uma menina pequena...não é verdade, Miho?". E diz esta segunda parte com a voz do...Senhor Misterioso! Pam-pam-paaaaam! E quando todos estão convencidos que o anime vai aproveitar para revelar que, afinal, o Senhor Misterioso era o pai da Miho com um chapéu e uma voz diferente, eis que a mãe da Miho se ri da figura do pai e pergunta "Ó filha, quem é que te faz lembrar?" e a Miho, enigmaticamente, responde: "Não sei. Mas devolve-mo.". E sabem que mais? O pai da Miho não agiu nada como Senhor Misterioso e simplesmente mostrou o seu embaraço, dizendo: "Ah, mas eu pensava que mo tinhas dado! Pensava que me ficava muito bem!". E mais nada! Nada mais é revelado sobre o Senhor Misterioso! Nem sobre a forma como ele aparecia em todo o lado como se fosse um fantasma!

Esperem, esperem, não saiam ainda! Ainda há mais bizarrice!




Vejam só o que acontece também: a Miho está sozinha no quarto, à noite. Está descansadinha a viver a sua tristeza. De súbito...ouve uma voz familiar que chama "Miho!". A Miho volta-se logo...mas não está lá ninguém! Mas é a voz da Mogu! E aquela a do Pigu; são as vozes deles, claramente! Onde estão eles? Não estão no quarto da Miho...mas ela consegue ouvi-los! A Miho emociona-se e ouve os dois drago-coelhos voadores a dizer-lhe olá e a dizer que têm saudades dela! A Miho não aguenta e fica de cócoras a chorar enquanto balbucia que gostava muito de voltar a vê-los e suplica que voltem para ela! E vejam bem...Pigu e Mogu não respondem! Vocês estão a ver o nível de what-in-the-bloody-world?! desta cena? Pigu e Mogu têm uma oportunidade de trocar umas palavras com a pobre Miho e depois de a cumprimentarem e dizer que têm saudades, calam-se que nem ratos...voadores! Não lhe explicam o que diabo aconteceu, não lhe dizem se estão bem e de saúde, não lhe dizem se podem algum dia voltar a vê-la...como diria a lógica! E não é que depois a Miho tem de continuar a sua vida como se nada se tivesse passado? Enquanto os amigos da Fancy Lala choram o desaparecimento misterioso dela, a pensar que lhe aconteceu alguma coisa grave?! VALHA-ME. A. SANTA!!!

E o episódio ainda não acabou. Alguns dias depois, algures na rua, a Miho dá de caras com Komi, o homem que preparava o seu cabelo quando ela era a cantora Fancy Lala. O Komi sempre foi um cromo, diga-se de passagem. Mas o Komi fez o favor de apanhar o chapéu que a Miho tinha deixado fugir com o vento. A Miho agradece-lhe e, num impulso, chama-lhe Komi, como se o conhecesse. Ele acha que não a conhece, mas mesmo assim decide oferecer àquela estranha um novo penteado. Então, pede à Miho que se sente ali e trata de lhe mexer no cabelo. Deixem-me recapitular, para ver se se percebe como isto é perturbador: um homem adulto conhece uma criança bonita no meio da rua e pede-lhe para se ir ali sentar com ele enquanto ele lhe mexe no cabelo!!! Este episódio é demais, não é? Mas pronto, o Komi sempre foi bom tipo e nós, espetadores, sabíamos que ele não ia fazer mal à Miho. O que acaba por acontecer é que ele lhe faz um penteado novo. A Miho vê-se ao espelho...e o Komi trata-a por "Lala"! A Miho, naturalmente, assusta-se! Mas ele explica calmamente que ele conhece o cabelo da Lala melhor do que ninguém e ficou a saber quem ela era. Enquanto a Miho digere a surpresa, o Komi sugere-lhe que sorria e pense que dentro de uns anos poderá ser a verdadeira Fancy Lala. E...fim!




E é isto! O episódio acaba, enquanto muitas crianças caem do sofá e/ou esbracejam enquanto têm uma convulsão de tanto absurdo que viram! Não há explicação para o desaparecimento de Pigu e Mogu! Nunca mais ninguém ouve nada da mochila! E nenhuma conclusão se tira acerca do Senhor Misterioso! E a pobre Miho fica quase sozinha, sem os seus amigos voadores! E com a missão de, daqui a uns anos, "substituir" a Fancy Lala! Ou seja: substituir uma cantora adorada por todos que desapareceu inexplicavelmente e deixou milhares de fãs e amigos a chorar! A Miho vai substituí-la! Como se isso fosse possível! E como se isso apagasse todo o sofrimento que um desaparecimento tão horrível causou! O desaparecimento mais bizarro e inexplicável desde Louis Le Prince!

!

Pois.

Não haja dúvida que, mesmo contendo uma maioria de episódios "normais", fofos e sem absinto, este anime é uma das coisas mais chocantes e bizarras que a televisão portuguesa já transmitiu. E, também por isso, nunca mais o esqueci. E, por isso, digo com gosto: Fancy Lala é um dos desenhos animados esquecidos que mais merece ser lembrado. É uma loucura completamente emocionante.


Uma(s) voz(es): Ana Luís Martins; Bárbara Lourenço; Carla Garcia; José Martins; Mário Bomba; Vítor Emanuel

Uma(s) personagem(ns): Haneishi; Hiroya Aikawa; Kanno; Komi; Lala; Miho; Mogu; Pigu; Senhor Misterioso; Taro Yoshida; Yoshio

Genérico: em japonês

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Azuki

Imagens/vídeos: 



Informação: Um anime meloso e simples que fez parte da infância de muitos. Até porque de tempos a tempos era reposto. E, curiosamente, o que mais mudava não era a equipa de dobragem (aqui feita gentilmente pela mesma equipa que dobrou Digimon); era o genérico! Quando este programa começou a ser transmitido, o genérico era cantado em japonês. Mais tarde, tiraram a cantoria e ficou só o instrumental. Finalmente, fizeram uma adaptação do genérico para português! "Fico feliz, fico feliz, quando estás perto de mim(...)"


À parte disso, este desenho animado era sobre um jovem estudante chamada Azuki que tinha uma paixão platónica pelo seu colega Mike. O Mike era um bom rapaz e a sua beleza e forma física atraía muita gente. Resultado: a Lisa, uma espécie de arqui-inimiga da Azuki, andava sempre atrás dele. Só que ela era muito mais "peixeira" ao mostrar a sua queda pelo Mike e quase não olhava a meios para atingir os seus fins. Felizmente, a Azuki tinha o apoio das suas amigas como a Beth, a Cathy e uma menina de óculos muito ajuizada. Também tinha amigos, mas eles eram um pouco pestinhas: o Ken e o Joey. Os dois eram amigos, mas o Ken era o mais espevitado e brincalhão. Aliás, o Ken gozava muitas vezes com a Azuki. Embora, secretamente, ele nutrisse uma paixão por ela. Mal ele sabia que a pobre Beth gostava dele...ai, tantos triângulos amorosos! Agora ficou a parecer uma novela mexicana...

Alguns episódios
- A Cathy andava a comportar-se de maneira estranha, pedindo a algumas pessoas comidas estranhas como couves não vendidas e massas instantâneas. Quando lhe perguntavam o que se passava, ela justificava-se com a família: "A minha avó gosta muito de massas instantâneas!". No fim de contas, aquilo era tudo mentira e o que se passava era que a Cathy tinha "adoptado" um coelho e estava a dar-lhe de comer. E escondeu isso porque não queria que a avó dela soubesse. É que a avó dela era bera. Nas palavras da Azuki, a avó da Cathy era tão teimosa como a neta.

- Durante parte dos episódios, uma personagem teve uma pequena cadela chamada Lucy. Quando o Mike foi para fora, pediu à Azuki para tomar conta da Lucy. Ela fez isso o melhor que pôde e depois o Mike voltou para vir buscá-la. A Lucy ficou toda contente e deu umas lambidelas na cara do Mike, como alguns cães fazem. O Mike ria-se e a Azuki murmurava: "Tenho inveja da Lucy. Se eu pudesse mostrar os meus sentimentos ao Mike como a Lucy faz...". Só que o Ken ouviu o que ela murmurou (ou talvez não tenha ouvido; a cena era um pouco ambígua em relação a isso), fez uma cara toda gozona e, rindo-se, disse: "Azuki, porque é que não te atiras ao Mike, como a Lucy faz?!". Pois é...o rapaz era um gozão, mas às vezes tinha sentido de humor.

- Ainda hoje me lembro de um dos episódios finais, em que a Lisa estava a gritar com o Mike e ele defendia-se...nesse dia, o Mike assumiu claramente à Lisa: "Eu amo a Azuki!". Suponho que tanto a Lisa como eu trememos ao ouvir essa frase; no fundo, foi um choque. Quer dizer...quantas vezes nos desenhos animados da manhã é que se ouve a palavra com "A"? ;)

Uma(s) vozes: Bárbara Lourenço; Graça Ferreira; Mónica Garcez; Nara Madeira; Paulo Coelho; Pedro Borges

Uma(s) personagem(ns): Azuki; Beth; Cathy; Joey; Ken; Lisa; Lucy; Menina Michelle; Mike


Genérico: em japonês

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Super Campeones

Imagens/vídeos:





Informação: Ponto prévio: a principal razão deste post é a minha recente ida a Espanha, que me encantou. Agora, também em homenagem à boa gente com quem lá estive, vamos excepcionalmente conhecer a versão espanhola de um desenho animado que passou no Canal Panda há uns bons anos.
Atenção! Eu chamei-lhe "espanhola", mas refiro-me sobretudo à linguagem falada no programa. Eu não tenho a certeza, mas é bem provável que a dobragem deste programa a que me refiro (o tal que passou no Canal Panda há uns anos) seja a dobragem mexicana, e não espanhola. Contudo, uma vez que eu adoro dialectos latinos, a homenagem centra-se no espanhol e na sua sonoridade, não necessariamente no país de origem desta versão. Fica o aviso.

Em frente!

Fãs de Oliver Tsubasa, preparem-se para um choque! Estão preparados? Bem, aqui vai: anos antes de a televisão portuguesa nos mostrar a versão portuguesa das aventuras deste grande futebolista japonês, passou na televisão uma versão espanhola (ok, talvez mexicana...) do nosso Oliver! É verdade; como já disse, passou no Canal Panda, naquele tempo em que a TV Cabo ainda tinha o seu quê de novidade e só os mais modernos e/ou abastados tinham TV Cabo e podiam ver o Canal Panda. Podem ver mais evidências do que estou a dizer nos comentários daqui. Adiante...note-se que os animes deste futebolista foram tantos que é difícil especificar qual deles foi. Mas enfim...o que posso dizer desta versão espanhola é que, além de passar com o áudio espanhol com legendas em português (sim, tal como o Doraemon fez durante muitos anos!), estas aventuras eram muito semelhantes às que passaram na televisão portuguesa. Ou seja: como de costume, era a equipa do Oliver contra as restantes equipas, nomeadamente a do Mark Landers. Mas, nestes desenhos, o Oliver e os seus amigos Jamie, Bruce, Paul e afins pareciam homens feitos. Nada das crianças que apareciam nas versões portuguesas. Estes eram altos, espadaúdos e tinham vozes adultas! Pois é: a dobragem espanhola dava às nossas personagens vozes graves e determinadas que os faziam soar como adultos. E provavelmente era essa mesma a ideia...seja como for, a diferença em relação à dobragem portuguesa é muito grande. E, claro, quem vir esta dobragem agora vai sentir falta da arrasadora voz de Paula Seabra, mais conhecida como "Oliver Tsubasa".



Eu sei, Carter Taki...é surpreendente, não é?



As diferenças não ficavam por aqui. Algumas até são bastante curiosas. Exemplo: nesta versão, não há exactamente um Tobey Misaki (lembram-se dele?). Há, sim, um tal "Tom". Não me lembro com certeza se o último nome deste Tom era Misaki, mas é notório que este é uma versão alternativa do Tobey. Porquê? Bem, primeiro pela semelhança do nome (Tom-Tobey). Depois, por o Tom ser o melhor amigo do Oliver. Depois, por o Tom, assim como o Tobey, ser o melhor jogador da equipa a seguir ao Oliver. Finalmente, por alguns traços faciais, como o cabelo castanho em formato semelhante ao de uma tigela - que era um visual que o nosso Tobey por vezes tinha, embora nem sempre; lembram-se de quando ele tinha cabelo comprido e negro? - e o brilho nos olhos dele quando jogava ou via jogar. É, este Tom é claramente o Tobey. Outra diferença é o surgimento de uma personagem chamada Terry, que se bem me lembro não existe na versão portuguesa. O Terry é um rapaz que vem sabe-se lá de onde para jogar na equipa do Oliver. Ele pensa que estão todos à espera dele, mas quando chega lá...ninguém sabe quem ele é! À parte disso, o Terry é um grande jogador e tem uma finta tramada que se chama a "finta de 90 graus". Ele chega mesmo a ser chamado à selecção japonesa. Portanto, já se vê que não é só mais um jogador; é dos bons! E...e...finalmente, o genérico era diferente. Nada de Benji-Oliver nem de vitória nesta história; o genérico que passava no Canal Panda era cantado em japonês, com um gentil "Super Campeones!" dito por uma voz de homem. A versão que aqui vos mostro não é exactamente a que passava, mas foi o mais próximo que encontrei...

Pois é; anos antes de jovens futebolistas como Oliver Tsubasa, Ed Warner, Suichi Hiroshi, Julian Ross e muitos mais nos deliciarem com o seu futebol sub-17 (ou lá o que era), já alguns de nós conheciam estas personagens e conheciam-nas como adultos machões que estavam constantemente a usar a expressão "disparar" (em português é rematar). E com um genérico diferente, mas marcante. É uma memória deveras curiosa, na minha opinião...e viva Espanha! ;)

Alguns episódios
- Vários episódios destes eram semelhantes aos da versão portuguesa. Mas vejamos...bem, houve um em que havia uma confusão de lesões na equipa do Oliver. Uma delas era a do Benji, que ao defender uma bola deu uma cambalhota, o seu pé foi projectado para cima e bateu contra um poste. E como ele gritou de dor...parecia um dos gritos do Dragon Ball!

- No tal episódio em que o Terry chega e ninguém sabe quem ele é, o treinador não hesita; põe o Terry a jogar. É um jogo importante, mas ele é lançado às feras. E o Oliver, com a sua fé nos outros, percebe que o Terry está isolado e arrisca passar-lhe a bola para ele rematar. Ele, surpreendido, experimenta um pontapé de bicicleta...e marca! E acaba a chorar. Os outros perguntam-lhe o que é que ele tem e ele explica que são lágrimas de alegria por o Oliver ter confiado nele sem nunca o ter visto jogar!

- Num dos clássicos jogos Oliver vs. Mark, o grande Ed Warner (pode não ser exactamente este o nome...) decide sair da baliza, correr até à outra área e rematar. Na sua cabeça, ouve-se "Benji, como sou guarda-redes, conheço a fraqueza dos guarda-redes!". E o episódio acaba. Claro que, no episódio seguinte, o Benji percebe o que ele vai fazer. Porque é guarda-redes, pois então!

Uma(s) voz(es): ?

Uma(s) personagem(ns): Benji; Oliver; Terry; Tom

Genérico: em japonês

sexta-feira, 21 de março de 2014

Robin dos Bosques

Imagens/vídeos:







Informação: Muita gente conhece pelo menos parte da história do Robin dos Bosques, não é? Bem, este desenho animado explorava um pouco essa história. Aqui, não há Robin Hood nem Little John; há o Robin dos Bosques e o João Pequeno! É uma das características da versão portuguesa deste programa: é tudo em português. Robin e João Pequeno começam por ser rivais, mas com o passar do tempo vão-se dando melhor, embora o João Pequeno se ache muito bom e muito corajoso. A verdade é que, na versão portuguesa, ele tem uma voz ainda mais grave que a de Robin…voz essa que, salvo erro, nunca mais ouvi numa dobragem. Nem a de Robin, creio...de qualquer maneira, o grande herói aqui é Robin. Apesar de ter fair-play, ele encara os desafios com uma cara muito séria e nunca menospreza o seu adversário. Este Robin dos Bosques deve ter sido um dos poucos animes japoneses dobrado em português que não ficou muito na memória das crianças; geralmente, os animes que passam em canais abertos e têm direito a dobragem são recebidos um pouco melhor.

Alguns episódios
- Tive a sorte de ver o episódio em que Robin conhece o João Pequeno. Os dois trocaram uma luta de olhares, por assim dizer, e Robin quis saber o nome de João. Ele respondeu, claro, que se chamava João. Porém, ao ver João todo carinhoso para com um cãozinho, Robin basicamente muda-lhe o nome para "João Pequeno"! E a alcunha, como sabemos, fica!

- Dois tipos estão a lutar com espadas lá pela floresta. A certa altura, um é borrifado com água. Sem perder a calma, ele diz algo como: "Ei...oh...água não vale!". O frade, que acabou de lhe atirar água, responde ironicamente: "Pode ser que água te sirva para refrescar as ideias!". Quando o tipo que levou com água se zanga a sério, o Frade é salvo por Robin!

- O João Pequeno está à procura de um tesouro numa espécie de castelo, juntamente com alguns da sua trupe. A certa altura, eles vêem algumas cordas a pedirem para ser puxadas (não literalmente...). Sem medo das possíveis armadilhas, João Pequeno mete calmamente a sua espada debaixo dos pés e puxa uma corda. As pedras debaixo dos pés dele abrem-se...mas ele não cai! A espada mantém-no bem apoiado entre as pedras que sobraram. O João Pequeno ri-se da armadilha e vangloria-se por não ter caído. Depois, diz "Vamos experimentar esta agora!" enquanto puxa outra corda. E encontram o tesouro! Se bem me lembro, aquilo depois azedou...

Uma(s) voz(es): Adriano Luz

Uma(s) personagem(ns): um frade; João Pequeno; Robin dos Bosques

Genérico:
Vivem escondidos
Ele e os seus amigos
Fortes, destemidos
Nas florestas e nos bosques

O seu dirigente
Hábil e valente
Que vai sempre à frente
Chama-se Robin dos Bosques

É o Robin,
Nós chamamos-lhe assim
Quando vai à liça
Praticando o bem e a justiça

É o Robin
Numa luta sem fim
De santa vontade
Não lhe escapa nada

Sempre que um povoado
Seja maltratado
Por qualquer malvado
Além, o Robin dos Bosques

Quando o inimigo
Faz mal a um amigo
Ele não foge ao perigo
Valente Robin dos Bosques!



Interpretado por: Helena Isabel