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domingo, 14 de dezembro de 2014

O Patinho Feio

Imagens/vídeos:



 



Informação: Provavelmente o mais marcante desenho animado da Neptuno Films que os portugueses puderam ver, este O Patinho Feio era um divertido e belo programa cujas personagens esbanjavam carisma. Pegando numa história tão "redonda", vá, como a do patinho feio, os autores deste programa usavam bem a imaginação para criar personagens animadas e aventuras interessantes para o nosso patinho feio e os seus amigos. Mas vamos por partes...para início de conversa, o desenho animado nem começava com o patinho feio; começava com um animal que tocava guitarra, chamado Marcolino, que tinha a seu lado um grupo de animais pequenos que queria ouvir as histórias dele. Escusado será dizer que a história que o Marcolino mais contava era a do patinho feio, mas contava-a aos bocadinhos, qual princesa Sheherazade. Às vezes, também cantavam canções, mas geralmente os pequenos gostavam mais era de ouvir a saga do Feio (que era o nome que deram ao patinho feio).

Dentro da história, o Feio vivia numa espécie de quinta, ao pé de um bosque, com vários habitantes de uma sociedade consideravelmente organizada. Vivia com os seus pais e irmãos e tinha "tios" que não eram bem tios; digamos que mais facilmente seriam os seus padrinhos. Os tios em questão eram o galo Mariano e a sua mulher. Ambos carismáticos, Mariano era um galo que tinha dificuldade em acordar para cantar e acordar a quinta, pelo que a sua mulher costumava acordar mais cedo que ele e acordá-lo para ele cantar. Só que o Mariano tinha um sono pesado, o que levava a que a mulher tivesse de gritar a plenos pulmões: "MARIANO!!!". E só então ele acordava, sobressaltado. O Feio tinha ainda o seu melhor amigo Nico, um porco gordinho e alegre, e o seu interesse amoroso, a patinha Patty, que sempre gostou do Feio independentemente do seu aspecto exterior. Outros habitantes da quinta eram o pai do Nico, um boi, o coelho Cândido e a tartaruga macho Fitibaldi. Este último era um pouco uma piada recorrente neste programa, porque o Fitibaldi gostava de combater a sua condição de tartaruga com um motor instalado na sua carapaça. O problema é que o motor quase nunca funcionava bem e aconteciam muitas trapalhadas por causa disso! Havia ainda uma ou outra personagem secundária que aparecia só num ou dois episódios. No geral, o céu era o limite; neste programa podiam aparecer super-heróis maus, jogos de vídeo falantes, plantas carnívoras, bruxas...e só escolher!

Depois, existiam os vilões do costume. Duas raposas macho mal intencionadas que não olhavam a meios para atingir os seus fins. Eram uma dupla curiosa, pois até eram capazes de conviver com os habitantes da quinta de vez em quando desde que eles ignorassem as maldades que eles já tinham feito. Um bocado como o Goma e o Cola de A Loja do Noddy. À parte disto, uma das raposas era o chefe e a outra era o ajudante burro. Clássico! Naturalmente, o chefe arquitectava os planos e o ajudante tentava ajudar a levá-los a cabo...mas acabava por estragar tudo. Se bem que o chefe também não era uma inteligência por aí além; lembro-me de um episódio em que eles tinham dinheiro e o chefe mandou o trapalhão à cidade para investir o dinheiro. Se não me falha a memória, o trapalhão foi a um banco, onde, logicamente, lhe depositaram o dinheiro e lhe deram um talão. O trapalhão ficou sem perceber o que tinha acontecido e foi falar com o chefe. Ele perguntou-lhe o que tinha feito ao dinheiro e ele explicou que o tinha dado a um homem e "Ele deu-me isto!". O chefe barafustou: "Um papel?!" e, num acesso de raiva, rasgou o talão todo. Freaking genius!... suponho que já sabem o que aconteceu a seguir; eles voltaram ao banco e pediram o dinheiro de volta, mas o homem disse-lhes que sem talão não havia dinheiro.

Alguns episódios

- Os habitantes do bosque decidem fazer uma animada corrida a pares no bosque. Cada par usa o seu veículo como bem entender, desde que joguem limpo. Mas, claro, as duas raposas também vêm competir e preferem tentar fazer batota. Coisa que fazem durante algum tempo. Mas acabam por se dar mal. Entretanto, os outros concorrentes jogam limpo e tentam vencer os obstáculos para chegar ao final. Quando a corrida está perto do fim, sem que nada o faça prever...o Fitibaldi e o Cândido passam a meta e ganham a corrida! É uma coisa completamente inesperada, até porque eles só apareciam de vez em quando na corrida e sempre com dificuldades em controlar a velocidade do Fitibaldi. Quando ganham, é mesmo uma surpresa, pois até parece que não foi feita justiça ao Feio e ao Nico, que tanto padeceram com a batota das raposas. Mas eis que um deles (acho que foi o Fitibaldi) agradece o troféu, mas diz que o vai dar aos "verdadeiros vencedores", o Nico e o Feio, pela sua dedicação e entrega! Pois é...neste episódio, os nuestros hermanos enganaram-nos bem, fazendo-nos crer por momentos que o karma não existia n'O Patinho Feio...

- O Nico encontra uma espécie de jogo de vídeo com um anfitrião amarelo que fala. Todo entretido a jogar o tal jogo, o pobre Nico não se apercebe que, de cada vez que ele perde, parte do bosque onde os nossos amigos vivem desaparece! Quando ele percebe isto, tenta reparar a situação jogando para recuperar o bosque...mas perde! Eis que o bosque está quase a desaparecer por completo e o anfitrião, maquiavélico, diz que lhes devolve o bosque se o Nico ganhar a seguir. Ele pergunta o que acontece se ele perder e a voz robotizada responde friamente: "Nesse caso, todo o bosque desaparecerá!". O Nico tem juízo e diz que não vai arriscar perder o pouco bosque que resta por causa de um jogo. Mas o anfitrião insiste: "Joga!". O Nico repete que não. O anfitrião tenta então hipnotizá-lo ("Joga!"), mas o Nico zanga-se a sério e grita "Nunca!". Dito isto, atira o jogo de vídeo contra uma árvore ou pedra qualquer. Passado pouco tempo, o bosque reaparece e tudo volta ao normal. Graças ao juízo e à vontade de ferro do Nico!

- Ainda cheguei a ver o episódio final. Tal como na história original, o nosso Feio descansa numa gruta e as suas penas começam a mudar, transformando-se num belo cisne. Pouco tempo depois, ele e a Patty têm filhos e os seus amigos reúnem-se para os ver sair do ovo. E, surpresa, o quarto filho sai...um patinho feio! O Feio e a Patty riem-se e abraçam-se. E é basicamente isto.

Uma(s) voz(es): Clara Nogueira; João Cardoso; Jorge Vasques; Raquel Rosmaninho; Rui Oliveira; Sissa Afonso; Zélia Santos

Uma(s) personagem(ns): Cândido; Feio; Fitibaldi; Kiki; Marcolino; Mariano; Nico; Patty

Genérico: Desconhecido

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Bandolero

Imagens/vídeos:





Informação: Um programa com uma fórmula um tanto ou quanto semelhante à do Robin dos Bosques. Vejam bem, o protagonista é um ladrão! É verdade; um ladrão chamado Bandolero. Ele e os seus três amigos formam um grupo que se esconde lá para a floresta, perto de uma gruta. Os maiores inimigos de Bandolero são homens antipáticos e um tanto ou quanto tiranos. E se bem me lembro, o arqui-inimigo do Bandolero - chamemos-lhe Rodrigo, embora eu não me lembre se era esse o nome na tradução portuguesa - tinha um cargo qualquer no exército; até tinha uma roupa especial de corrida (isto não vos lembra o Zorro?). E obrigava os habitantes do local a pagar grandes impostos. Aí é que os “serviços” do Bandolero e do seu bando se tornavam necessários; eles basicamente roubavam aos ricos para dar aos pobres – lá está, a fórmula “Robin dos Bosques”. Quando calhava, o Bandolero até assaltava os seus inimigos. Mas ele tinha um ponto fraco: uma mulher (com a voz de Margarida Machado). Uma mulher fina que vivia numa casa e até tinha empregada doméstica. Mas essa mulher amava o Bandolero, não tenham dúvidas. E ele visitava-a indo ao pé da sua varanda ou subindo mesmo lá para cima, qual príncipe que sobe pelas tranças de Rapunzel. Quanto aos companheiros de Bandolero…o “Dragabuche” é gordinho, divertido e parece gostar de comer. A Rosita e o Tony (este lê-se Tóni e não Tóní) vão acabar por se tornar um casal, embora no princípio não se perceba nenhuma química especial entre eles. E há ainda o Flaco, o cão do Bandolero. O Flaco não fala, mas pensa e consegue comunicar com outros cães com uma espécie de telepatia.

Este programa, creio, vinha de uma empresa espanhola que tinha uma espécie de Rei Neptuno como símbolo: a Neptuno Films. Embora um tanto ou quanto esquecido, esse Rei Neptuno trouxe vários desenhos animados em alturas diferentes da minha infância. Entre eles, um que se chamava algo como “Bogey Bogey”, assim como “O Patinho Feio” (de que vou falar noutro post) e um desenho animado sobre monstros. É, estou muito agradecido à Neptuno Films por me ter trazido todos estes desenhos animados. E aos estúdios que os dobraram, claro.

Alguns episódios
- Uma vidente faz várias previsões para o Bandolero, entre as quais se incluem a previsão de que um dos seus amigos vai morrer e a de que Bandolero vai ser salvo por algo que o seu maior inimigo lhe vai dar. O Bandolero acha um disparate, mas quando as previsões da vidente se começam a confirmar, ele receia que o "Dragabuche", a Rosita ou o Tony morram. Depois de um tempo a agonizar, pensando em quem seria o infeliz...o Dragabuche aparece estendido no chão com a camisola toda vermelha! O Bandolero fica desolado, mas logo percebem que o Dragabuche está só a dormir. E, antes disso, estava a cozinhar e entornou molho de tomate na roupa! Lindo serviço...enfim. Mais tarde, algo chama a atenção do Bandolero: o seu arqui-inimigo Rodrigo, que vai a passar! O Bandolero decide assaltá-lo. Assustado com as ameaças dele, o Rodrigo dá-lhe a coisa mais valiosa que tem consigo: uma espécie de cigarreira feita de ouro. O Bandolero fica todo contente, mas quando se distrai a falar com a Rosita e com outra pessoa, o Rodrigo aproveita para sacar uma arma...e dá um tiro no Bandolero! Quando todos estão aflitos, o Bandolero sorri ao ver que a vidente tinha razão. Foi salvo por algo que Rodrigo lhe deu! Como? Bem, ao dar um tiro no Bandolero, o nabo do Rodrigo acertou na mão deste...que estava a agarrar a cigarreira! E a bala ficou presa na cigarreira! E é um final feliz.


- Ainda apanhei os momentos finais deste desenho animado. Foram intensos...o Bandolero e o Rodrigo decidem lutar. A questão é que estão ao pé de um precipício. É então que Rodrigo dá um tiro em Bandolero, que fica deitado ao pé do precipício. Rodrigo diz “Até nunca mais, Bandolero!”. O nosso herói conserva o sangue-frio e diz: “Sim...até nunca mais!!!”. Ao dizer isto, o Bandolero faz um movimento simples mas eficaz: puxa Rodrigo pelos braços, fazendo-o desequilibrar-se; ainda agarrando os braços de Rodrigo, apoia os seus pés no peito dele e balança o corpo todo para trás...o que lança Rodrigo pelo precipício abaixo! Rodrigo grita em agonia...e nunca mais o vemos ou ouvimos! E o final é uma festa, um típico final todos-se-casam! O Bandolero casa com a sua amada, o Dragabuche diz que vai casar com a criada da amada do Bandolero – eles já gostavam um do outro – e o Tony e a Rosita...bem, ficam como estão, sem casamento marcado. Mas sempre juntos!

Uma(s) voz(es): Alexandra Sedas; Margarida Machado; Nuno Távora; Paulo Espírito Santo

Uma(s) personagem(ns): Bandolero; “Dragabuche”; Flaco; Rosita; Tony;

Genérico:
Bandolero
Bandolero
Bandolero…

Combaterás o mal
E sempre vencerás
Bandolero

O pobre ajudarás
E o defenderás
Bandolero

O mais bravo e valente serás
E a morte tu não temerás
Bandolero, teu nome é querido
Também és temido
Pelos teus inimigos
Que querem-te ouvir

Bandolero, Bandolero
Cavalgando viverás
Bandolero, Bandolero
Lutando sempre estás


Interpretado por: Paulo Espírito Santo