sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Nome Desconhecido (Os Contos Mais Célebres?)

Imagens/vídeos:


Informação: Não sei se este desenho animado chegou a passar na TV, pois só o vi em VHS quando era bem pequeno e, desde então, nunca mais o consegui encontrar. À parte disso, como o eventual título original indica, era um programa que contava a sua versão de vários contos célebres da História: Os Três Porquinhos, O Gato das Botas, Ali Bábá, etc. Uma vez que quem conta um conto acrescenta um ponto, o programa lá arranjava os seus diálogos para apresentar a narrativa de cada um dos contos. Tudo isto pode não parecer muito marcante...mas até era. Sobretudo porque o programa, embora investisse bem na "fofura" das suas personagens mais cândidas, também investia na fealdade dos seus vilões ou em situações assustadoras. Quer isto dizer que às vezes as crianças que viam isto acabavam a ver no ecrã monstros bem assustadores. Isso dava um gostinho a terror a um desenho animado que até nem tentava assustar assim tanto...pelo menos não parecia. O auge destes visuais assustadores ocorria no episódio dos músicos de Bremen. Alguns episódios - até podiam ser todos, não ao certo - contavam também com uma narração que podia ser com a voz de Luísa Salgueiro.


Alguns episódios
- Os Quatro Músicos de Bremen: na célebre parte da história em que os 4 animais tentavam criar uma sombra assustadora para afugentar o bando de ladrões da casa onde eles estavam, este programa não se fazia rogado a mostrar uma sombra mesmo feia; aparentava mesmo ter olhos zangados e dentes afiados! Não admira que os ladrões tivessem pensado que era um monstro. E ainda ficava mais interessante, porque como quem conhece a história clássica deve saber, um dos ladrões voltava à casa mais tarde para verificar. E, sim, assustava-se quando os 4 animais o atacavam no meio da escuridão. Quando o ladrão voltava ao seu bando para dizer que não deviam mesmo voltar nunca àquela casa, ele descrevia os terrores pelos quais passou lá na casa. E, novamente, o programa não poupava no visual: o espetador via no ecrã a horrível bruxa pela qual o ladrão pensava ter sido arranhado (que na verdade era o gato), a criatura mefistofélica com uma arma branca (que na verdade era o cão), o gigante armado com um bastão (o burro) e a arrepiante ave soturna de olhos vermelhos (o galo).

- Os 7 Cabritinhos: não conheço bem a história original, portanto vou só contar o que vi no ecrã. Então, nesta história havia os 7 cabritinhos que viviam com a sua mãe. A mãe volta e meia tinha de sair de casa e como era mãe solteira tinha de fechar a porta e dizer aos cabritos para não abrirem a porta a ninguém. Eles tentavam, mas o lobo mau meteu na cabeça que havia de fazer os cabritos abrir a porta para os comer. Da primeira vez, o lobo tentou fazer uma voz fininha a dizer que era a mãe dos cabritos. Eles não acreditaram porque a voz não era convincente que chegue, portanto não abriram a porta. Aí, o lobo roubou mel, consumiu imenso mel para adoçar a voz e tentou novamente fingir que era a mãe. Os cabritos quase acreditavam, mas uma cabritinha desconfiava e dizia à "mãe" que só podia entrar depois de mostrar as mãos pela portinhola, argumentando que a mãe sempre lhes disseram para não entrar em casa de mãos sujas. O lobo não desconfiou de nada e mostrou a mão...que, claro parecia uma mão de lobo! A cabritinha não se quis ficar, pegou no rolo da massa e deu com toda a força na mão do lobo. O lobo ficou furioso, mas depois foi roubar farinha para esbranquiçar a mão, de forma a parecer a mãe dos cabritinhos. À terceira foi de vez: eles acreditaram, abriram a porta e o lobo preparou-se para os comer. Os cabritinhos escondiam-se, mas o lobo encontrava-os a todos...menos a um! O cabrito que se vestia de vermelho conseguiu esquivar-se do lobo escondendo-se dentro do relógio, mesmo ao pé do pêndulo. E, mais tarde, alguém ajudava esse cabrito a ir abrir a barriga do lobo, para tirar de lá os seus irmãos. Felizmente esta parte da história não era muito gráfica.

- O Gato das Botas: no conto de Charles Perrault, o famoso gato das botas (que não falava espanhol, como um certo gato que muitos conhecem do cinema...) fingia que o seu senhor se estava a afogar para o apresentar à realeza. Nesta versão, não; em vez disso, o gato escondia as roupas do seu senhor e corria ao rei a dizer que uns ladrões tinham roubado as roupas dele enquanto ele estava na água. E o gato dava alguns pormenores, pois já dizia a velha frase que a chave de uma boa mentira está nos detalhes. Por isso, lá dramatizava o gato, fingindo que os "ladrões" se esconderam atrás de um arbusto e que ainda tentou impedi-los, mas já foi tarde demais. Mais tarde, também como no conto de Perrault, o gato ia enfrentar o gigante ogre que se podia transformar em qualquer animal. Como este programa não poupava muito os infantes, o ogre transformava-se em pelo menos 3 animais grandes: um leão, um elefante e um dragão. E depois, já se sabe; o gato pediu que ele se transformasse num rato, o ogre assim o fez e acabou no bucho do gato!


Uma(s) voz(es): Isabel Ribas; Paulo B.

Uma(s) personagem(ns): Burro; Cão; Galo; Gato; Gato das Botas; Lobo Mau

Genérico: Desconhecido

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Bendito Regresso - Jardim da Celeste

Saudações.

Por coincidência, descobri no Guia da RTP Memória que o canal tem disponibilizado na sua emissão alguns episódios de um dos programas favoritos da minha infância: o Jardim da Celeste. Assim, sugiro-o a quem estiver interessado/a numa sessão de nostalgia ou então que queira mostrar um programa marcante como este aos mais novos. Não prometo que seja tão marcante como a Rua Sésamo, programa que a meu ver lembra o Jardim da Celeste (e vice-versa), mas também tem o que alguma pessoas apreciarão: variedade. Afinal, ambos os programas intercalam momentos protagonizados por marionetas com imagens reais, números musicais e afins. E creio que um programa até usou números de outro (talvez por serem ambos emitidos pela RTP, não sei...).

Como já é costume nestes Benditos Regressos, nem imagino quando é que o canal voltou a transmitir este programa. Mas mesmo assim...se tiverem a possibilidade de "voltar atrás no tempo", como dizia o anúncio, então deverão ter acesso a pelo menos 2 episódios do Jardim da Celeste através da RTP Memória.

Saúde!

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Especial: 5 curiosidades sobre programas do blog

Boa tarde a toda a gente.

Apesar de eu ter deixado de postar regularmente no blog há já um bom tempo, pensei em escrever algo por agora. Por um lado, já tinha pensado em fazer um post como este. Por outro, como eu já desconfiava, as visualizações aqui do blog subiram em flecha no mês de março...muito provavelmente devido à situação do vírus.



Sabendo que não sei o suficiente de medicina para ajudar por aí além, pensei que um post agora poderia ajudar a animar um bocadinho. Se deixar os leitores «habituais» do blog (eu desconfio que não haja assim um grande número de pessoas que venham ao blog regularmente ou até diariamente...mas se houver uma que seja, para mim é suficiente) com um pouco mais de boa disposição, fico contente. Sendo assim, como o título do post prometeu, aqui vão 5 curiosidades sobre programas dos quais eu falei aqui no blog. A ordem é aleatória, já agora.


1. Marcelino Pão e Vinho - caso alguém esteja curioso e queira saber os verdadeiros nomes dos homens do mosteiro onde o Marcelino vivia, eu sei, porque a Candela disse-os num episódio! São os seguintes: o irmão Ding-Dong chama-se Tomás; o irmão "Pap" chama-se André; o irmão Pássaro, Bernardino; o irmão Provérbio, Lourenço.
2. O Peixe Arco-Íris - este programa é baseado no livro infantil escrito pelo suíço Marcus Pfister. Embora o livro e o programa não tenham muito em comum em termos de enredo...afinal, no programa, ninguém andava a pedir as escamas ao Arco-íris.
3. O Mundo Maravilhoso dos Animais - esporadicamente, coloca-se (ou colocou-se...) à venda em Portugal a coleção O Mundo Maravilhoso dos Animais em DVD...mas acontece que, na passagem do VHS para o DVD, o episódio Os Ursos teve de ser um pouco alterado! Porquê esse episódio? Pois, é porque nesse episódio em particular, o narrador dizia que ah e tal, nesta cassete vamos fazer-te perguntas. O problema está aí: se a coleção é posta à venda em DVD, então não faz muito sentido o narrador falar com se o CD fosse uma cassete! Os responsáveis contornaram este problema suprindo a tal frase do narrador.
4. Lento Noca - o animal em que o Lento Noca é (supostamente) baseado parece-se pouco com a marioneta que conceberam para a personagem principal do programa...sobretudo no tamanho. O Noca é praticamente do tamanho de um urso pardo, já os lóris não costumam ser maiores que um macaco. O Noca tem focinho saliente, os lóris não. Os lóris vivem muito pelas árvores, o Noca...bem, nem tanto.
5. O Patinho Feio - um episódio que não mencionei no post original d'O Patinho Feio é o episódio em que o Nico percebe que está muito pesado e tem de fazer dieta. O Feio promete ajudá-lo, mas descobre que o Nico leva comida às escondidas para uma gruta, onde come todas as iguarias de que sente falta. Quando o Feio descobre, diz ao Nico para não fazer batota na dieta e o Nico concorda e vai embora. Acontece que a comida ficou por comer e o Feio não quer desperdiçar. Então...come a comida! E no fim do episódio fica ele pesado demais!


E são estas as curiosidades. Espero que tenham gostado. Entretanto, desejo muita saúde!

sábado, 2 de fevereiro de 2019

As crianças de agora não veem nada de jeito? Têm a certeza? (Parte 3)

Saudações! Chegamos, enfim, à última parte deste atipicamente grande post (podem carregar aqui para a parte 2 e aqui para a parte 1)! Portanto…iupi? Viva? Não sei, depende da perspetiva.

Bom, mas vamos diretos ao assunto. Como se devem lembrar, esta última parte almejava referir ainda outra perspetiva a partir da qual é questionável a opinião que tanto foi esmiuçada nas partes 1 e 2: a tal opinião de que as crianças de agora não veem nada de jeito. Não há grande novidade até agora, já trouxe à baila essa opinião muitas vezes para evitar confusões. Mas se nas partes 1 e 2 questionei essa opinião através de boas opções que as crianças de agora têm e/ou das formas variadas que essas crianças têm de aceder a muitos desenhos animados, nesta parte 3 vou utilizar uma, digamos, “ferramenta” completamente diferente: a abordagem à forma como vários humanos pensam no passado em si. Neste sentido, pergunto…e se a forma como vemos o passado fosse inesperadamente condicionada por uns "óculos" que distorcem um pouco a forma como se vê o referido passado?

Imagino que já tenham ouvido algo semelhante. Bem, eu acredito bastante nessa perspetiva, embora não de maneira extremista. E embora as provas que apoiam esta perspetiva sejam mais para o circunstancial e não propriamente provas irrefutáveis obtidas em laboratório ou semelhante, acho que é muito provável que tenha muito de verdade. Por exemplo, já ouviram dizer que, geralmente, só passam para as gerações vindouras a melhor parte da cultura e que o menos bom é deixado para trás? Claro que não é assim tão linear, mas sei lá…quando se diz que as crianças de antigamente só viam programas bons porque existiam o Dragon Ball ou Os Cavaleiros do Zodíaco (ah, como eu gostava…aquelas armaduras eram tão apelativas!), é um bocado obrigatório perguntar: mas era só isso que existia? Acho que é claro que não. Havia mais desenhos animados. Tudo bem que não havia tantos canais à disposição e podia haver mais programas com kids in mind, mas que havia outras opções além dessas duas, havia. Mas seriam opções tão boas como os dos superguerreiros ou o dos cavaleiros? Discutível…mas provavelmente não. E é muito provável que, por não serem tão bons, não tenham tido tão boa receção por parte das crianças. O que também explica parcialmente a razão pela qual esses têm poucas ou nenhumas reposições na TV.

E não, este debate não é novo; já há um bom tempo que se fala do quão fácil é cair na “armadilha” de pensar que a arte atual é bem pior do que a arte de outros tempos. É verdade que por vezes parece ser óbvio, mas se virmos que, de facto, a maioria do que nos chega de décadas anteriores é o melhor que essa década tem para dar e que, vivendo na década atual, estamos expostos ao bom e ao mau atual, faz sentido pensar que nem tudo o que parece óbvio é. Como Nuno Markl observou com alguma graça quando lhe disseram que crescer com a música dos anos 90 devia ser fantástico, os anos 90 tiveram os Nirvana mas também tiveram músicas como I’m Blue e Barbie Girl (que, atenção, são músicas de que eu até gosto…e podem-se talvez considerar clássicos do seu tempo, mas não são conhecidas por serem músicas requintadas).

- Arbustos? Que tem isso a ver com o post?
- Que foi? O Sr. Markl disse que não ofendem ninguém! ;)

Portanto, lá está. Da mesma forma que se pode não apreciar certos programas atuais quando se quer considerar as décadas anteriores como muito melhores, não se pode ter só em conta pokemons ou digimons ao julgar essas décadas; também é preciso colocar na balança os outros desenhos animados que foram aborrecidos e/ou nada memoráveis. E aqui, eu não posso dar nomes, porque justamente por esses programas não serem memoráveis, eu não me lembro deles. E certamente que não posso usar nenhum (ou quase nenhum) exemplo aqui do blog, porque geralmente ele só fala de programas de que eu gostei. Mas enfim…acho que toda esta ideia de como é fácil ser enganado pela nostalgia é uma ideia bastante razoável. Ou, pelo menos, com argumentos de alguma lógica.
E já que voltou a palavra “nostalgia”…convém lembrar também que a nostalgia é praticamente um sentimento. E, como sentimento agradável que é – pelo menos no geral –, sentir nostalgia dos programas de outros tempos é uma experiência mais emocional do que racional. O que torna mais provável que achar que as crianças de agora não veem nada de jeito seja um pensamento mais subjetivo do que objetivo. E, acho, convém não cair nessa rasteira, digamos assim.


- Alguém falou em rasteira?
- Tecnicamente,  não falei, escrevi...


Ah, e…se acreditarem num link que eu cá sei(podem não acreditar, pois este site não é exatamente aquele que os professores recomendam aos alunos…embora também tenha informações corretas), podem constatar como as memórias não são um fenómeno são isento e/ ou imparcial como poderão eventualmente pensar. O link: http://en.wikipedia.org/wiki/Autobiographical_memory#Positivity_effect

Mas atenção, muita atenção: toda esta enchente de palavras não significa que alguém que defenda a opinião tão esmiuçada neste post de 3 partes esteja exatamente errado. Até porque, bem, a qualidade de desenhos animados está longe de ser algo mensurável. Quer dizer, não há grandes provas de laboratório que se possam arranjar para provar algo assim. Nem uma escala. Nem estudos de 200 páginas. Além disso, se uma pessoa que tiver a referida opinião e souber defendê-la como deve ser e/ou sem ódio cego, aplaudo metaforicamente esse feito. Mas, precisamente porque essa crítica não me parece muito informada, escrevi tudo isto. Tenho a sensação de que essa crítica, apesar de poder hipoteticamente ser feita com algum dolo, nasce bastante de uma grande falta de conhecimento. E, se realmente este longo post ajudar algumas pessoas a ter menos (ou nenhuma) pena das crianças de agora por não verem nada de jeito, acho que isso é bom. Posso estar enganado, mas acho que é bom.

E…e pronto! Suponho que está concluído este longo texto (longo para os padrões deste blog, bem entendido…) a defender esta minha teoria. Que aproveito para parafrasear: não vale mesmo a pena ter pena das crianças de agora por não verem nada de jeito. Nem acho que isso tenha grande reflexão na realidade.

E enfim, é isto. Se tiver acontecido aquilo que eu desconfiava que era um risco – ou seja, se eu tiver mexido negativamente nos sentimentos de alguém – lamento e espero que não me odeiem muito. :P Não acho que tenha cometido um grande crime, mas também não tenho por hobby andar a aborrecer pessoas que nem conheço pessoalmente.

Último, mas não menos importante: tenham um bom dia!

sábado, 15 de setembro de 2018

As crianças de agora não veem nada de jeito? Têm a certeza? (Parte 2)

Olá a todos. Hoje, seguimos com aquilo a que eu chamo a minha defesa das crianças de agora quando as acusam de não verem nada de jeito. A primeira parte desse texto está aqui, mas se bem se lembram, tínhamos deixado no ar esta dúvida: as pessoas que defendem essa ideia defendem-na por acharem que já não existem canais que dão atenção às crianças? Ou uma ideia semelhante?

Ora bem, se de facto há quem ache que as crianças já não veem nada de jeito por não existirem canais dedicados a elas, também não me parece que isso faça muito sentido. Mas primeiro pensemos no que leva alguém a pensar assim. Será que pensam que os canais mais clássicos (RTP, SIC e TVI?) já não lhes prestam atenção? É uma possibilidade. Afinal, para alguns, é possível que o simples facto de o Dragon Ball já não passar na SIC seja suficiente para afirmar isso. E, note-se, já vi uma pessoa usar um argumento para alegar que os canais já não queriam educar os mais novos que consistia no seguinte: (parafraseando) “A Rua Sésamo passava no horário em que atualmente passam os Morangos com Açúcar.”. Interessante. De facto, assim, parece que temos uma prova contundente. Mas…teremos? Tenho as minhas dúvidas.

Eu não presto porque não estou à procura de 7 bolas de cristal?
Repete, se tens coragem!

Antes de mais, duvido seriamente que no meu tempo (por exemplo) existissem mais canais com os kids in mind do que atualmente. É que no meu tempo, a televisão por cabo ainda era um pouco uma novidade. E por muito que seja um pouco injusto considerar a televisão por cabo como algo que toda a gente tem atualmente – é uma generalização abusiva que discrimina um pouco os cidadãos com menos recursos –, partamos do princípio que 4 em cada 5 crianças têm acesso à televisão por cabo (ou TDT, se a expressão se adequar) atualmente. Quem tem mais opções, as crianças de agora ou as de décadas anteriores? Suspeito que seja o primeiro grupo…senão vejamos: uma criança com acesso à atual panóplia de canais que os pacotes de canais oferecerem tem acesso a muitos dos seguintes canais com os kids in mind:
Baby First
Canal Panda
Cartoon Network
Disney Channel
Disney Junior
Nick Jr. Channel
Nickelodeon
Panda Biggs
Sic K
Super RTL
Tiji

Lista grandinha, não? E agora, pergunto eu, esta oferta toda algum dia se compara à oferta dos famosos 4 canais? Quer dizer, temos aqui uma lista como esta de canais que são literalmente feitos para uma audiência infantojuvenil. Que hipóteses têm os 4 canais, ainda para mais sabendo que esses também têm dezenas de programas para adultos? Alguns dos quais as crianças não podem ver, note-se…(refiro-me àqueles com a circunferência vermelha no cantinho). E, volto a frisar, no meu tempo não havia Panda Biggs. Nem Disney Junior…enfim, acho que se percebe que as crianças agora têm tendência a ter uma oferta incomparavelmente maior do que a que teriam há uns anos.

Há ainda outro pormenor/“pormaior” que importa sublinhar: o próprio Cartoon Network, que já existia quando a televisão por cabo ainda era uma novidade, estava longe de ser tão acessível às crianças como é agora. Porquê? Porque praticamente todos os desenhos animados que lá passavam estavam em inglês. Em inglês sem legendas! Era só as personagens a falar inglês sem qualquer tipo de auxílio para uma criança perceber o que se estava a dizer. Em contraste com o que acontece neste momento, em que praticamente tudo o que é programa que passa no CN aparece com uma caprichada dobragem portuguesa. Ah, pois é. Se gostam ou não da dobragem é outra história; podem sempre não gostar…ainda que tenham uma variedade considerável. Afinal, têm dobragens com equipas de dobradores mais modernas e têm outras com equipas de dobradores clássicas. A dobragem portuguesa que o CN usa d’O Laboratório do Dexter, por exemplo, é a mesma que eu ouvia quando era criança e os 4 canais passavam o nosso amigo Dexter (com vozes de Henrique Feist, Cristina Cavalinhos e outros).

- Ei, Dexter, não serás o Doofenschmirtz em pequeno?
- Estás a chamar-me anão de jardim? É por eu ser baixo?

Mas será que isto não chega para quem acha que as crianças de agora não veem nada de jeito? Será que, mesmo tendo tantos canais a pensar nos mais novos, têm de ser forçosamente os 4 canais a voltar a dedicar-se às crianças? Sei lá, com programas como Disney Kids, Batatoon e afins? Bom, aí tenho pouco a dizer; com efeito, que seja do meu conhecimento, esses programas não voltaram. Mas se a memória não me falha, nos anos 90 a RTP2 não tinha um Zig Zag a passar um número elevado de desenhos animados diferentes durante horas a fio.

Ou será que o, aham!, “problema” não são os 4 canais, mas sim a falta de programas específicos? Será que é a falta daqueles programas classicíssimos que cerca de 9 em cada 10 pessoa da minha geração está sempre a citar? É isso que falta? É que se é, eu pergunto genuinamente a quem pensar assim: fazem alguma ideia do quão esses desenhos animados têm andado a ser repostos? As reposições também contam, e nos últimos anos eu lembro-me (sem pensar muito) de terem sido repostos programas tão clássicos como Digimon – sim, o original! – e As Navegantes da Lua no Canal Panda e Dragon Ball na SIC Radical. E deve haver mais reposições assim, eu é que não estou a par de todas…mas como a nostalgia vende bem no geral, acho que é provável que haja pelo menos mais uma.

Uma crítica com poucas bases corre o risco
de se espalhar como um vírus mortal!

E nem me ponham a falar das outras formas que as crianças de agora têm para ver desenhos animados. É que o televisor é só uma hipótese; há mais hipóteses que, lá esta, não tinham sido inventadas nos anos 90. Estou a lembrar-me daquela piada recentemente proferida por José Diogo Quintela: “Ver televisão na televisão, que ideia tão parva!”…

Mas enfim, as minhas fórmulas para iniciar parágrafos estão a esgotar-se, por isso acho melhor a parte 2 ficar por aqui. Porém, este post é composto por 3 partes. Portanto, falta uma, pois…lá acabará por ser colocada. A próxima parte vai extravasar um pouco o mundo da televisão. Por isso não percam o próximo post…porque nós também não! XD

(continua na parte 3)

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Atualizações

Na verdade já fiz estas atualizações há uns dias, mas estava difícil conseguir que este post fosse finalmente o próximo item da minha lista de coisas para fazer (a to do list). Enfim...atualizações nos posts Nome Desconhecido (Lento Noca?) e Rua Sésamo (4ª série). A primeira é particularmente enriquecedora. :)