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segunda-feira, 18 de maio de 2020

Bendito Regresso - Jardim da Celeste

Saudações.

Por coincidência, descobri no Guia da RTP Memória que o canal tem disponibilizado na sua emissão alguns episódios de um dos programas favoritos da minha infância: o Jardim da Celeste. Assim, sugiro-o a quem estiver interessado/a numa sessão de nostalgia ou então que queira mostrar um programa marcante como este aos mais novos. Não prometo que seja tão marcante como a Rua Sésamo, programa que a meu ver lembra o Jardim da Celeste (e vice-versa), mas também tem o que alguma pessoas apreciarão: variedade. Afinal, ambos os programas intercalam momentos protagonizados por marionetas com imagens reais, números musicais e afins. E creio que um programa até usou números de outro (talvez por serem ambos emitidos pela RTP, não sei...).

Como já é costume nestes Benditos Regressos, nem imagino quando é que o canal voltou a transmitir este programa. Mas mesmo assim...se tiverem a possibilidade de "voltar atrás no tempo", como dizia o anúncio, então deverão ter acesso a pelo menos 2 episódios do Jardim da Celeste através da RTP Memória.

Saúde!

sábado, 2 de fevereiro de 2019

As crianças de agora não veem nada de jeito? Têm a certeza? (Parte 3)

Saudações! Chegamos, enfim, à última parte deste atipicamente grande post (podem carregar aqui para a parte 2 e aqui para a parte 1)! Portanto…iupi? Viva? Não sei, depende da perspetiva.

Bom, mas vamos diretos ao assunto. Como se devem lembrar, esta última parte almejava referir ainda outra perspetiva a partir da qual é questionável a opinião que tanto foi esmiuçada nas partes 1 e 2: a tal opinião de que as crianças de agora não veem nada de jeito. Não há grande novidade até agora, já trouxe à baila essa opinião muitas vezes para evitar confusões. Mas se nas partes 1 e 2 questionei essa opinião através de boas opções que as crianças de agora têm e/ou das formas variadas que essas crianças têm de aceder a muitos desenhos animados, nesta parte 3 vou utilizar uma, digamos, “ferramenta” completamente diferente: a abordagem à forma como vários humanos pensam no passado em si. Neste sentido, pergunto…e se a forma como vemos o passado fosse inesperadamente condicionada por uns "óculos" que distorcem um pouco a forma como se vê o referido passado?

Imagino que já tenham ouvido algo semelhante. Bem, eu acredito bastante nessa perspetiva, embora não de maneira extremista. E embora as provas que apoiam esta perspetiva sejam mais para o circunstancial e não propriamente provas irrefutáveis obtidas em laboratório ou semelhante, acho que é muito provável que tenha muito de verdade. Por exemplo, já ouviram dizer que, geralmente, só passam para as gerações vindouras a melhor parte da cultura e que o menos bom é deixado para trás? Claro que não é assim tão linear, mas sei lá…quando se diz que as crianças de antigamente só viam programas bons porque existiam o Dragon Ball ou Os Cavaleiros do Zodíaco (ah, como eu gostava…aquelas armaduras eram tão apelativas!), é um bocado obrigatório perguntar: mas era só isso que existia? Acho que é claro que não. Havia mais desenhos animados. Tudo bem que não havia tantos canais à disposição e podia haver mais programas com kids in mind, mas que havia outras opções além dessas duas, havia. Mas seriam opções tão boas como os dos superguerreiros ou o dos cavaleiros? Discutível…mas provavelmente não. E é muito provável que, por não serem tão bons, não tenham tido tão boa receção por parte das crianças. O que também explica parcialmente a razão pela qual esses têm poucas ou nenhumas reposições na TV.

E não, este debate não é novo; já há um bom tempo que se fala do quão fácil é cair na “armadilha” de pensar que a arte atual é bem pior do que a arte de outros tempos. É verdade que por vezes parece ser óbvio, mas se virmos que, de facto, a maioria do que nos chega de décadas anteriores é o melhor que essa década tem para dar e que, vivendo na década atual, estamos expostos ao bom e ao mau atual, faz sentido pensar que nem tudo o que parece óbvio é. Como Nuno Markl observou com alguma graça quando lhe disseram que crescer com a música dos anos 90 devia ser fantástico, os anos 90 tiveram os Nirvana mas também tiveram músicas como I’m Blue e Barbie Girl (que, atenção, são músicas de que eu até gosto…e podem-se talvez considerar clássicos do seu tempo, mas não são conhecidas por serem músicas requintadas).

- Arbustos? Que tem isso a ver com o post?
- Que foi? O Sr. Markl disse que não ofendem ninguém! ;)

Portanto, lá está. Da mesma forma que se pode não apreciar certos programas atuais quando se quer considerar as décadas anteriores como muito melhores, não se pode ter só em conta pokemons ou digimons ao julgar essas décadas; também é preciso colocar na balança os outros desenhos animados que foram aborrecidos e/ou nada memoráveis. E aqui, eu não posso dar nomes, porque justamente por esses programas não serem memoráveis, eu não me lembro deles. E certamente que não posso usar nenhum (ou quase nenhum) exemplo aqui do blog, porque geralmente ele só fala de programas de que eu gostei. Mas enfim…acho que toda esta ideia de como é fácil ser enganado pela nostalgia é uma ideia bastante razoável. Ou, pelo menos, com argumentos de alguma lógica.
E já que voltou a palavra “nostalgia”…convém lembrar também que a nostalgia é praticamente um sentimento. E, como sentimento agradável que é – pelo menos no geral –, sentir nostalgia dos programas de outros tempos é uma experiência mais emocional do que racional. O que torna mais provável que achar que as crianças de agora não veem nada de jeito seja um pensamento mais subjetivo do que objetivo. E, acho, convém não cair nessa rasteira, digamos assim.


- Alguém falou em rasteira?
- Tecnicamente,  não falei, escrevi...


Ah, e…se acreditarem num link que eu cá sei(podem não acreditar, pois este site não é exatamente aquele que os professores recomendam aos alunos…embora também tenha informações corretas), podem constatar como as memórias não são um fenómeno são isento e/ ou imparcial como poderão eventualmente pensar. O link: http://en.wikipedia.org/wiki/Autobiographical_memory#Positivity_effect

Mas atenção, muita atenção: toda esta enchente de palavras não significa que alguém que defenda a opinião tão esmiuçada neste post de 3 partes esteja exatamente errado. Até porque, bem, a qualidade de desenhos animados está longe de ser algo mensurável. Quer dizer, não há grandes provas de laboratório que se possam arranjar para provar algo assim. Nem uma escala. Nem estudos de 200 páginas. Além disso, se uma pessoa que tiver a referida opinião e souber defendê-la como deve ser e/ou sem ódio cego, aplaudo metaforicamente esse feito. Mas, precisamente porque essa crítica não me parece muito informada, escrevi tudo isto. Tenho a sensação de que essa crítica, apesar de poder hipoteticamente ser feita com algum dolo, nasce bastante de uma grande falta de conhecimento. E, se realmente este longo post ajudar algumas pessoas a ter menos (ou nenhuma) pena das crianças de agora por não verem nada de jeito, acho que isso é bom. Posso estar enganado, mas acho que é bom.

E…e pronto! Suponho que está concluído este longo texto (longo para os padrões deste blog, bem entendido…) a defender esta minha teoria. Que aproveito para parafrasear: não vale mesmo a pena ter pena das crianças de agora por não verem nada de jeito. Nem acho que isso tenha grande reflexão na realidade.

E enfim, é isto. Se tiver acontecido aquilo que eu desconfiava que era um risco – ou seja, se eu tiver mexido negativamente nos sentimentos de alguém – lamento e espero que não me odeiem muito. :P Não acho que tenha cometido um grande crime, mas também não tenho por hobby andar a aborrecer pessoas que nem conheço pessoalmente.

Último, mas não menos importante: tenham um bom dia!

sábado, 15 de setembro de 2018

As crianças de agora não veem nada de jeito? Têm a certeza? (Parte 2)

Olá a todos. Hoje, seguimos com aquilo a que eu chamo a minha defesa das crianças de agora quando as acusam de não verem nada de jeito. A primeira parte desse texto está aqui, mas se bem se lembram, tínhamos deixado no ar esta dúvida: as pessoas que defendem essa ideia defendem-na por acharem que já não existem canais que dão atenção às crianças? Ou uma ideia semelhante?

Ora bem, se de facto há quem ache que as crianças já não veem nada de jeito por não existirem canais dedicados a elas, também não me parece que isso faça muito sentido. Mas primeiro pensemos no que leva alguém a pensar assim. Será que pensam que os canais mais clássicos (RTP, SIC e TVI?) já não lhes prestam atenção? É uma possibilidade. Afinal, para alguns, é possível que o simples facto de o Dragon Ball já não passar na SIC seja suficiente para afirmar isso. E, note-se, já vi uma pessoa usar um argumento para alegar que os canais já não queriam educar os mais novos que consistia no seguinte: (parafraseando) “A Rua Sésamo passava no horário em que atualmente passam os Morangos com Açúcar.”. Interessante. De facto, assim, parece que temos uma prova contundente. Mas…teremos? Tenho as minhas dúvidas.

Eu não presto porque não estou à procura de 7 bolas de cristal?
Repete, se tens coragem!

Antes de mais, duvido seriamente que no meu tempo (por exemplo) existissem mais canais com os kids in mind do que atualmente. É que no meu tempo, a televisão por cabo ainda era um pouco uma novidade. E por muito que seja um pouco injusto considerar a televisão por cabo como algo que toda a gente tem atualmente – é uma generalização abusiva que discrimina um pouco os cidadãos com menos recursos –, partamos do princípio que 4 em cada 5 crianças têm acesso à televisão por cabo (ou TDT, se a expressão se adequar) atualmente. Quem tem mais opções, as crianças de agora ou as de décadas anteriores? Suspeito que seja o primeiro grupo…senão vejamos: uma criança com acesso à atual panóplia de canais que os pacotes de canais oferecerem tem acesso a muitos dos seguintes canais com os kids in mind:
Baby First
Canal Panda
Cartoon Network
Disney Channel
Disney Junior
Nick Jr. Channel
Nickelodeon
Panda Biggs
Sic K
Super RTL
Tiji

Lista grandinha, não? E agora, pergunto eu, esta oferta toda algum dia se compara à oferta dos famosos 4 canais? Quer dizer, temos aqui uma lista como esta de canais que são literalmente feitos para uma audiência infantojuvenil. Que hipóteses têm os 4 canais, ainda para mais sabendo que esses também têm dezenas de programas para adultos? Alguns dos quais as crianças não podem ver, note-se…(refiro-me àqueles com a circunferência vermelha no cantinho). E, volto a frisar, no meu tempo não havia Panda Biggs. Nem Disney Junior…enfim, acho que se percebe que as crianças agora têm tendência a ter uma oferta incomparavelmente maior do que a que teriam há uns anos.

Há ainda outro pormenor/“pormaior” que importa sublinhar: o próprio Cartoon Network, que já existia quando a televisão por cabo ainda era uma novidade, estava longe de ser tão acessível às crianças como é agora. Porquê? Porque praticamente todos os desenhos animados que lá passavam estavam em inglês. Em inglês sem legendas! Era só as personagens a falar inglês sem qualquer tipo de auxílio para uma criança perceber o que se estava a dizer. Em contraste com o que acontece neste momento, em que praticamente tudo o que é programa que passa no CN aparece com uma caprichada dobragem portuguesa. Ah, pois é. Se gostam ou não da dobragem é outra história; podem sempre não gostar…ainda que tenham uma variedade considerável. Afinal, têm dobragens com equipas de dobradores mais modernas e têm outras com equipas de dobradores clássicas. A dobragem portuguesa que o CN usa d’O Laboratório do Dexter, por exemplo, é a mesma que eu ouvia quando era criança e os 4 canais passavam o nosso amigo Dexter (com vozes de Henrique Feist, Cristina Cavalinhos e outros).

- Ei, Dexter, não serás o Doofenschmirtz em pequeno?
- Estás a chamar-me anão de jardim? É por eu ser baixo?

Mas será que isto não chega para quem acha que as crianças de agora não veem nada de jeito? Será que, mesmo tendo tantos canais a pensar nos mais novos, têm de ser forçosamente os 4 canais a voltar a dedicar-se às crianças? Sei lá, com programas como Disney Kids, Batatoon e afins? Bom, aí tenho pouco a dizer; com efeito, que seja do meu conhecimento, esses programas não voltaram. Mas se a memória não me falha, nos anos 90 a RTP2 não tinha um Zig Zag a passar um número elevado de desenhos animados diferentes durante horas a fio.

Ou será que o, aham!, “problema” não são os 4 canais, mas sim a falta de programas específicos? Será que é a falta daqueles programas classicíssimos que cerca de 9 em cada 10 pessoa da minha geração está sempre a citar? É isso que falta? É que se é, eu pergunto genuinamente a quem pensar assim: fazem alguma ideia do quão esses desenhos animados têm andado a ser repostos? As reposições também contam, e nos últimos anos eu lembro-me (sem pensar muito) de terem sido repostos programas tão clássicos como Digimon – sim, o original! – e As Navegantes da Lua no Canal Panda e Dragon Ball na SIC Radical. E deve haver mais reposições assim, eu é que não estou a par de todas…mas como a nostalgia vende bem no geral, acho que é provável que haja pelo menos mais uma.

Uma crítica com poucas bases corre o risco
de se espalhar como um vírus mortal!

E nem me ponham a falar das outras formas que as crianças de agora têm para ver desenhos animados. É que o televisor é só uma hipótese; há mais hipóteses que, lá esta, não tinham sido inventadas nos anos 90. Estou a lembrar-me daquela piada recentemente proferida por José Diogo Quintela: “Ver televisão na televisão, que ideia tão parva!”…

Mas enfim, as minhas fórmulas para iniciar parágrafos estão a esgotar-se, por isso acho melhor a parte 2 ficar por aqui. Porém, este post é composto por 3 partes. Portanto, falta uma, pois…lá acabará por ser colocada. A próxima parte vai extravasar um pouco o mundo da televisão. Por isso não percam o próximo post…porque nós também não! XD

(continua na parte 3)

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Especial: As crianças de agora não veem nada de jeito? Têm a certeza? (Parte 1)

Boa noite a todos.


Hoje gostava de expressar a minha opinião sobre um assunto mais delicado do que praticamente todos os assuntos de que já falámos neste blog. Este post, portanto, vai ter um tom mais sério e, portanto, vai ser menos lúdico. Não dramatizemos, mas posso dizer sem muita margem para errar que este post poderá mexer com alguns sentimentos (não vou dizer "ofender"; essa palavra tem sido tão usada que já temos de procurar a garantia para provar ao vendedor que só a comprámos há pouco tempo...XD), seja para o bem ou para o mal. O que é natural, porque é um post que anda um pouco no terreno da nostalgia, e esse sentimento tem muita força em nós. Como quem diz, temos muito carinho por aquilo que nos dá nostalgia. E falar sobre pessoas/coisas pelas quais se tem muito carinho é como andar na corda bamba sem rede: pode correr tudo bem, mas um pequeno erro e é uma desgraça. Note-se que não vou falar de nenhum tema tão sensível como os direitos do ser humano ou se se deve exercer o direito de voto ou não. Não, vou só defender uma modesta opinião que tenho. Atenção que não pretendo fazer uma tese de mestrado nem almejo que este post seja uma resposta definitiva a uma questão em que é difícil concordar! Como dei a entender (espero), queria simplesmente expressar e defender uma opinião que tenho, que consiste no seguinte:

É escusado ter pena das crianças de agora por não terem programas bons para ver.

Exatamente; é esta teoria que gostava de defender aqui. Notem que não vou exatamente tentar definir "as crianças de agora"; vou simplesmente contar com os últimos 7-8 anos como sendo o "agora". Afinal, foi algures por essas alturas que começou a década de 2010. Além disso, já ouço (e leio) a tal crítica de que as crianças de agora não veem nada de jeito há anos. Portanto, o que está escrito neste post também se aplica a esses anos, não necessariamente só a 2018.


Abusive generalization is abusive. DING!

Há umas quantas razões pelas quais eu acho que não faz grande sentido ter pena das crianças de agora por não verem nada de jeito. Uma (e a mais importante) é que "ter pena" de crianças por não terem grandes desenhos animados para ver parece uma reação excessiva. A pena, acho eu, deve guardar-se para situações muito mais graves, relacionadas com a saúde, com a família, com o mundo que rodeia as crianças. Os programas que podem ver? Não me parece que deva ser motivador de "pena". Outra razão é que ter pena pelos programas que as crianças veem agora deixa implícito um insulto. Um insulto aos programas de agora, sim. Lembram-se quando se disse que Portugal só ganhou o Euro porque jogou contra equipas fracas exceto na final? Esse debate/discussão deu pano para mangas, mas não ouvi quase ninguém a apontar algo que, a meu ver, era bastante visível: dizer isto é uma ofensa, por exemplo, à Croácia que jogou tão bem e ganhou à forte Espanha. E uma ofensa ao País de Gales, que teve um dos melhores ataques da prova...aliás, desconfio que um croata ou galês que ouvisse essa declaração ficaria no mínimo, desagradado. Do género..."É só isso que eu valho para vocês? É assim que vocês me tratam?  Uma equipa fraca?". E isso dói sempre um bocadinho. Aqui é igual. Ter pena das crianças de agora pelos programas que veem é ofensivo para os programas de agora. Não literalmente, porque os programas até ver não têm sentimentos, mas metaforicamente. E...antes de se usar este argumento, eu acharia bem que se pensasse: o que eu quero é elogiar os programas antigos ou insultar os novos? É que as duas coisas são diferentes e uma coisa não exige a outra...

Mas posto isto, pensemos um pouco naquilo que as crianças de agora podem ver na televisão. Muita coisa, certamente, tal como nos anos 90 (nos 60-70 imagino que não porque havia um tempo em que só havia um canal). Mas, por exemplo, as crianças de agora puderam/podem ver...Phineas e Ferb! E havia algum Phineas e Ferb antigamente? Não! Phineas e Ferb é um programa único, um como não há! Já chamei genial a esse programa, e repito. São muito poucos os programas para crianças com o humor de qualidade que tem Phineas e Ferb. Este programa põe adultos a rir alto e com gosto. Incluindo eu, pois. Eu chegava a dar uma olhada aos episódios dos meios-irmãos quando tinha tempo livre - esse é o nível de qualidade que ele tem! Um adulto de barba rija era por vezes capaz de preferir o fantástico humor nonsense de Phineas e Ferb a qualquer outro programa para se divertir um pouco! Pois é; o último programa que me lembro de ter um humor nonsense tão bom, que me lembre de dezenas piadas depois de anos era Dave, o Bárbaro. E, ainda assim, acho Phineas e Ferb melhor. Dave, o Bárbaro tinha um humor fantástico, mas os seus enredos não tinham a força e criatividade de programas como Recreio, House of Mouse e, claro, o do cabeça de triângulo. E, contudo, diz-se que as crianças agora não veem nada de jeito. Bom, se as piadas de Phineas e Ferb não têm jeito, não sei quais têm.


Não são demasiado novos para falar como velhos do Restelo?

Mas nem é preciso ficar pela minha opinião; há um desenho animado que não acompanhei propriamente, embora tenha visto algumas partes de uns episódios e tenha achado bem interessante. Refiro-me a Code Lyoko. Para quem não conhece - porque imagino que muita gente que teça esta crítica à atual programação matinal para crianças não conheça muitos dos programas favoritos destas, inclusive no sentido de nunca se ter sentado a vê-los - é um programa de origem francesa que começou por passar em Portugal com vozes inglesas e legendas em português. Ao que parece, Code Lyoko foi emitido duas vezes no século XXI, primeiro em 2007 e depois em 2010. O interessante é que já ouvi crianças/jovens a dizer que este desenho animado teve tanta aprovação pelo petizes portugueses que levou a que se fizesse uma dobragem portuguesa para a nova emissão.  A ser verdade, isso já diz qualquer coisa sobre o quanto Code Lyoko marcou a juventude de agora (seja lá o que isso for). O meu primo, pelo menos, adora-o, e ele por pequeno que seja, tem mais experiência em perceber que desenhos animados agradam a si e às crianças dos seus círculos. Além disso, não são todos os programas infantis que têm cenas em 2D mais ou menos intercaladas com cenas em 3D.


Code Lyoko nunca estará parado / Code Lyoko, quando lhe chamam falhado
Code Lyoko, lutamos até não sobrar nada / Code Lyoko, da crítica mal informada!

Mas suponhamos que as pessoas que dizem que as crianças de agora não veem nada de jeito até nem gostam de programas com humor nonsense como o de Phineas e Ferb ou de divertidas batalhas épicas como as de Code Lyoko. Talvez gostem de desenhos animados que apostem tudo na simplicidade e/ou na simpatia. Muito bem, então; em tempos, para simplicidade com simpatia, existiam os Teletubbies ou os Tweenies (estes últimos não tão simples, mas pronto). Porque não ter em conta que as crianças de agora podem/puderam ver Lunar Jim? Pois é; o astronauta em questão permite a muitos ver um desenho animado que conjuga a simpatia notável das suas imagens à la Bob, o Construtor com a simplicidade das "aventuras" que mostra. Porque...o que é que fazia o Jim e os seus amigos? Lutavam até à morte contra vilões, como faziam As Navegantes da Lua? Enfrentavam problemas de elevada complexidade típicos de programas com máquinas, como faziam os Ciber-Heróis? Não! Eles simplesmente iam explorando o espaço exterior, o que dava ao programa uma natureza parcialmente contemplativa (do género: vejam, meninos, olhem que coisa gira que eles encontraram neste planeta!), e iam resolvendo problemas de forma relativamente simples. Não era o tipo de programa que fizesse as crianças pensar demais, retirando o relaxamento da equação; era mais de deixá-las ver o que se passava, achar bonito e transmitir alegria.


Para o infinito e mais...oh, desculpem, programa errado!

Ou será que humor, batalhas e contemplação não chegam? Será que as crianças não têm agora desenhos animados fora da caixa, que desafiem e que até sejam um bocadinho iconoclastas? Se alguém acha que não têm, digo-vos 2 nomes. Primeiro: As Aventuras Assustadoras de Billy e Mandy! Segundo: Regular Show! É difícil combater este nomes, hem? ;)


Aquele momento em que uma humana 
mete mais medo que a Dona Morte em pessoa...

E que outros programas infantis poderiam ser considerados bons? Bem, tal como os outros que mencionei neste post, ser bom ou não ser bom é relativo. Mas, assim de cabeça, lembro-me de uns quantos...Porto Papel, por exemplo, parte de uma ideia muito curiosa que dá azo a vários episódios interessante. Não Fui Eu, apesar de ser uma série do Disney Channel (rótulo que não agrada a todos), tem momentos de humor bastante bons. Mermaid Melody, mesmo não sendo um anime de eleição para o horário nobre (o que é normal, tendo em conta a sua temática do amor e a parcial nudez das sereias), tem uma das dobragens com melhor trabalho de ator que eu me lembro de ver na vida. Como podem ver os exemplos são vários e, acima de tudo, são variados. Diferentes uns dos outros. Tanto quem gosta mais de Dragon Ball como quem gosta mais de Puzzle Park pode encontrar pelo menos um programa semelhante que as crianças de agora puderam/podem ver. Portanto, voltemos à opinião de que as crianças de agora não veem nada de jeito. Se assim fosse, qual seria a razão para estas não verem nada de jeito? Seria a questão de não existirem programas bons para ver? Bom, tendo em conta tudo o que escrevi na parte 1 deste post, parece que não. Os programas bons para as crianças verem estão aí, existem, portanto não é por aí. Então, qual seria a razão? Será que quem acha que as crianças de agora não veem nada de jeito simplesmente acha que as crianças têm agora pouca escolha no que toca a canais com desenhos animados? Será que acham que o Disney Channel só faz porcaria (já ouvi isso) e por isso não conta e/ou que a SIC, TVI ou RTP já não passam tantos desenhos animados de manhã para um público mais novo?

Sim? Não? Talvez, não sei, até porque não partilho desta linha de pensamento.

Agora que penso nisso, o facto de se colocarem estas perguntas só reflete a falta de argumentos frequente nos comentários a dizer que as crianças não veem nada de jeito...é que raramente defendem a sua opinião (dir-se-ia que estão mais interessados em criticar em público do que em comunicar com quem quer que seja).

Mas adiante; se o raciocínio acima sublinhado for realmente o raciocínio das pessoas que tecem estes comentários, posso dizer que também tenho razões para crer que ele tem muito de questionável...

(continua na parte 2)